Oscar 2018 | Conheça os indicados a Melhor Roteiro Original e Adaptado

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Oscar 2018 | Conheça os indicados a Melhor Roteiro Original e Adaptado

Cerimônia será realizada neste domingo

Natália Bridi
02.03.2018
13h22
Atualizada em
03.08.2018
16h56
Atualizada em 03.08.2018 às 16h56

A 90ª edição do Oscar será realizada no próximo dia 4 de março, e o preparamos um especial explicando as categorias do prêmio. Agora vamos entender melhor os prêmios de Melhor Roteiro Original e Melhor Roteiro Adaptado.

Especial: Conheça os Indicados 

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Apesar da categoria de Melhor Roteiro Adaptado existir desde a primeira edição, em 1929, os roteiros originais eram reconhecidos na categoria Melhor História, ganhando uma categoria própria apenas em 1940. As duas categorias - roteiro e história - coexistiram até 1957, quando foram combinadas definitivamente em Melhor Roteiro Original. Woody Allen é o campeão de indicações na categoria (16 no total) e o maior vencedor, com três estatuetas (Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, Hannah e Suas Irmãs e Meia-Noite em Paris).

Emily V. Gordon e Kumail Nanjiani - Doentes de Amor

É a primeira indicação da dupla, que conta no filme a sua própria e complicada história de amor: um casal interracial que precisa lidar com diferenças culturais e uma grave doença ao mesmo tempo. Nanjiani inicialmente ofereceu a história para Judd Apatow e escreveu a primeira versão, que mudou drasticamente depois da revisão de Gordon, e os dois finalizaram o roteiro juntos, levando em conta também as opiniões de Apatow, do produtor Barry Mendel e do diretor Michael Showalter. “Demorei alguns dias para saber se queria ou não estar envolvida pois era algo tão pessoal e vulnerável. Muitos dos meus amigos próximos nem sabiam que fiquei doente porque não era algo que falava muito sobre..Mas parte de mim sempre soube que isso era algo que abordaríamos pois somos pessoas criativas e isso foi algo tão grande para nós e mudou tanto as nossas vidas… Percebemos  que, se era para essa história ser contada, precisava ser contada por nós dois”, conta Gordon sobre o processo de levar a sua vida, ainda que parcialmente, para as telas. Leia o roteiro de Doentes de Amor.

Jordan Peele - Corra!

Além da indicação de Melhor Roteiro Original, o longa de estreia de Jordan Peele marca presença no Oscar 2018 nas categorias de Melhor Direção, Melhor Filme e Melhor Ator (Daniel Kaluuya). Mais conhecido por seu trabalho na comédia (da dupla com Keegan-Michael Key no Comedy Central), Peele criou um filme que mistura elementos de horror e ficção científica para contar a história de Chris, um homem negro que descobre um segredo perturbador quando viaja para conhecer os pais da sua namorada branca. “Sou fã de horror há muito tempo e fiz tanta comédia nos últimos 15 anos, mas você pode reconhecer similaridades entre os dois gêneros. Muito do ritmo, das revelações. Muito da habilidade de identificar o que o público está passando em cada momento (...). Como na comédia, sinto que o gênero de horror/suspense é uma das poucas formas de abordar horrores da vida real e injustiças sociais de uma maneira que entretenha. Vamos ao cinema para nos entreter, mas se o que fica depois de ver o filme é a perspectiva de abrir os olhos em algumas questões sociais, então pode se tornar uma obra de arte poderosa”, explicou o diretor sobre como casou os dois estilos. Leia o roteiro de Corra!.

Greta Gerwig - Lady Bird - A Hora de Voar

É a primeira indicação de Greta Gerwig, que no Oscar 2018 também está concorre a Melhor Direção. Corroteirista e estrela de Frances Ha e Mistress America, Gerwig assumiu a contragosto o posto de musa indie enquanto já trabalhava no roteiro de Lady Bird, que chegou a ter mais de 350 páginas e originalmente se chamava Mothers and Daughters (Mães e Filhas). “Sempre quis fazer um filme sobre ter um lar, o que significa isso. Como é difícil ver quando você está lá e é só quando você se afasta e olha para trás e entende o que é”, diz roteirista e diretora sobre o que a levou ao filme parcialmente biográfico. Leia o roteiro de Lady Bird - A Hora de Voar.

