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Piratas do Caribe: No Fim do Mundo

Filme longo e confuso por pouco não afunda a franquia

Marcelo Forlani
24.05.2007
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h25
Atualizada em 21.09.2014 às 13h25

Em 2003, o primeiro Piratas do Caribe, que tinha como subtítulo A Maldição do Pérola Negra (2003), foi uma enorme surpresa. A diversão simples e bem feita, somada à maravilhosa criação do Capitão Jack Sparrow (Johnny Depp), se mostrou uma ótima isca para levar as pessoas ao cinema. A confirmação dessa teoria veio com o segundo episódio, O Baú da Morte (2006), que surpreendeu de outro jeito: se tornando o terceiro filme a ultrapassar a quase intransponível barreira de 1 bilhão de dólares nas bilheterias (seguindo o caminho de O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei e o ainda imbatível Titanic).

Mas se a segunda parte da história dos Piratas do Caribe mantinha a diversão e usava os dólares lucrados na estréia da franquia para criar aventuras ainda mais mirabolantes e cheias de efeitos especiais, ela carregava também o peso de não ter um fim, sendo apenas uma ponte para o desfecho, intitulado No fim do mundo (Pirates of the Caribbean: At World`s End, 2007), que chega agora aos cinemas do mundo todo.

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E assim, o que antes era ótima diversão, pura pipoca feita para embalar as férias de verão do hemisfério norte, virou um monstro descontrolado, muito maior que o Kraken que assombra a história. A mania de grandeza levou a um aumento não só dos efeitos especiais, que se mostram principalmente em uma longa batalha climática ao redor de um redemoinho gigante, mas também de elenco, que, além de acrescentar novos personagens, trouxe de volta outros que a lógica mundana julgaria como mortos.

Quando reencontramos o grupo de piratas, agora liderado pelo ressucitado Capitão Barbossa (Geoffrey Rush), já sabemos que a Companhia das Índias Orientais está fechando o cerco contra os terrores dos mares e seus simpatizantes. Estamos em Cingapura, terra do temido Capitão Sao Feng (Chow Yun-Fat, "extra" de luxo, que pouco acrescenta à trama). É já neste início de filme, devidamente recheado de ação, tiros e espadas, que a confusa trama começa a se mostrar. Sao Feng, junto com Barbossa, Jack Sparrow e outros seis piratas, criaram há muito tempo os "Nove Lordes da Corte da Irmandade", que se uniu para derrotar a deusa marinha chamada Calypso e o Código dos Piratas. Agora eles precisam se reunir para tentar deter Lorde Beckett (Tom Hollander), que, de posse do coração de Davy Jones (Bill Nighy), o força a ajudar na campanha de exterminar os piratas.

Antes disso acontecer, porém, é preciso trazer do mundo dos mortos o "rock star" Jack Sparrow e o Pérola Negra, único navio que pode fazer páreo ao Holandês Voador do tentacular Jones. E embora Depp continue perfeito no papel, a repetição da piada começa a cansar um pouco (e não estou brincando quando digo que há uma exagerada repetição da piada). Paralelo a tudo isso, William Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swann (Keira Knightley) tentam enganar seus corações, mostrando um ao outro que só estão preocupados consigo mesmos. E não cola! O destino dos dois é mais óbvio que a bebedeira de Keith Richards, que aparece em uma rápida, mas importante cena do filme, para os fãs dos Rolling Stones e diversão geral do cinema.

E é justamente essa obrigação de amarrar todas as histórias e fechar o ciclo que acaba sendo uma carga grande demais para os velhos navios bucaneiros. Com uma trama mais sombria, e que conseqüentemente tem menos situações engraçadas, o tempo parece não correr nunca. As longas explicações do inexplicável dão nó não apenas nas cabeças de marinheiros de primeira viagem, isso sem contar as inúmeras reviravoltas e traições tão sem sentido que ao final só o que resta ao espectador é deixar a história para lá e olhar para o horizonte, esperando pela batalha derradeira que se aproxima e o fim que nunca chega - são 2h48 de projeção até aquela cena escondida depois dos créditos.

O produtor Jerry Bruckheimer, de Pearl Harbor, e seu fiel comandante Gore Verbinski, que dirigiu toda a trilogia, desta vez se perdem na maré de efeitos especiais e só não naufragam porque a franquia já tinha fincado seus pés em terra firme (em muito graças ao - ele de novo - Jack Sparrow). Mas a verdade é que com certeza vai ter muita gente mareada na sala de cinema.