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Oscar 2018 | Conheça as indicadas a Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante

Cerimônia será realizada no domingo

Natália Bridi
27.02.2018
14h25
Atualizada em
28.02.2018
22h03
Atualizada em 28.02.2018 às 22h03

A 90ª edição do Oscar será realizada no próximo dia 4 de março, e o preparamos um especial explicando as categorias do prêmio. Agora vamos entender melhor os prêmios de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante.

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MELHOR ATRIZ

O prêmio de Melhor Atriz é entregue pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas desde 1929, quando a primeira edição foi realizada. Naquele ano, Janet Gaynor recebeu a estatueta por suas atuações em Sétimo Céu, O Anjo das Ruas e Aurora. A premiação por mais de um filme seguia a regra que durou pelos três primeiros anos do Oscar: atores e atrizes eram indicados por todas as suas performances no período elegível e por isso era comum um artista ser reconhecido por mais de um filme. Desde 1931 atores e atrizes são indicados por atuações específica e em 1937 o número de indicações foi limitado a 5.  Katharine Hepburn é a maior vencedora da categoria, com 4 estatuetas e Meryl Streep é a campeã de indicações (das suas 21 indicações ao Oscar, 17 foram como Melhor Atriz, categoria que também lhe deu duas das suas três estatuetas).

Sally Hawkins - A Forma da Água

É segunda indicação da atriz inglesa ao Oscar, que havia sido indicada anteriormente na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante por Blue Jasmine (perdendo para Lupita Nyong'o por 12 Anos de Escravidão). Hawkins foi escalada por Guillermo del Toro mesmo antes do diretor ter um roteiro pronto, tendo impressionado o cineasta por sua atuação em Submarine: “Escalo atores não pela forma como entregam suas falas, mas pela forma como escutam as falas sendo ditas por outros ou pela forma como olham para os outros atores”. A preparação para o papel envolveu aulas de linguagens de sinais, dança e canto (para uma cena específica). Além de interpretar a faxineira muda que se apaixona por uma criatura aquática, a atriz contribuiu diretamente em dois aspectos do roteiro, já que, coincidentemente, na época em que recebeu a ligação sobre o papel trabalhava em uma história sobre uma mulher que não sabe que é uma sereia: o uso do sal na banheira para tornar a água habitável e as cicatrizes que se transformam em guelras.

Frances McDormandTrês Anúncios Para um Crime

É a quinta indicação da atriz ao Oscar, que levou a estatueta na categoria principal por Fargo e foi indicada como Melhor Atriz Coadjuvante por Terra Fria (perdendo para Rachel Weisz em O Jardineiro Fiel), Quase Famosos (perdendo para Marcia Gay Harden em Pollock) e Mississipi Em Chamas (perdendo para Geena Davis em O Turista Acidental). Martin McDonagh, diretor e roteirista do filme, escreveu o papel da mãe que aluga três billboards próximos da sua casa para forçar o xerife local a encontrar o responsável pela morte da filha tendo McDormand em mente. A atriz de 60 anos, porém, sentia que era velha demais para a personagem e pediu para ser a avó, não a mãe da vítima. O cineasta, porém, não aceitou a sugestão por sentir que mudaria muito a dinâmica da história. Foi Joel Coen, marido da atriz, que a persuadiu a aceitar o papel mesmo assim. Para interpretar Mildred, McDormand conta que se inspirou em John Wayne, o que levou Sam Rockwell a buscar inspiração em Lee Marvin, o “oposto” de Wayne em O Homem que Matou o Facínora.

Margot Robbie - Eu, Tonya

É a primeira indicação australiana de 27 anos, que chamou a atenção de Hollywood por seu papel em O Lobo de Wall Street e atualmente é conhecida como a Arlequina de Esquadrão Suicida. A atriz procurava por filmes protagonizados por mulheres para produzir pela sua LuckyChap Entertainment quando encontrou o roteiro de Steven Rogers sobre a patinadora Tonya Harding, cuja carreira terminou depois do seu envolvimento no ataque da sua rival Nancy Kerrigan. Inicialmente, Robbie desconhecia que a história da patinadora ou que os aspectos mais bizarros do script eram baseados em fatos. Assim que descobriu que a verdade era “mais estranha que a ficção”, fez questão de produzir o longa para garantir que o tom diferente do roteiro fosse mantido. Sem dinheiro para prostéticos caros para transformar Robbie em Harding, a produção dependeu inteiramente da dedicação da atriz. “Por seis meses, assisti tudo sobre ela, cada apresentação, cada entrevista, cada documentário, colocava para tocar no meu iPod todas as noites...tinha o rosto dela pintado dentro das minhas pálpebras e a voz dela estava constantemente na minha cabeça”, explica.

Saoirse Ronan - Lady Bird - A Hora de Voar

É a terceira indicação da atriz de 23 anos, que esteve presente na categoria principal em 2016 com Brooklyn (perdendo para Brie Larson em O Quarto de Jack) e, aos 13 anos, como Melhor Atriz Coadjuvante por Desejo e Reparação (perdendo para Tilda Swinton em Conduta de Risco). Para viver a adolescente que sonha em deixar Sacramento no filme de Greta Gerwig, a atriz pesquisou os diários, anuários escolares e fotos da diretora e roteirista, além de ter dispensado a maquiagem: “É importante porque é isso que acontece com a pele das pessoas, especialmente quando são adolescentes - eles estão estressados e seus hormônios subindo pelas paredes. Já existiram retratos de adolescentes com pele perfeita no passado, com talvez um defeito para uma 'cena de espinha'. Eu estava trabalhando muito, dando entrevistas e atuando em uma peça, e minha pele ficou muito ruim. Acho que acontece com garotas na casa dos 20 anos e seria uma oportunidade perdida se não víssemos isso como uma forma de tornar Lady Bird o mais autêntica e relacionável possível”, explica.

