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O Traidor

Don Cheadle mostra por que foi escolhido para estrelar o segundo Homem de Ferro

Marcelo Hessel
13.11.2008
16h00
Atualizada em
02.11.2016
04h10
Atualizada em 02.11.2016 às 04h10

Para quem não gostou da escalação de Don Cheadle como o novo Jim Rhodes em Homem de Ferro 2, substituindo Terrence Howard, O Traidor (Traitor, 2008) é mais uma comprovação da presença de cena e do talento do ator. Cheadle enriquece, com sua expressividade, mesmo personagens mal construídos e com pouco tempo de tela - como Jim Rhodes.

No caso de O Traidor, a interpretação de Cheadle é o elemento mais autêntico em uma trama impregnada de esquematismos.

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A história gira em torno de um muçulmano sudanês, criado nos EUA, Samir Horn (Cheadle). Enquanto traficava armas no Iêmen, ele é preso com integrantes de um grupo terrorista islâmico e se aproxima de Omar (Saïd Taghmaoui). Ao seu lado, Samir, perito em bombas, ajuda a planejar atentados que culminarão em um ataque em solo estadunidense. Ao mesmo tempo, correndo contra o relógio, o FBI vasculha o passado de Samir para entender suas ações.

Claro que o filme do roteirista e diretor Jeffrey Nachmanoff não faria do vilão seu protagonista. Há uma reviravolta aí - manjadíssima, aliás - sobre a identidade de Samir, mas não convém detalhar aqui. O que vale dizer é que a história do filme - curiosamente, idéia do comediante Steve Martin - empresta elementos de O Fugitivo e Os Infiltrados para falar de tolerância e da guerra contra o Terror.

Nachmanoff dirige com a mesma pegada burocrática com que escreve. Então tome tomada aérea como transição entre cenas batidas: Samir apanha do tira mau e simpatiza com o bonzinho (que estuda árabe e entende de religião, só pra deixar tudo mais arrumadinho), fica amigo do terrorista (que não é de todo "mau", pois joga xadrez) depois de mostrar sua hombridade numa briga na prisão, depois bota em risco o plano ao deixar-se aproximar pela mulher...

O Traidor parece ter discurso vanguardista e pacifista - só parece, porque a forma ostensiva como são mostrados os mártires do Islã sugere que o filme compactua com a política do medo de Bush -, mas sua narrativa não poderia ser mais conservadora. Nachmanoff tem ao menos o bom senso de abusar dos close-ups de Cheadle, que sai do filme com sua dignidade inabalada.

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