Vanessa Taylor e Guillermo del Toro - A Forma da Água

É a primeira indicação de Vanessa Taylor e a segunda de Guillermo del Toro como roteirista (que também está indicado a Melhor Direção e Melhor Filme no Oscar 2018). Del Toro começou a trabalhar no roteiro depois de comprar a ideia de Daniel Kraus, co-autor de Trollhunters, e dois anos depois entrou em contato com Taylor por gostar do trabalho dela em Game of Thrones (ela foi indicada a dois Emmys como produtora da série e assina como roteirista os episódios “Garden of Bones”, “ The Old Gods and the New” e “Dark Wings, Dark Words”). “Algo estava faltando e depois de dois anos eu não ia encontrar sozinho. (...) Vanessa deu a munição mágica para crescer a subtrama russa e a pressão em torno de Strickland”, explica Del Toro sobre a parceria. O cineasta também precisou defender o filme de acusações de plágio (leia mais), alegando que nem ele, nem seus colaboradores tiveram qualquer contato com a peça envolvida no processo, Let Me Hear You, de Paul Zindel. “Estou nessa indústria há 25 anos e tenho uma reputação impecável. Tornei um elemento da minha carreira falar sobre as minhas influências em cada filme que fiz, nos comentários do DVD, no Twitter, nas minhas exposições. Tenho sido aberto sobre as coisas que amo e não tenho problema em discuti-las e falar como transformaram meus filmes. (...) Escrevi ou co-escrevi cerca de 24 roteiros. Sou um roteirista/diretor que fez séries de TV, livros, filmes e uma quantidade enorme de roteiros ao longo dos anos. Sem nenhuma reclamação”, escreveu em um comunicado. Leia o roteiro de A Forma da Água.

Martin McDonagh - Três Anúncios Para um Crime

É a segunda indicação de Martin McDonagh como roteirista, tendo concorrido a estatueta em 2009 por Na Mira do Chefe (perdeu para Dustin Lance Black por Milk: A Voz da Igualdade). McDonagh, que já tem um Oscar pelo curta-metragem O Revólver de Seis Tiros, também concorre ao Oscar de Melhor Filme no Oscar 2018. O cineasta britânico conta que teve a ideia para ao filme - uma mãe que aluga três billboards próximos da sua casa para cobrar o xerife sobre a morte da filha -  ao ver o mesmo tipo de anúncio em uma estrada no Sul dos EUA: “A raiva que colocou aqueles anúncios era palpável e ficou comigo”, explica. McDonagh também precisou responder algumas controvérsias relacionadas ao longa, principalmente ligadas ao personagem de Sam Rockwell, acusado de abuso policial contra um homem negro, mas que é retratado de forma positiva. O diretor/roteirista contesta a crítica, dizendo que Dixon não tem um arco de redenção e que o filme é deliberadamente confuso e difícil. Leia o roteiro de Três Anúncios Para um Crime.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

O prêmio é oferecido desde a primeira edição, em 1929, e honra os roteiros que adaptam para o cinema ideias vindas de fontes distintas (livros, peças, contos, séries de TV, artigos de revista e até mesmo outro filme). A categoria não tem um recordista absoluto, com diversos profissionais tendo recebido duas estatuetas: Joseph L. Mankiewicz (Quem é o Infiel?, A Malvada), George Seaton (Amar é Sofrer, De Ilusão Também Se Vive), Robert Bolt (Doutor Jivago, O Homem Que Não Vendeu Sua Alma), Francis Ford Coppola (O Poderoso Chefão, O Poderoso Chefão II), Mario Puzo (O Poderoso Chefão, O Poderoso Chefão II), Alvin Sargent (Júlia, Gente Como a Gente), Ruth Prawer Jhabvala (Uma Janela para o Amor, Retorno a Howards End), Alexander Payne (Sideways, Os Descendentes) e Michael Wilson (Um Lugar ao Sol, A Ponte do Rio Kwai).

