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O Som no Cinema: Primeiros Acordes

Saiba como aconteceu a passagem que possibilitou o cinema que conhecemos hoje

Carina Toledo
01.11.2010
16h22
Atualizada em
21.09.2014
14h10
Atualizada em 21.09.2014 às 14h10

Até 1927, quando foi lançado o primeiro longa-metragem sonoro, O Cantor de Jazz (The Jazz Singer), o cinema era um espetáculo mudo. Apesar de nunca exibidos totalmente em silêncio - era comum o acompanhamento de músicos ou efeitos sonoros executados ao vivo - foi a invenção do Vitaphone que permitiu sincronizar som a um filme. Os diálogos e música não eram impressos na película de filme diretamente, mas tocados separadamente em um disco, simultaneamente à projeção.

O aparelho foi desenvolvido pela Western Eletric, empresa que foi comprada pela Warner Bros. em 1925. A aquisição permitiu ao estúdio experimentações com som em mais de 2 mil curtas-metragens e o lançamento de Don Juan (1926), primeiro filme mudo a ser sincronizado com música e efeitos sonoros, mas ainda sem diálogos.

Vitaphone

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Sound on film

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Jazz Singer

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M

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Magico de oz

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No entanto, as inconveniências do Vitaphone eram muitas: baixa qualidade na amplificação do som, chiados e a facilidade com que os discos se riscavam, tirando o filme de sincronia. Não demorou para que o aparelho fosse aposentado e substituído por processos mais eficientes, que permitissemm que o som fosse gravado no próprio filme, em uma faixa óptica lateral.

Independente da tecnologia utilizada no processo de captação, era evidente que a combinação de som e imagem em movimento tinha chegado para ficar. Depois de lançar O Cantor de Jazz, a Warner Bros. lançou outros dez longas-metragens totalmente falados. Em 1929, de um total de 290 filmes lançados em Hollywood, apenas 28 não tinham som. A inovação rapidamente espalhou-se pelos Estados Unidos e Europa. No Oriente, o som foi sendo adotado lentamente, mas logo ficou evidente que figuras como o japonês benshi, cuja narração dramática ao vivo acompanhava os filmes mudos, em breve perderiam o emprego.

Na década de 1930, os filmes falados ficaram conhecidos como talkies e a moda era abarrotá-los de diálogos - fenômeno similar ao que acontece hoje nos filmes 3D, com a profusão de objetos lançados para fora da tela a fim de evidenciar a tecnologia. Apesar da Grande Depressão, que instaurou-se a partir de 1929 e vitimou estúdios economicamente, o público dos cinemas só crescia, em decorrência dos talkies.

A receita gerada pelo crescimento do público possibilitou aos estúdios de Hollywood o luxo de investir em dois níveis de produção, paralelamente. Os filmes tipo "A" eram produções de gêneros mais populares, como épicos, faroestes, musicais e filmes de guerra, enquanto os filmes tipo "B" eram os imorais, como os noir, e os que ninguém levava a sério, como as ficções científicas, que reciclavam material e cenários usados nos filmes "A".

Assim, a década iniciada com os primeiros passos dos longa-metragens sonoros não podia terminar melhor. Enquanto a Europa se enchia com a tensão de uma guerra iminente, o cinema estadunidense lançava em 1939 os clássicos O Mágico de Oz (The Wizard of Oz), ...E o Vento Levou (Gone with the Wind), No Tempo das Diligências (Stagecoach) e A Mulher faz o Homem (Mr. Smith Goes to Washington), ficando para a história como o que alguns consideram o melhor ano da história do cinema.