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"O Rio é uma cidade onde o fantástico aparece de forma inusitada", diz diretora de Mormaço

Longa será exibido no Festival de Roterdã

Rodrigo Fonseca
18.01.2018
12h20

Nova febre do cinema brasileiro, o sobrenatural, elemento presente em produções recentemente premiadas como Motorrad e As Boas Maneiras, bate ponto também no bloco de 12 filmes nacionais selecionados para o Festival de Roterdã (cuja edição 2018 vai de 24 de janeiro a 4 de fevereiro), representado por Mormaço.

Guilherme Toste

Filmado em 2016, o esperado primeiro longa-metragem solo de Marina Meliande (de A Alegria) combina crônica geopolítica e terror. Na trama, Ana (a atriz Marina Provenzzano) é uma advogada cujo prédio onde vive é assombrado pela especulação no mercado de imóveis, numa coqueluche de remoções. Em meio a conflitos profissionais e ao desabrochar de um novo amor, ela tem de dividir sua paz com um elemento inesperado: uma moléstia misteriosa em seu organismo. A primeira projeção mundial do longa está marcada para o dia 27 nas telas holandesas. Nesta entrevista, a diretora fala sobre a dimensão crítica desse seu flerte com o horror.

Omelete: Qual é o Rio que está representado em Mormaço?

Marina Meliande:  O Rio é uma cidade pela qual tenho enorme carinho, mas que enfrenta uma crise. E é uma cidade onde o fantástico aparece de maneira inusitada, em situações nonsense. O filme parte do desejo de retatar uma cidade que se transforma de modo arbitrário, sem que o governo consulte os moradores. E há uma doença na trama que responde à mudança do espaço.

Omelete: Como foi pensada a fotografia de Mormaço com Glauco Firpo, que foi elogiado em Berlim e Sudance no ano passado por Não Devore Meu Coração, que você produziu?

Marina Meliande:  Glauco se adapta bem aos espaços respondendo à luz existente nas paisagens existentes que encontra. O filme tem uma luz mais desenhada: tem muita cena interna de apartamento, de corredores escuros.

Omelete: Podemos classificar Mormaço como "filme de gênero"? Por quê?

Marina Meliande:  Ele começa realista e ganha ares fantásticos, de cinema de horror. Lá em Roterdã, ele foi definido como "body horror", pois há uma metamorfose do corpo. Ele é uma mistura de narrativa social realista com algo de A Mosca, só que não tão nojento. O corpo tem uma ligação com a cidade, que está doente. O filme faz uma ponte com a atual crise do estado do Rio de Janeiro.

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