Scott Neustadter e Michael H. Weber - Artista do Desastre

É a primeira indicação dos dois roteiristas, dupla que é mais conhecida por seu trabalho em (500) Dias com Ela. “Queríamos que esse fosse um filme sobre sonhadores e amizade e não apenas uma paródia sobre fazer um filme”, explica Neustadter sobre a adaptação de The Disaster Artist: My Life Inside The Room, de Greg Sestero e Tom Bissell, livro que mostra os bastidores da obra-prima de Tommy Wiseau, considerada o “Cidadão Kane dos filmes ruins”. O filme está sendo processado por seu roteirista original, Ryan Moody, que alega ter sido enganado para vender os direitos do seu script (saiba mais). Leia o roteiro de Artista do Desastre.

James Ivory - Me Chame Pelo Seu Nome

É a primeira indicação de James Ivory como roteirista, mas o cineasta tem outras três indicações como diretor (Retorno a Howards End, Uma Janela para o Amor, Vestígios do Dia). Esse é o primeiro filme que Ivory apenas escreveu, sem dirigir, apesar de quase ter codirigido com Luca Guadagnino (deixando o posto para evitar conflitos com os financiadores). Está envolvido no projeto desde 2007, quando os produtores Peter Spears e Howard Rosenman compraram os direitos de adaptação do livro de André Aciman e o convidaram para ser produtor-executivo do longa. Ivory também concordou em escrever o roteiro, mesmo antes do financiamento ser definido, passando cerca de nove meses na tarefa. Leia o roteiro de Me Chame Pelo Seu Nome.

Scott Frank, James Mangold e Michael Green - Logan

É a segunda indicação de Scott Frank (concorreu por Irresistível Paixão, perdeu para Bill Condon por Deuses e Monstros) e a primeira de James Mangold e Michael Green.  Em seu segundo filme com Wolverine (depois de Imortal) e no último longa de Hugh Jackman no personagem, Mangold queria  fugir dos clichês de filmes de heróis: “Assim como eu e Scott Frank e Michael Green deixamos claro a partir da segunda página do roteiro, tínhamos uma espécie de manifesto no script declarando que não seria uma dessas merdas cheias de computação gráfica, com gente caindo dos prédios e tudo mais. É uma guerra declarada contra esse tipo de filme”. Leia o roteiro de Logan.

Aaron Sorkin - A Grande Jogada

É a terceira indicação de Aaron Sorkin, que levou o prêmio por seu trabalho em A Rede Social e concorreu pelo roteiro de O Homem Que Mudou o Jogo (perdeu para Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash por Os Descendentes). O filme, que adapta o livro de Molly Bloom sobre a sua rede de poker de celebridades, também marca a estreia de Sorkin como diretor. “A integridade de Molly e seu desejo de fazer a coisa certa, quando fazer a coisa errada seria muito mais vantajoso e garantiria a sua liberdade, são qualidades que você geralmente encontra apenas na ficção. Estava empolgado em mostrar Molly como uma heroína honesta em um lugar improvável: um jogo de poker clandestino. Isso foi irresistível para mim”, explica o roteirista. Leia o roteiro de A Grande Jogada.

Dee Rees e Virgil Williams - Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi

É a primeira indicação da dupla e Dee Rees é a primeira mulher negra a ser reconhecida pela categoria. Virgil Williams escreveu a primeira versão da adaptação do romance de Hillary Jordan, que foi revisada e modificada por Dee Rees, que também assina a direção do filme sobre dois soldados que voltam da Segunda Guerra Mundial, um branco e outro negro, que passam a ver o racismo institucionalizado no Mississippi como um atraso civilizatório, depois de ter lutado do mesmo lado na Europa. “Meu avô materno lutou na Segunda Guerra e meu avô paterno lutou na guerra da Coreia, duas eras diferentes, dois tipos de batalhas. Mas fiquei impressionada pelo fato deles serem considerados mais americanos fora do país do que quando estavam nos Estados Unidos. Queria entrar no tema da batalha no estrangeiro e a batalha em casa, que era ainda mais sangrenta”, explica Rees. Leia o roteiro de Mudbound

Oscar 2018 será apresentado novamente por Jimmy Kimmel, com cobertura completa do Omelete no site e nas redes sociais.