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O Sonho de Cassandra

Woody Allen constrói em Londres mais um suspense cheio de drama

Marcelo Forlani
30.04.2008
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h35
Atualizada em 21.09.2014 às 13h35

Woddy Allen é mais conhecido pelo seu lado cômico e por isso mesmo surpreendeu quando fez Ponto Final - Match Point (2005), um suspense dramático que envolve adultério, assassinato e a Londres que ele passou a adotar depois de toda uma carreira filmada em Nova York. Seu projeto seguinte, Scoop - O Grande Furo (2006) continuava na capital inglesa, mas voltando ao humor. Agora chega a vez de O Sonho de Cassandra (Cassandra's Dream, 2007), terceiro filme rodado em Londres e novamente um suspense dramático. E põe dramático nisso!

Para os papéis principais, Allen chamou o escocês Ewan McGregor e o irlandês Colin Farrell para viverem dois irmãos bastante diferentes quanto a ambições, mas muito unidos pelos laços familiares que carregam. Ian (McGregor), o mais velho, trabalha a contragosto no restaurante da família, ajudando a gerenciar o lugar enquanto o pai se recupera de um problema de saúde, sonhando com o dia em que vai ter seu próprio negócio. Terry (Farrel), o mais novo, é mais humilde nos seus sonhos. Trabalha em uma oficina de automóveis caríssimos, tem uma namorada firme e um vício: adora jogar.

O Sonho de Cassandra

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Na primeira cena, os dois irmãos aparecem em um porto. Estão ali para comprar um barco velho, mas que promete levá-los de novo ao mar, aos felizes dias de uma juventude que já acabou. O preço inicial é além do que os dois têm economizado. Mas antes que consigam desistir, uma maré de sorte atinge as apostas de Terry, que não consegue mais perder. Aliás, o barco é batizado O Sonho de Cassandra em homenagem ao cachorro vencedor de uma corrida, que rendeu a grana necessária para fechar o negócio.

Arrotando caviar depois de comer mortadela, Ian vai se envolvendo com a linda atriz Angela Stark (Hayley Atwell). Para ela, Ian é um empresário já bem sucedido, que anda para cima e para baixo em pomposos carros - que pega emprestado na oficina do irmão. Enquanto o mais velho vai se afundando em mentiras, Terry entra numa maré de azar e se afunda em dívidas. O sonho dos dois vai, pouco a pouco, se tornando um pesadelo.

Para livrá-los dos seus problemas, volta à cidade para uma rápida temporada o tio Howard (Tom Wilkinson), médico e empresário com clínicas em vários lugares do mundo. Idolatrado pelos "meninos" e pela mãe deles (Clare Higgins), Howard também tem os seus problemas e apela para o "uma mão lava a outra", e acaba envolvendo os dois irmãos em uma trama que tem tudo para acabar em tragédia.

É esta última parte, justamente a mais densa, que faz O Sonho de Cassandra (o filme e o barco) afundar o suficiente para perder um pouco de perfomance - sem jamais naufragar. Embora os dois atores principais estejam ótimos (principalmente Farrel, que já há algum tempo estava devendo), Allen pesa demais na mão, principalmente quando abruptamente acaba tudo o que vinha construindo nos últimos 100 minutos. É como acordar de repente de um sonho que estava incomodando. Um alívio, mas que deixa memórias difíceis de apagar da mente e que por isso mesmo não deve agradar a todos.

Assista aos clipes do filme

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