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Os Reis da Rua

Policiais corruptos e submundo de Los Angeles voltam às telas em filme estrelado por Keanu Reeves

Marcelo Forlani
17.04.2008, às 00H00
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 13H35
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 13H35

Se o uso de credenciais ajuda a levar público para o cinema, Os Reis da Rua (Street Kings, 2008) perdeu uma chance enorme em seu trailer. Em vez de ser tradicional e dizer que o filme tem "O ganhador do Oscar Forest Whitaker", "O Duas Vezes Ganhador do Globo de Ouro Hugh Laurie" e é "Baseado em uma história do mesmo criador de Los Angeles - Cidade Proibida", eles preferem frizar que o longa é "Dirigido pelo Roteirista de O Dia de Treinamento". É como dizer "sabe aquele cara que pintou meu carro? Então, é ele que vai lá em casa cozinhar na sexta para a galera".

Toda esta "criatividade e ousadia" mostrada no trailer, porém, não faz parte do filme. Apesar de realmente contar com todas as credenciais acima e ainda ter no elenco outros nomes conhecidos do público, como o comediante Cedric - The Entertainer, o Tocha-Humana Chris Evans e o sempre criticado Keanu Reeves no papel principal, o diretor prefere não arriscar, fazendo um longa cheio de ação e nenhuma inovação. E assim, a história criada por James Ellroy, vira mais um previsível jogo envolvendo policiais corruptos, outros ainda mais corruptos, traficantes e Tom Ludlow (Reeves), uma alma perdida no meio de tudo isso.

Os reis da rua

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Reeves, que foi eleito pela crítica mundial uma espécie de "Cigano Igor" de Hollywood, faz o de sempre ao viver um policial sem freio em uma Los Angeles a mil por hora. Ele e seus colegas de equipe são um time de Juízes Dredd, prendendo, julgando, sentenciando e executando os marginais que cruzam seus caminhos. Sob o comando do Capitão Jack Wander (Whitaker), eles têm poderes supremos, capazes de manipular até mesmo a realidade.

Sabendo que todo mundo tem os seus segredos, Wander vai mexendo as marionetes que estão na sua mão e montando um esquema para se tornar o Rei de Los Angeles. No seu encalço está o também capitão James Biggs (Laurie, em participação pequena), que vê em Ludlow o elo mais fraco para desmontar esse esquema.

O ponto da virada é a morte de Terence Washington (Terry Crews). Ex-parceiro de Ludlow, ele é sumariamente assassinado em uma loja de conveniência. Inocentado de qualquer culpa mesmo sendo o único sobrevivente do ataque, Ludlow começa uma vingativa investigação ao lado do detetive Paul Diskant (Evans) para descobrir quem está por trás da morte e assim tentar limpar a sua consciência, espantando de vez também o fantasma da sua falecida esposa.

Quem está acostumado a ver a Los Angeles cheia de dinheiro e glamour de Hollywood e Beverly Hills pode esquecer. A cidade segundo a ótica de David Ayer, roteirista de S.W.A.T., Dia de Treinamento e o primeiro Velozes e Furiosos é aquela dos guetos, das casas de madeira, das gírias quase ininteligíveis, dos negros e latinos. Uma área onde até os anjos que dão nome à cidade devem evitar. Pena que Ayer não seja atirado e destemido como o detetive Tom Ludlow, fato que aumentaria a adrenalina e as chances de um final menos previsível. Com tantos bons atores reunidos, o filme merecia algo menos copiado de tudo o que já vimos por aí, incluindo os filmes recentes do roteirista agora "promovido" a diretor.

Assista a clipes do filme

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