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Entrevista

Omelete Entrevista: Terrence Howard, o Jim Rhodes de Homem de Ferro

Ator indicado ao Oscar fala de quadrinhos, sobre como foi trabalhar no filme e as amizades no set

Érico Borgo
23.04.2008
12h00
Atualizada em
21.09.2014
13h35
Atualizada em 21.09.2014 às 13h35

Nascido em Chicago, Terrence Howard já andava circulando em Hollywood há algum tempo... Fez filmes como A Guerra de Hart, Quatro Irmãos e Crash. Mas foi em Ritmo de um Sonho, drama musical com o qual obteve indicações de Melhor Ator no Oscar e Globo de Ouro, que tornou-se conhecido do grande público - e começou a ver seu rosto estampado em cartazes e a receber papéis de maior destaque. Seu primeiro blockbuster é Homem de Ferro, adaptação dos quadrinhos na qual interpreta James "Jim" Rhodes.

Nas HQs Rhodes é um ex-marine que torna-se piloto e amigo pessoal do bilionário Tony Stark. Anos mais tarde, durante a pior fase da vida do empregador - o alcoolismo - Rhodes descobre a identidade de Stark e veste a armadura do Homem de Ferro para impedir um vilão. Começa assim uma carreira como super-herói, o Máquina de Combate. No filme, Rhodes também é amigo pessoal de Stark e um coronel da Força Aérea que atua como ligação entre os militares e a empresa que fornece armamentos a eles, a Stark International.

Homem de Ferro

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Terrence Howard

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No simulador, preparando-se para as filmagens

Terrence Howard

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Terrence Howard como Jim Rhodes

Homem de Ferro

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Robert Downey Jr.

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terrence howard

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Conversamos com Howard, que apareceu confortavelmente vestido com um conjunto de moletom e bandana (tremendo contraste ao lado do terno de Robert Downey Jr. e a roupa caretíssima de Gwyneth Paltrow), sobre o filme, o trabalho ao lado dos astros, e como foi interpretar um herói dos quadrinhos. Confira abaixo o papo e descubra os motivos supernerds que o levaram a aceitar o convite.

Com vocês, Terrence Howard!

Ok, Rhodes não deve vestir a armadura ainda - e o Blade está mais para um anti-herói. Mesmo assim, como você se sente sendo o primeiro super-herói negro da Marvel no cinema?

Eu me sinto feito um Sidney Poitier ou Jackie Robinson. Faz tempo que eles estão ensaiando colocar um herói negro nas telas e a responsabilidade é grande. Afinal, no futuro, pode ser que Rhodes vista a armadura do Máquina de Combate e a idéia abre caminho para personagens heróicos de outras etnias. Tudo vai depender de como este trabalho for aceito pelo público.

O que você acha da Marvel estar produzindo seus próprios filmes?

A razão disso é que a Marvel buscou independência. Com isso, eles se livraram das limitações dos estúdios, que se preocupam muito mais com o marketing do que com a fidelidade do filme ao material original, sabe? É isso o que importa - ser criativo. Afinal, o público de hoje é muito mais esperto e influente.

Com isso a empresa pode também apresentar novos personagens em seus filmes, preparando o terreno para o futuro...

Sim. Eles estão muito preocupados com futuro. Então querem acertar agora, criar raízes, manter seus filmes fiéis aos personagens e conectados com seus fãs e o público. Com isso, eles têm uma vida inteira pela frente pra explorar - o que é ótimo pra mim, afinal poderei, quem sabe, participar de um filme dos Vingadores adiante. Quem sabe até como o Máquina de Combate, afinal ele foi um vingador nos quadrinhos.

Qual é a maior dificuldade em viver um personagem de quadrinhos, um futuro super-herói?

A parte mais difícil é encontrar algo "super" em você. Algo que faça com que você se comprometa acima de qualquer dificuldade - é isso que torna um super-herói o que ele é. Não basta ser um sujeito formidável. Ele vai além. Vai além da humanidade, mas sem esquecer que é apenas um humano. É alguém capaz de sacrificar tudo que tem por um bem maior. Então, já viu... Eu não sou assim, sou exatamente igual a qualquer um. Encontrar essa força é difícil, mas é a coisa mais legal de um filme como esse. Por outro lado, algo bem difícil foi tornar este Rhodes parecido com os quadrinhos, mas ao mesmo tempo diferente. Deixa eu explicar... Nos gibis ele é bem independente, faz o que quer. Aqui ele trabalha para o governo, não pode ser tão autônomo. Isso foi complicado - manter o espírito dele fiel ao das HQs e ao mesmo tempo satisfazer as necessidades do filme.

O que atraiu você ao papel?

O Máquina de Combate, cara! A possibilidade de vivê-lo futuramente. Bom, e toda a preparação, a coisa de estar num filme de super-herói... É ótimo.

No filme Rhodes é um coronel da Força Aérea Norte-Americana. Qual é a interação dele com Stark?

