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Omelete Entrevista: Catherine Winder, a produtora de Star Wars - The Clone Wars

Produtora comenta filme e a série de televisão, como funciona o desenvolvimento e fala de George Luc

Érico Borgo
14.08.2008
17h00
Atualizada em
21.09.2014
13h38
Atualizada em 21.09.2014 às 13h38

Em uma entrevista antiga, não lembro qual, fiz um deslizamento de gravador perfeito, impulsionando o aparelho do outro lado da mesa com força exata para que estacionasse com precisão em frente ao meu entrevistado. Depois disso fiquei convencido - melhorando a cada entrevista minha recém-descoberta habilidade. Com a produtora do filme e a série de TV Star Wars - The Clone Wars, Catherine Winder (Laboratório de Dexter, Johnny Bravo), porém, errei feio, atingindo a mão dela com meu gravador MP3.

Desculpe, estou ficando preguiçoso.

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Catherine Winder: Ahahahaha, tudo bem.

Você pode falar um pouco sobre as origens do projeto?

Star Wars - The Clone Wars é uma idéia que George Lucas desenvolve há bastante tempo. Ele é um contador de histórias, como você sabe, e tem inúmeras histórias pra contar passadas nesse período, entre os Episódios II e III. Como ele estava trabalhando nos filmes antes, simplesmente não tinha tempo para desenvolver este projeto, mas agora ele finalmente decidiu que nunca mais dirigirá um filme de Star Wars - até que mude de idéia, ahahaha - e encontrou fôlego para seguir adiante. É incrível como ele é capaz de delinear profundamente personagens que só aparecem por um instante nas telas e criar histórias. Ele os conhece de trás pra frente.

E por que mostrar novamente a era das Guerras Clônicas?

Você pergunta isso por que já vimos isso na minissérie de TV?

Sim, mas também já as vimos no cinema.

Eu não acho que tenhamos visto - não com o nível de detalhamento que veremos agora. Além disso não são apenas as Guerras Clônicas, mas também todas as relações entre os personagens e uma série de histórias bem diferentes das que já conhecemos do universo Star Wars que serão desenvolvidas. George também quis explorar melhor personagens que não tiveram espaço nos filmes.

Que tipo de relações novas veremos?

A mais óbvia é a de Anakin Skywalker e Ahsoka Tano - que é uma relação de mestre-aprendiz como tantas no universo Star Wars, mas com uma diferença: ela o desafia o tempo todo. Outra novidade é a humanização dos clones. George pediu a nós que déssemos personalidades distintas a cada um. Eles são, afinal, pessoas. Haverá foco também em jedis que ainda conhecemos pouco.

Vocês têm Christopher Lee e Samuel L. Jackson dublando em Clone Wars os papéis que interpretaram na série do cinema, Conde Dookan e Mace Windu. Eles estarão também na televisão?

Não dá - e nem é uma questão de orçamento. Como é televisão trabalhamos com um cronograma totalmente diferente do que eles estão acostumados no cinema. Há muitas mudanças de diálogos e cenas inteiras - e precisamos de dubladores disponíveis quase que o tempo todo, o que invibiliza as presenças deles. O Conde Dookan, por exemplo, é dublado na série por Corey Burton, que está no filme em três papéis, General Loathsom, Ziro the Hutt e Kronos-327. Adoramos o trabalho dele.

Como funciona a dinâmica de trabalho entre o Rancho Skywalker (sede da Lucasfilm), o estúdio em Cingapura encarregado da animação e a pós-produção?

Tem sido um processo empolgante e desafiador. Abrimos um estúdio em Cingapura para esse desenvolvimento, que está trabalhando juntamente com outro de nossos estúdios em Taiwan e com os escritórios na Califórnia, em Marin County. Todos se ocupam do filme, da série e dos games relacionados.

São duas linhas de produção distintas gerando animações - a de Taiwan e a de Cingapura - e cada uma tem seu próprio processo, então cabe à equipe de Marin cuidar para que as outras duas tenham tudo o que precisam em tempo hábil. Pra piorar, cada equipe envolvida opera em seu próprio fuso-horário, sua própria língua, cultura... e no começo todos estavam trabalhando juntos pela primeira vez, o que deixou com bastante trabalho o pessoal em Marin. Aliás, o escritório na Califórnia também nunca tinha trabalhado com computação gráfica antes e estava acostumado a ter todas as pessoas sob o mesmo teto... então dá pra ver que foi um desafio enorme a todos.

Inicialmente foi um caos, mas depois fomos criando procedimentos e tudo foi entrando nos eixos. E tinha que entrar rapidamente, porque George [Lucas] gosta de mudar as coisas bastante, refiná-las, e isso exige um entrosamento muito grande de todos.

Este é o primeiro produto de Star Wars nos cinemas que não sai pela 20th Century Fox. Por que?

Foi por causa do pacote completo que a Warner nos apresentou. Além disso, já havia uma relação prévia com o Cartoon Network [parte do grupo Time-Warner], com a série Clone Wars de Genndy Tartakovsky. Assim eles podiam garantir a distribuição mundial do filme nos cinemas e na televisão, com o Cartoon e a TNT. Foi uma decisão que fez muito sentido dentro do momento no qual a franquia está.

Henry Gilroy, o roteirista, veio dos quadrinhos de Star Wars. Isso foi decisivo na contratação dele?

Na verdade fui eu a responsável pela contratação dos roteiristas. Para a seleção li materiais de vários autores que já escreveram quadrinhos e livros da saga. Além disso, sempre que perguntava a candidatos a diretores quem eles achavam que seria um bom roteirista para o projeto, o nome de Henry aparecia. Então foi só uma questão de somar dois mais dois. Quando ele, Dave Filoni e eu nos juntamos foi perfeito porque os dois são fanáticos por Star Wars e entendem tudo - coisa que eu não entendo. Então quando eles começavam a ir longe demais eu sempre podia interromper, mostrando a eles que talvez as idéias estivessem muito complicadas para alguém que não conhece a série.

Como trata-se de um período finito, situado entre dois filmes, quantos episódios vocês acham que dá pra fazer?

George fala em 100 episódios. Ele é o mestre e idéias não faltam para preencher tudo isso. Já escrevemos 50 deles e já completamos 22 episódios. Agora estamos trabalhando nos 10 primeiros da segunda temporada.

Vocês criaram algum software específico para esse projeto?

Sim, uma ferramenta de pré-visualização, coisa que George está sempre tentando melhorar. O novo software será utilizado pela empresa toda e permite que as cenas sejam montadas direto a partir do roteiro, dando as cineastas uma idéia de como elas ficarão sem a necessidade de storyboard.

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