Cillian Murphy em Oppenheimer (Reprodução)

Créditos da imagem: Cillian Murphy em Oppenheimer (Reprodução)

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O que é real e o que é ficção em Oppenheimer? As 5 maiores mentiras do filme

Christopher Nolan tomou algumas liberdades com a história do pai da bomba atômica

Omelete
4 min de leitura
25.07.2023, às 15H24

Todo mundo sabe que filmes “baseados em histórias reais” fazem muitos e muitos ajustes aos fatos históricos que retratam, seja para torná-los mais dramáticos ou fazê-los caber em duas (ou, nesse caso, três…) horas. Não é diferente com Oppenheimer, o novo épico de Christopher Nolan sobre o cientista que criou a bomba atômica, J. Robert Oppenheimer (Cillian Murphy).

Confira 5 imprecisões históricas do longa-metragem logo abaixo.

Los Alamos não era “virtualmente inabitada” antes do Projeto Manhattan

Oppenheimer em Los Alamos, em cena do filme (Reprodução)
Oppenheimer em Los Alamos, em cena do filme (Reprodução)

Talvez a omissão mais notável de Oppenheimer seja essa: quando a versão cinematográfica do cientista tenta convencer os chefes do exército americano a escolher Los Alamos (Novo México) para construir o seu laboratório secreto, ele menciona que as únicas conexões da região com a civilização são uma escola para meninos e o fato de que nativo-americanos vêm aqui para enterrar seus mortos”. Não é verdade. 

Já no final dos anos 1930 e começo dos anos 1940, Los Alamos era o lar de uma considerável comunidade de imigrantes hispânicos que sobreviviam da agricultura. Muitos deles foram deslocados para a construção da “mini-cidade” do Projeto Manhattan, e centenas de outros foram deixados no escuro sobre a natureza dos testes realizados no local - como resultado, essas famílias têm convivido com câncer e outras complicações causadas pela radiação há gerações, e seguem sem nenhum apoio ou reconhecimento oficial do governo estadunidense.

David Hill não foi a testemunha-chave contra Strauss

Robert Downey Jr. em cena de Oppenheimer (Reprodução)
Robert Downey Jr. em cena de Oppenheimer (Reprodução)

No espírito de condensar um procedimento burocrático muito mais longo, Christopher Nolan escolheu colocar no Dr. David Hill (Rami Malek) toda a responsabilidade de representar a comunidade científica na audiência de confirmação de Lewis Strauss (Robert Downey Jr.), eventualmente levando o governo a bloquear a sua nomeação como parte do gabinete presidencial. 

Na realidade, embora Hill tenha comparecido e expressado que a maioria dos cientistas preferiria que Strauss ficasse inteiramente fora da administração pública”, não foi o seu testemunho que mais impressionou os políticos de Washington. Outro cientista envolvido no Projeto Manhattan esteve por lá: David Inglis, que após a Segunda Guerra acabou se tornando chefe da Federação de Cientistas Americanos, testemunhou sobre a vingança pessoal” de Strauss contra Oppenheimer.

Além disso, a inimizade antológica entre Strauss e o senador Clinton Anderson, do Novo México, também foi chave para que ele não assumisse um cargo no governo.

Klaus Fuchs não foi o único espião soviético em Los Alamos

A equipe de Los Alamos - à esquerda, Christopher Denham como Klaus Fuchs (Reprodução)
A equipe de Los Alamos - à esquerda, Christopher Denham como Klaus Fuchs (Reprodução)

O cientista interpretado por Christopher Denham, que passou pelos laboratórios do Projeto Manhattan como representante do governo britânico, é culpado no filme por vazar os segredos estadunidenses para os soviéticos - que, embora fossem aliados dos EUA na Segunda Guerra, foram mantidos no escuro sobre o desenvolvimento da bomba atômica. Acontece que o Dr. Fuchs passou longe de ser o único cientista a fazer essa ponte clandestina entre os dois países.

Dois técnicos, chamados Ted Hall e David Greenglass, passaram detalhes dos testes de laboratório para a União Soviética. O engenheiro Oscar Seborer fez o mesmo, e historiadores acreditam que as informações providas por ele foram provavelmente as mais importantes entre as de todos os espiões. Nenhum dos três se identificava como comunista, mas todos se preocupavam com o monopólio norte-americano sobre as armas nucleares.

Oppenheimer não passou perto de matar Niels Bohr

Kenneth Branagh em cena de Oppenheimer (Reprodução)
Kenneth Branagh em cena de Oppenheimer (Reprodução)

Sim, é verdade que o jovem Oppie injetou algum tipo de substância tóxica na maçã de seu tutor em Cambridge, o físico Patrick Blackett. Não sabemos com certeza se tal substância foi o cianeto que vemos no filme - a maioria dos historiadores acredita que Oppenheimer usou um “veneno” mais leve, que só faria Blackett passar mal, uma vez que o cientista nem mesmo foi expulso de Cambridge quando o incidente foi descoberto.

Em Oppenheimer, no entanto, o incidente do envenenamento culmina com Niels Bohr (Kenneth Branagh) quase comendo a maçã que era pretendida para Blackett. Isso não aconteceu: de fato, os caminhos de Oppenheimer e Bohr não se cruzariam até vários anos depois, quando os cientistas foram apresentados pelo amigo em comum Ernest Rutherford.

Oppenheimer não consultou Einstein sobre a bomba atômica

Cena de Oppenheimer (Reprodução)
Cena de Oppenheimer (Reprodução)

O filme de Christopher Nolan faz dos encontros esporádicos entre Oppenheimer e Albert Einstein (Tom Conti) uma peça central da história do físico. É verdade que os dois se conheciam, e que um respeito relutante ditava essa relação, mas é improvável que Oppenheimer tenha consultado Einstein sobre os detalhes do Projeto Manhattan - não há nenhum registro das interações específicas entre os dois que vemos no filme.

E uma coisa é certa: Oppenheimer certamente não foi até o colega para pedir conselhos sobre os cálculos de Robert Teller (Benny Safdie), que indicavam que a detonação de uma bomba atômica poderia causar uma reação em cadeia que destruiria todo o planeta. Ao invés disso, ele foi até Arthur Compton, que checou os cálculos ao lado de Hans Bethe e determinou que existia uma chance “próxima de zero” do evento catastrófico acontecer.

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