Paramount diz que compra da Warner pela Netflix é "ilegal" em carta ao Congresso
Conglomerado de David Ellison teve proposta de compra rejeitada pelo estúdio
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O diretor jurídico da Paramount, Makan Delrahim, protocolou junto a uma subcomissão antitruste do Comitê Judiciário da Câmara dos Estados Unidos, na última quarta-feira (8), uma carta posicionando-se, enquanto empresa, contra a compra da Warner Bros. Discovery pela Netflix.
Nas palavras do executivo, a fusão entre os dois grupos seria "presumivelmente ilegal", uma vez que "consolidaria ainda mais" o domínio da Netflix sobre o mercado "do streaming de vídeo sob demanda".
Segundo o portal Deadline, Delrahim criticou especialmente o argumento de que a legalidade da negociação dependeria de como o governo definiria o mercado relativo - isto é, se a concorrência da Netflix se restringe somente ao setor do streaming por assinatura ou abrange um cenário muito mais amplo, que incluiria também, por exemplo, o YouTube e as mídias sociais.
Na visão do representante de Paramount, tal definição de mercado é "tortuosa e absurda", algo que "nenhum regulador sério jamais aceitaria".
"[Essa interpretação] considera, por exemplo, que vídeos gratuitos gerados por usuários no YouTube e no TikTok devem ser considerados um substituto adequado para conteúdo premium produzido e disponível na Netflix ou na HBO Max. Isso é o que alguns chamam de 'antitruste psicodélico' — não tem fundamento na realidade de mercado ou jurídica", alega Delrahim no documento.
Tudo sobre a aquisição da Warner pela Netflix
A Netflix anunciou um acordo para adquirir a Warner Bros. Discovery (WBD) num dos maiores negócios da história do entretenimento global. A operação combina dinheiro e ações — avaliando a WBD em US$ 27,75 por ação — e totaliza quase US$ 83 bilhões em valor empresarial, com US$ 72 bilhões em valor de mercado para os acionistas.
O que muda para a Netflix?
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A Netflix alavanca seu crescimento ao incorporar um vasto catálogo histórico de filmes e séries, incluindo ativos premium como HBO/HBO Max, além de estúdios e franquias icônicas.
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A ação representa uma mudança significativa no modelo tradicional da Netflix, que até então crescia principalmente por produção orgânica e licenciamento, e agora passa a integrar grandes ativos tradicionais de Hollywood.
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A operação ainda dependerá de aprovações regulatórias, podendo enfrentar escrutínio antitruste.
Expansão estratégica e pressões regulatórias
A aquisição marca uma mudança na estratégia da Netflix, que historicamente cresceu com produções próprias e licenciamento. Sob seu guarda-chuva, o estúdio Warner passaria a operar com fluxo próprio, mantendo lançamentos de cinema com janelas tradicionais e uma estrutura híbrida entre streaming e exibições teatrais — uma expansão do modelo atual da plataforma.
O negócio, porém, enfrenta resistência. Cineastas e produtores pediram ao Congresso dos EUA um escrutínio antitruste rigoroso, alegando risco de concentração de mercado. Legisladores também solicitaram avaliações detalhadas sobre impacto em concorrência, distribuição e relações trabalhistas no audiovisual.
Disputa acirrada e críticas entre concorrentes
Durante o processo, a Paramount Skydance questionou a lisura da venda e acusou a WBD de favorecer a Netflix. A empresa defendeu a criação de um comitê independente para avaliar as propostas, enquanto grupos políticos republicanos também demonstraram preocupação pública com a expansão da Netflix sobre operações de TV e cinema.
O que acontece agora e resposta do governo
As negociações seguem exclusivas por prazo limitado e podem resultar num anúncio oficial caso Netflix e WBD alinhem os termos finais. Depois disso, o acordo ainda precisará passar pelo crivo dos reguladores — etapa que pode se prolongar ao longo de 2026.
A proposta da Netflix chamou atenção dos órgãos regulamentadores nos Estados Unidos, com a representante republicada Darrell Issa fazendo uma carta em novembro para a Procuradora-Geral dos EUA, Pam Bondi, e ao presidente da FTC, Andrew Ferguson, e à Procuradora-Geral Adjunta da Divisão Antitruste do Departamento de Justiça, Gail Slater.
A Netflix é a principal líder no mercado de streaming, e a aquisição da HBO Max, representaria uma grande disrupção no cenário dos serviços de streaming. Devido a esses problemas, a Paramount teria enviado uma carta ao time legal da Warner avisando que a negociação com a Netflix pode não se concretizar devido aos órgãos regulamentadores, e também acusando a empresa de favorecer o streaming nas negociações.