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Pânico 4 | Entrevista Wes Craven

Diretor dos filmes da franquia fala da nova década e das novas regras

Christina Radish
19.04.2011
21h59
Atualizada em
27.11.2016
07h04
Atualizada em 27.11.2016 às 07h04

Onze anos depois de Pânico 3, o diretor Wes Craven volta a dirigir um filme da série, em Pânico 4. Nossos parceiros do Collider falaram com o diretor, que comentou as novas regras da nova década.

Como você e o roteirista Kevin Williamson trabalharam juntos para identificar e criar as novas regras deste filme, especialmente agora, com o uso da Internet?

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A ponta de Craven no primeiro filme, vestido de Freddy Krueger

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Bem, nós passamos muito tempo online. Eu acho que a maior parte das nossas vidas hoje está em torno disso. Não sei... Nós somos caras antenados. Até mesmo velhos gaga como eu, e Kevin em menor grau, usamos todas essas coisas agora, querendo ou não. Uma vez que você começa a usá-las, você também tem que pensar no mau uso delas.

Você pensou em como isso afeta o modo que assistimos aos filmes hoje em dia?

Muito. Se você está em um cinema hoje em dia, as pessoas estão mexendo em seus celulares ao seu redor. Você vê as pequenas telas brilhantes em todo lugar, e esse é só um exemplo. Pense em quão irritante isso pode ser.

O que fez você decidir tuitar durante as filmagens?

Os tweets serviram pra tudo, desde concursos para pôsteres do filme até para as pessoas identificarem as fotos dos insetos estranhos que tiramos no set. Quando filmávamos à noite, um monte de insetos estranhos caíam do céu. Nós apenas mantivemos os fãs cientes de que estávamos filmando e de que sabíamos dessa proximidade dos fãs. Tenho que dizer que foi bem intrigante ver quão rápido as pessoas respondiam. Nosso co-produtor, Carly Feingold, foi quem ficou responsável por tudo isso. As pessoas respondiam em 30 segundos, até 15 às vezes, da Alemanha e outras partes do mundo. Isso me fez perceber, até no processo de filmagem, como tudo mudou mesmo em relação à época dos emails. As coisas são muito, muito mais rápidas.

Então como você conseguiu manter os segredos deste filme?

Manter coisas em segredo é quase trabalho de espião. Quando estávamos fazendo a seleção de elenco, com centenas de jovens atores lendo páginas do roteiros, não podíamos dar o roteiro de Pânico 4, então nós os fizemos ler páginas do roteiro do primeiro Pânico, o que foi bizarro. Tivemos várias coisas como essa que foram irritantes, mas necessárias para manter o segredo.

Você acha que filmes de terror serão sempre limitados por regras?

Eu acho que a essência dos filmes de Pânico é que quebramos as regras. Estabelecemos quais são as regras para imediatamente quebrá-las. No primeiro tem a coisa do "se você disser 'eu volto já', você vai morrer" e a pessoa que fala é um dos assassinos. Ou "se você fizer sexo, vai morrer" e a personagem de Neve [Campbell] perde a virgindade e sobrevive. Nós gostamos de estabelecer quais são as regras, mas elas no fundo são clichês. Assim que eles são estabelecidos, nós quase sempre quebramos. Faz com que a audiência não saiba o que esperar.

Você é um mestre do terror e isso é algo que ninguém pode tirar de você.

Pode sim. Você já leu as críticas a A Sétima Alma?

Depois das críticas a esse seu filme anterior, você se preocupou com a reação das pessoas diante de Pânico 4? É algo que te deixa apreensivo?

Quando você faz um filme como A Sétima Alma e as pessoas acham que é ruim, isso machuca. Nós nos dedicamos muito e é um bom filme, mas você segue em frente. O bom de ter feito Pânico 4 foi poder voltar a trabalhar com velhos amigos, trabalhar em algo que eu acho muito bom e ter a chance de ser um pouco mais reconhecível para o público.

O roteiro passou por mudanças, com Ehren Kruger entrando depois que Kevin Williamson já tinha terminado de escrever. Você ficou satisfeito com o resultado do texto que vocês filmaram?

Sim, fiquei bem satisfeito com o filme. Todos ficamos satisfeitos com o roteiro final. Foi resultado do texto original de Kevin, depois Ehren trabalhou um tanto em cenas e pontos específicos. Eu também escrevi pedaços do filme. Mas, ainda assim, o conceito é de Kevin, assim como os personagens, as situações e o arco dramático.

Como é reunir tudo de novo, dez anos depois?

Eu nem sei como aconteceu. Como essas coisas acontecem? Bob Weinstein, um dos irmãos Weinstein, é o padrinho de Pânico. Ele é o cara que comprou de Kevin o roteiro do primeiro filme. Ele e Kevin estavam falando sobre isso, e ele [Bob] sentiu que era hora. Ele originalmente nos disse, após Pânico 3, que não haveria mais nenhum filme por um bom tempo, porque ele não queria sentir como se estivéssemos fazendo por dinheiro. E, claro, havia já a franquia Todo Mundo em Pânico, então precisávamos tomar um pouco de distância disso.

Mas, ao final da década, rolou um sentimento de que essa era a hora perfeita para olhar para os anos 2000, que foi uma década bem distinta, com 11 de setembro pairando sobre tudo, a presença da mídia eletrônica sendo trazida às pessoas. Ao mesmo tempo, o cinema estava mudando muito. Você não assiste mais aos filmes só no cinema. Eu tenho uma enteada que tem 20 anos e ela assiste a filmes no computador e no celular. Toda a industria muda dramaticamente e o modo como os fãs seguem e participam dos filmes, fazendo seus próprios filmes para emular aqueles outros, é profundamente diferente. Era hora de fazer um novo roteiro que pudesse refletir toda essa novidade.

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