Morre Orlando Senna, diretor do clássico Iracema: Uma Transa Amazônica, aos 86
Cineasta baiano também escreveu adaptação cinematográfica de Ópera do Malandro
Créditos da imagem: O cineasta Orlando Senna (Divulgação)
O diretor e roteirista Orlando Senna, mais conhecido por assinar o clássico Iracema - Uma Transa Amazônica (1975) ao lado de Jorge Bodanzky, morreu aos 86 anos. A notícia foi confirmada pela sobrinha do cineasta, Indra Rocha, nas redes sociais.
"Um homem que dedicou sua vida à arte, à cultura, à liberdade e à construção de um mundo mais humano e sensível", escreveu ela. "Um homem que, com sua imensa generosidade, abriu portas para mim e para tantas outras pessoas, sempre incentivando, acolhendo e criando conexões com nossos sonhos. Quem teve a oportunidade de conhecê-lo sabe da sua doçura, do seu humor, da sua inventividade e da forma positiva com que enxergava a vida e as pessoas".
Nascido em Afrânio Peixoto, na Bahia, Senna estreou como roteirista e diretor em Iracema - Uma Transa Amazônica, que se inspirava na obra de José de Alencar mas a repaginava para os anos 1970. Na trama, um caminhoneiro (Paulo César Peréio) se apaixona por uma prostituta (Edna de Cássia) enquanto viaja pela Transamazônica.
O sucesso do longa levou a uma frutífera carreira atrás das câmeras, tanto dirigindo - com Diamante Bruto (1978), A Idade da Água (2018) e Longe do Paraíso (2020) - quanto escrevendo para outros cineastas - com Coronel Delmiro Gouveia (1978), Ópera do Malandro (1985) e Iremos a Beirute (1998), entre outros.
Também foi administrador público na área cultural, tendo ocupado o cargo de secretário nacional do Audiovisual durante o primeiro governo Lula (2003-2006) e dirigido a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) durante o período da criação da TV Brasil.
Por fim, fundou e atuou como professor da Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de Los Baños, em Cuba. Entre seus alunos esteve Manuela Dias, escritora de novelas conhecida por Amor de Mãe e Vale Tudo.
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