Ele tem papel de mediador entre o escritório de aquisições da Força Aérea e as Indústrias Stark. Diariamente, Tony Stark manda a ele idéias de projetos e novas tecnologias e Rhodes aprova ou não dentro das estratégias do governo. Mas eles se conheceram antes disso, fizeram MIT juntos [ Massachusetts Institute of Technology].

Como foi sua preparação para o papel?

Visitei bases aéreas, passei um tempão com esses caras da Força Aérea. E pude voar em caças. E assumir o manche! Fiz uma semana de simuladores e depois pude assumir o papel de "wing man" fazendo umas manobras quando me davam o OK. Foi absurdo. Voei a 650 quilômetros por hora num T-38 e depois num F-15. Sou um cara fodão agora. Consigo pilotar um caça. Mas eu vomitei. Todo mundo vomita.

E você baseou Rhodes em alguma dessas pessoas que conheceu no set também?

General Thomas. Ele é o comandante da Base da Força Aérea de Nellis. É um general negro. Eu nunca havia conhecido um. Ele é um cara espirituoso, direto e muito competente. Sabe qual foi a primeira coisa que ele me disse? Ele apertei a mão dele para cumprimentá-lo de maneira respeitosa - e ele me deu um tapa na mão, dizendo "você voou num caça de 200 milhões de dólares. Aja de acordo!". Então apertei sua mão novamente, tentando esmagar os ossos.

Que tipo de quadrinhos você lia? É um fã ainda?

Eu era super-fã de X-Men. Mas fiquei doido quando mataram a Fênix por nada numa dessas últimas vezes. Eles podiam ter usado aquele molequinho que cancela poderes mutantes e parado ela. Não sei por que o Wolverine tinha que matá-la.

Ahahaha, tem razão. E você está pronto para se ver como uma figura articulada?

Eu gostaria disso.

Você quer brincar com você mesmo? Ehehe

Olha, já fiz isso algumas vezes... Ehehe... E agora terei um amiguinho pra brincar junto. É, acho que vou gostar de brincar comigo.

E você era fã do gibi do Homem de Ferro?

Achava divertido. Mas quem gostava mesmo era meu pai. Ele adorava o Máquina de Combate e o Homem de Ferro. Ele não acreditou quando contei.

Como foi trabalhar com Gwyneth?

Temos poucas cenas juntos - mas é difícil trabalhar com ela. A mulher é linda demais e fica complicado não flertar com ela. Quer dizer, não pega nada, mas no fundo a gente fica pensando "tomar que ela goste de mim. Tomara que ela goste de mim, que largue o Coldplay lá e fique comigo". Acho que mais uns três filmes que fizermos juntos eu consigo.

E como foi trabalhar com Robert Downey Jr?

Esse cara tem uma magia pessoal incrível - é destemido e ao mesmo tempo vulnerável. Aprendi com ele que nada parece mais natural que agir naturalmente. Você pode simplesmente ser o personagem. É OK sentir-se desconfortável às vezes, mas aprendi a ser um ator de verdade com ele. Robert é o ator mais íntegro que já conheci. O maior. Saímos muito juntos. Formamos uma estranha coleção de moléculas, eu e ele. Nos tornamos camaradas, irmãos. Sei lá de onde veio isso, mas formamos uma união. Saímos, fomos fazer compras em mercadinhos, conversar sobre a vida. Coisas de gente normal. Temos problemas com ex-esposas que são parecidos. É como se tivéssemos vivido vidas em estradas paralelas. Eu amo esse cara. Amo.

Parece ótimo isso, fazer um filme que te dá tanta satisfação dentro e fora do set.

Culpa de Jon Favreau [o diretor]. O set dele é ótimo. Ele é um ator antes de tudo, então tem um estilo de improvisação. É um cara brilhante e pensa na velocidade da luz. Mas, ao mesmo tempo, ele é humilde o suficiente para perceber o gênio em outras pessoas. Se Jeff Bridges tinha uma idéia e Jon gostasse, ele passava três horas tentando viabilizá-la. Com Robert, Gwyneth e comigo, idem. O roteiro era reescrito todos os dias! Um filme sem ego algum. Nada.

Mas Jon disse várias vezes "não pense que improvisamos o filme todo"

E não improvisamos. O que fazíamos era repassar o texto pela manhã e conversar sobre ele. Era feita uma leitura e depois nos perguntávamos "quem acredita nisso?". Se houvesse alguém contra, discutíamos o roteiro e mudanças eram feitas. A estrutura é a semente, mas Jon deixa a planta crescer e depois todos a aparam juntos. É perfeito. Mas aí vinha o Robert e mudava de novo durante as filmagens. A coisa só ficava melhor. É como assistir a um gênio louco.

Parece que estamos chegando perto do dia em que Hollywood vai reconhecer um filme de quadrinhos com um Oscar então...

Se você ver o que Robert aprontou aqui, não terá qualquer dúvida. Ao final de cada take ele era aplaudido. Ele é brilhante e se alguém merece um Oscar de atuação por um filme de quadrinhos, ele é o cara.

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