Caco Ciocler: Vestir roupa do Overman pela primeira vez foi “assustador”
Ator contou ao Omelete a dificuldade de encontrar o tom correto para super-herói de Laerte
Créditos da imagem: Caco Ciocler como Overman (Reprodução)
Caco Ciocler contou ao Omelete que Overman: O Filme passou por uma grande reformulação quando o o traje do super-herói, criado nos quadrinhos por Laerte, finalmente ficou pronto.
O ator vive o herói em um momento delicado na trama do filme. Longe de seu auge, o beberrão e mulherengo Overman é recrutado pelo novo governador (Otávio Muller) para virar "herói oficial do Estado" - mas essa pode ser uma armadilha para a sua reputação.
Confira a seguir um trecho da conversa de Ciocler com o Omelete!
OMELETE: Caco, quando você colocou o uniforme do Overman pela primeira vez, como foi? Foi ali que você encontrou o personagem?
CIOCLER: O figurino chegou e foi assustador, em um primeiro momento. Porque a gente achava que o filme seria num tom cinematográfico, em termos assim de volume, de intensidade de voz. Quando eu vesti aquela roupa... aquela roupa que é um corpo, não é uma roupa, eu falei: "Gente, eu não posso falar assim normal, como se nada estivesse acontecendo, né? Ninguém tem esse corpo e fala assim". Então a gente falou: "Caramba, precisamos achar uma outra voz". E ninguém que tem esse corpo se mexe naturalmente. Para você pegar um copo de água, vai o corpo todo, sabe?
Então a gente foi entendendo que o Overman tinha uma ocupação espacial que não era a minha. E também não canso de dizer isso: assistindo ao filme — como ele, claro, não é filmado na ordem — eu consigo reconhecer claramente as cenas que eu ainda não tinha encontrado o personagem. As cenas em que eu ainda tava tateando, no meio do processo. Foi no encontro com os outros atores que eu fui entendendo quem era ele, de fato, então eu consigo ver em quais cenas eu ainda estou tateando, e em quais eu já estou maduro.
Mas tudo bem também, porque a espinha dorsal que sustenta o Overman é justamente a tentativa de ser alguma coisa que ele não consegue ser! É isso que o define. Ele acha que ele tem que ser de um jeito, mas não é. Então assim, o fato do ator estar achando que tem que fazer de um jeito, e não encontrando, é o próprio assunto do filme. Aí fez-se a mágica.
OMELETE: Olha só! Do ponto de vista do espectador, eu vou dizer que não notei isso. Eu achei que você encontrou o personagem muito bem ali...
CIOCLER: Você não notou porque entra a genialidade do Tomás [Portela, diretor], da Iafa [Britz, produtora], e de todo mundo que falou: "Gente, tem muita coisa aqui que deu errado, que a gente tem que transformar, mexer no roteiro". A gente não vai te contar o que foi, fica um trabalho para você descobrir [Risos]. A gente teve que transformar tudo aqui em história, porque a gente falou: "Cara, isso não se sustenta, a gente precisa criar uma história para que essa cena aconteça do jeito que ela aconteceu".
*Overman: O Filme chega em 22 de outubro aos cinemas brasileiros.
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