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Oscar 2003 - A festa e os ganhadores

Oscar 2003 - A festa e os ganhadores

Érico Borgo
24.03.2003
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h13
Atualizada em 21.09.2014 às 13h13

Apesar das promessas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de que a 75ª Edição do Oscar seria mais sóbria, se um telespectador desavisado começasse a assistir à festa sem saber dos terríveis eventos em andamento no Oriente Médio, nem desconfiaria disso. Pelo menos até a metade da festa...

Steve Martin foi o mestre de cerimônias, pelo segundo ano, e se saiu bem. A abertura foi bastante engraçada, com piadas envolvendo a platéia. Interessante citar que, por medida de segurança, os produtores não informaram quais seriam os apresentadores dos prêmios e atrações.

Chicago, como já era previsto, foi o maior vencedor da noite. Levou, na ordem, Direção de Arte, Figurino, Atriz Coadjuvante (Catherine Zeta-Jones), Som, Montagem e a mais importante - Melhor Filme.

Nas maiores surpresas do evento, Roman Polanski (ausente pois não pode entrar nos Estados Unidos) ganhou o Oscar de Melhor Diretor por O pianista, enquanto Adrien Brody, ficou com o prêmio de Melhor Ator.

Brody, no maior e mais bonito discurso da noite, agradeceu aos pais, a Roman Polanski (cujo nome foi bastante aplaudido) e a Wladyslaw Szpilman (1911-2000), judeu polonês que viveu os horrores narrados no filme. O ator também fez com que os produtores concedessem mais tempo para a segunda parte de seu discurso de agradecimento, na qual pediu uma solução pacífica para os conflitos no Oriente Médio. Segundo Brody, o seu trabalho em O pianista abriu seus olhos para as tragédias da guerra.

Como Melhor Atriz, Nicole Kidman levou o prêmio por As horas e fez o discurso mais chato da festa. Como dito na resenha do filme aqui no (o), apesar de uma atuação realmente diferenciada, a atriz não fez nada a mais do que as outras protagonistas da fita dirigida por Stephen Daldry.

A primeira entrega foi para o prêmio de Melhor Animação. Criado ano passado e entregue a Shrek. Este ano a honraria ficou, muito mais que merecidamente, com Spirited Away, que bateu o favorito, A era do Gelo. Devo confessar que gostei. O filme é, sem duvida, um dos melhores do ano passado. :-)

O segundo prêmio - Efeitos Especiais - ficou com O Senhor dos Anéis - As duas torres, seguido pelo de Melhor Ator Coadjuvante, que teve uma pequena introdução, listando os vencedores da categoria dos anos passados. A estatueta foi entregue a Chris Cooper (Adaptação), que não resistiu (a Academia pediu que ninguém fizesse isso) e fez uma pequena manifestação contra a guerra. A primeira da festa.

Gael García Bernal (E sua mãe também) foi o segundo, arrancando aplausos da platéia. Todavia, foi a terceira manifestação que despertou a maior polêmica da noite. Michael Moore, ganhador do prêmio de Melhor Documentário por Jogando boliche por Columbine, foi aplaudido (e vaiado) de pé. Moore protestou contra a política internacional de George W. Bush e disse que é uma vergonha que Bush tenha vencido a eleição de maneira fictícia e iniciado a guerra ao Iraque. Depois dele, Nicole Kidman fez uma pequena menção ao conflito e o presidente da Academia, contrariando a própria recomendação (provavelmente para que a Academia não parecesse insensível), também pediu paz.

A primeira apresentação de canção indicada foi I Move On, de Chicago, interpretada por Queen Latifah e Catherine Zeta-Jones, aos 8 meses (!) de sua segunda gravidez. Na ordem, seguiram-se Paul Simon (Father And Daughter, de Os Thornberrys), Caetano Veloso & Lila Downs ("Burn It Blue", de Frida) e U2 (The Hands That Built America, de Gangues de Nova York). Faltou apenas Eminem, de 8 Mile. O cantor declarou recentemente não estar nem aí para o prêmio. Querendo ou não, o Oscar foi mesmo nas mãos do rapper, que não apareceu para buscá-lo.

Em um momento divertido, Jennifer Garner (a Elektra de Demolidor) dividiu o palco com Mickey Mouse na apresentação de Melhor curta de animação. O vencedor foi o bacana The Chubchubs, a primeira tentativa da Sony/Columbia em fazer uma animação com computação gráfica.

Julie Andrews apresentou o tradicional número musical da noite. Apropriadamente, a montagem homenageou os musicais dos 75 anos da festa. Na mesma linha, também houve uma homenagem à própria premiação, com depoimentos de antigos ganhadores, outra com antigos presidentes e a final, reunindo 59 ganhadores do prêmio no passado, identificados um a um.

Para coroar a injustiça no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, depois da não-indicação de Cidade de Deus, a estatueta ficou com o alemão Nirgendwo in Afrika, filme sobre o cotidiano de judeus na África. A escolha é coerente aos prêmios entregues em anos anteriores a A vida é bela, A lista de Schindler e tantos outros que falam sobre o povo judeu, afinal, boa parte dos membros da Academia é de origem judaica.

Enfim, as transmissões da TNT e SBT foram boas, com destaque à do Sistema "Bozo" de Televisão. A tradução simultânea do canal estava boa, aliada aos comentários enciclopédicos (e às vezes um tanto fúteis) de Rubens Ewald Filho.

Confira abaixo os ganhadores:
(em negrito)

Melhor ator

Melhor ator coadjuvante

Melhor atriz

Melhor atriz coadjuvante

Melhor longa-metragem de animação

Direção de arte

Fotografia

Figurino

Direção

Melhor documentário

Melhor Documentário Curta-Metragem

  • Twin Towers
    The collector of Bedford Street
    Mighty Times: The legacy of Rosa Parks
    Why Cant´s Be a Family Again?

Melhor montagem

Melhor filme estrangeiro

Maquiagem

Trilha sonora

Melhor canção

Melhor filme

Curta-metragem animado

  • The Chubbchubbs!
    The Cathedral
    Das rad
    Mike´s New Car
    MT.Head

Curta-metragem

  • This charming man
    Fait D´Hiver
    Ill wait for the next one
    Inja (Dog)
    Johnny Flynton

Som

Edição de som

Efeitos especiais

Roteiro adaptado

Roteiro original

OSCAR 2011 | Filmes indicados e ganhadores