Meryl Streep - The Post - A Guerra Secreta

É a 21ª indicação a atriz veterana, que já recebeu três estatuetas: como coadjuvante em Kramer vs. Kramer e na categoria principal por A Escolha de Sofia e A Dama de Ferro. No filme de Steven Spielberg, Streep vive Kay Graham, dona do jornal Washington Post forçada a deixar a sua postura diplomática de lado frente à censura do governo de Richard Nixon. “O interessante sobre o roteiro é que cabia a uma mulher manter a liberdade de imprensa em uma época em que as mulheres eram excluídas de qualquer tipo de liderança na imprensa. Não existiam mulheres repórteres, ou era algo muito incomum”, explica sobre o que a atraiu para o papel. O filme, segundo Streep, é dedicado a Nora Ephron, diretora e roteirista que ao buscar uma vaga como repórter na década como 70 recebeu como resposta uma proposta para se tornar pesquisadora, assistente ou secretária.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

O Oscar de Melhor Ator e Atriz Coadjuvante surgiu em 1937, na nona cerimônia do evento, e agraciava os vencedores apenas com uma placa. Gale Sondergaard foi a primeira contemplada entre as mulheres, sendo reconhecida por seu trabalho em Adversidade. A categoria passou a receber uma estatueta em 1944, na 16ª cerimônia, quando premiou Katina Paxinou por Por Quem os Sinos Dobram. Dianne Wiest (Hannah e Suas Irmãs, Tiros na Broadway) e Shelley Winters (Quando Só o Coração Vê, O Diário de Anne Frank) são as recordistas da categoria entre a mulheres, com duas estatuetas cada, enquanto Thelma Ritter é a campeã de indicações, seis no total, mas nunca foi premiada.

Mary J. Blige - Mudbound: Lágrimas sobre o Mississipi

É a primeira indicação da atriz, que no Oscar 2018 também marca presença na categoria de Melhor Canção pelo mesmo filme. Para viver as Florence, a esposa de um ex-soldado transformado em trabalhador rural, a atriz, que passava por um divórcio na época das filmagens, canalizou as emoções da sua vida pessoal: “Essa personagem foi uma forma de dar tudo por que estava passando. Estava lidando com minha própria dor. Estava realmente sofrendo. Foi um lugar para descansar toda essa dor e toda essa confusão, e ao mesmo tempo tentar ser uma mulher forte”.

Allison JanneyEu, Tonya

É a primeira indicação ao Oscar da atriz, que já foi reconhecida sete vezes pelo Emmy (em um total de 13 indicações). Segundo Janney, viver LaVona Golden, a abusiva mãe da patinadora Tonya Harding, foi libertador, passando por até três horas de maquiagem para as cenas em idade mais avançada. “Não ligava para o que pensavam, tenho o direito de contar a minha história e você vai sentar aí e ouvir”, explica. O maior desafio, conta, foi evitar que a personagem parecesse um monstro: “Era uma mulher que provavelmente se decepcionou em todas as fases da sua vida. Provavelmente uma mulher que sofreu abuso; Não pude falar com a verdadeira mulher, mas a abordei como qualquer outro papel. Você precisa fazer sentido e que as escolhas façam sentido para você”.

Laurie MetcalfLady Bird - A Hora de Voar

É a primeira indicação ao Oscar da atriz, que já levou três Emmys (em 10 indicações) e atualmente é mais conhecida por roubar a cena em The Big Bang Theory como a mãe de Sheldon Cooper. O papel no filme de Greta Gerwig é o seu primeiro no cinema em dez anos e possivelmente o maior da sua carreira. “Não estava negando papéis no cinema, vamos colocar assim. Nunca estive no radar. Comecei no teatro e fiz uma curva acentuada à direita com [a série de TV] Roseanne, e aquilo durou uma década. Voltei para o teatro e quando ouvi sobre esse pequeno filme independente chamado Lady Bird, pensei: esse será o projeto em que posso colocar meus pés novamente na água”, explica a atriz.

Octavia SpencerA Forma da Água

É a terceira indicação da atriz, que levou o Oscar como coadjuvante por seu papel em Histórias Cruzadas e foi indicada por Estrelas Além do Tempo (perdendo para Viola Davis por Um Limite Entre Nós). A atriz conta que seu primeiro encontro com Guillermo del Toro era um café da manhã de 30 minutos que se transformou em uma conversa de três horas: “Falamos sobre tudo e nos últimos cinco minutos, quando ele estava pagando a conta, foi quando me falou sobre o filme, que ele tinha escrito esse papel para mim e que não me contaria nada a respeito. Ele queria que eu lesse o roteiro e desse minha opinião, e acho que o roteiro mudou um pouco do que li originalmente. Mudou, não diria muito, mas Zelda era basicamente a mesma, adicionamos algumas coisas durante os ensaios, mas estava lá quando li a primeira vez”.

Lesley Manville - Trama Fantasma

É a primeira indicação da atriz britânica, que é mais conhecida do público por seus trabalhos na TV no Reino Unido. Segundo Manville, Cyril, a irmã do costureiro controlador vivido por Daniel Day-Lewis, foi criada em um processo colaborativo: “Paul [Thomas Anderson] escreveu, mas a forma como interpretaria Cyril não estava definida, a forma como criaríamos essa dupla, Daniel e eu. Foi um trabalho muito realizador em todos os sentidos. Estava usando meus genes criativos. Estávamos realmente trabalhando como um time para trazer esse filme à vida, o que foi maravilhoso”.

Oscar 2018 acontece em 4 de março, com apresentação de Jimmy Kimmel. Confira a cobertura completa do Omelete no site e nas redes sociais.