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Oscar 2018 | Conheça os indicados na categoria de Melhor Filme Estrangeiro

Cerimônia acontece no próximo dia 4 de março

Camila Sousa
22.02.2018
14h47
Atualizada em
27.02.2018
11h45
Atualizada em 27.02.2018 às 11h45

Oscar 2018 acontece no próximo dia 4 de março e preparamos um especial comentando os indicados em cada categoria. Abaixo saiba mais sobre os escolhidos em Melhor Filme Estrangeiro:

Divulgação

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Parte oficial das honrarias da Academia da Artes e Ciências Cinematográficas desde 1956 (entre 1947 e 1955 a estatueta era entregue ocasionalmente, mas sem competição entre filme indicados), a categoria premia longas-metragem feitos fora dos EUA e com diálogos que não sejam predominantemente em inglês. Ao contrário de outras categorias, o prêmio não é entregue a um indivíduo, sendo aceito na maior parte das vezes pelo diretor, mas considerado um prêmio para todo o país.

Corpo e Alma (Hungria)

Vencedor de quatro prêmios no Festival de Berlim em 2017, Corpo e Alma é escrito e dirigido por Ildikó Enyedi, que voltou ao cinema após um hiato de 18 anos. A história é sobre Endre e Mária, dois colegas de trabalho que descobrem que têm o mesmo sonho todas as noites: se encontram em uma floresta na forma de cervos e se apaixonam. Eles decidem levar esse sentimento para o mundo real, mas isso é mais difícil do que eles imaginavam. Em entrevista ao SRW, a diretora explica como teve a ideia da história: “A ideia do sonho compartilhado chegou à minha mente de uma forma irreparável. A certeza é que, sem tentar fazer um filme ‘junguiano’, sua abordagem sobre o inconsciente comum que nos conecta faz muito sentido para mim. Nos nossos sonhos alcançamos diretamente essa camada escondida da nossa psique. Esse é o lugar em que o pessoal e o universal se encontram”.

O Insulto (Líbano)

Comandado por Ziad Doueiri (O Atentado), o filme libanês mostra como uma disputa entre dois povos afeta o cotidiano das pessoas. Na história, Toni (Adel Karam) é um cristão libanês que sempre rega suas plantas na varanda. Um dia ele acidentalmente molha o refugiado palestino Yasser (Kamel El Basha) e esse pequeno insulto se torna uma disputa judicial com dimensão nacional. Em entrevista ao Gold Derby, o diretor Doueiri revelou que a ideia surgiu de um fato que aconteceu em sua vida: ele molhou um estranho por acidente, enquanto regava suas plantas. Houve uma pequena discussão, mas ele decidiu se desculpar. “Alguns dias depois comecei a pensar que aquilo poderia realmente sair do controle. Poderia se tornar algo muito, muito perigoso”.

Sem Amor (Rússia)

O representante da Rússia no Oscar 2018 é Sem Amor (Loveless), comandado por Andrey Zvyagintsev (Leviatã). Na história, um casal começa o processo de separação depois que encontram outros companheiros. Eles buscam o melhor momento para contar ao filho de 12 anos, mas o garoto foge depois de testemunhar mais uma briga. O filme ganhou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes em 2017. “Sem Amor é a história de um divórcio doloroso de uma família comum de classe média de Moscou. Essa característica comum é parte da razão para escolhê-los e não pessoas de classes sociais mais baixas, que mais frequentemente tratam seus filhos de forma horrível. De repente, no meio dessas pessoas que parecem prósperas e conhecem a vida, vemos que o filho se tornou um fardo para eles”, afirmou o diretor em entrevista ao Deadline.

The Square - A Arte da Discórdia (Suécia)

Com Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale) no elenco, The Square - A Arte da Discórdia chega ao Oscar 2018 depois de vencer a Palma de Ouro em Cannes, em 2017. No longa, Christian (Claes Bang) é o curador de um museu que está passando por diversos problemas na vida profissional e pessoal. Para atrair um público maior, ele cria uma instalação chamada The Square, feita para estimular o altruísmo e a responsabilidade dos seres humanos. Mas o próprio Christian mostra o quanto isso é difícil quando reage de forma inesperada ao roubo do seu celular. Em entrevista ao Collider, o diretor Ruben Ostlund revela que fez o filme baseado em uma instalação real criada por ele junto com um amigo. O objetivo - tanto do filme, quanto da instalação real - é criticar um movimento na Suécia de criar comunidades fechadas. “Se você olha para essas comunidades, é uma forma agressiva de dizer ‘aqui estão as fronteiras da nossa responsabilidade. Não nos responsabilizamos pelo que está além do portão’. Isso é uma mudança de atitude da sociedade, estamos cada vez mais individualistas”.

Uma Mulher Fantástica (Chile)

Estrelado pela atriz transexual Daniela Vega, Uma Mulher Fantástica é o representante da América Latina no Oscar 2018. Premiado três vezes no Festival de Berlim em 2017, o longa conta a história de Marina (Vega), uma cantora que se envolve com um homem gentil, que parece ser o amor de sua vida. Porém, após a morte repentina dele, Marina precisa enfrentar questionamentos sobre tudo: desde seu relacionamento, até a causa da morte, e ainda é impedida de se despedir de seu amor. Esse é praticamente o filme de estreia de Vega, que atuou apenas em La Visita, em 2014. Falando ao The Guardian, a atriz ressalta a importância política da produção, que vai além da parte emocional: “O filme quer que você questione onde você está na sociedade. Você está com a família de Orlando ou com Marina? Ao invés de responder perguntas, o longa tenta fazer perguntas sobre tudo. Quais corpos podemos ou não habitar? Quais histórias de amor são válidas e quais não são? Por que alguns grupos oprimem outros por achar que eles não estão de acordo com os limites ‘normais’?”.

Oscar 2018 será apresentado novamente por Jimmy Kimmel, com cobertura completa do Omelete no site e nas redes sociais.