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O Reino Proibido

Aventura hollywoodiana aposta em rinha de astros chineses

Érico Borgo
28.08.2008
16h00
Atualizada em
21.09.2014
13h39
Atualizada em 21.09.2014 às 13h39

A idéia era boa, colocar pela primeira vez pra contracenar os astros de ação chineses Jet Li e Jackie Chan.

O problema é que alguém achou que isso fosse suficiente para tornar O Reino Proibido (Forbidden Kingdom, 2008) um super-sucesso internacional. Ou será que existe outra explicação pra deixar o projeto nas mãos do limitado Rob Minkoff, que começou sua carreira muito bem, com O Rei Leão, mas andava na geladeira desde o fracasso de Mansão Mal-Assombrada?

reino proibido

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O caso é que O Reino Proibido, que não passou nem perto de um sucesso, é uma versão "pra inglês ver" da lenda do Rei Macaco - Sun Wukong, protagonista do clássico romance chinês Jornada ao Oeste - e da sua peregrinação atrás da imortalidade.

Falta ao filme certa identidade. É uma grande aventura, tipicamente hollywoodiana, mas deslocada culturalmente. O roteiro escrito por John Fusco (Mar de Fogo) sabe disso e até tenta se aproveitar de sua deficiência: coloca como protagonista um adolescente nova-iorquino comum, Jason (Michael Angarano, de Superescola de Heróis), como "guia" do espectador. Mas a retratação da China parece uma grande cópia carbono de tudo o que já foi feito no cinema - e inclua aí desde os filmes de artes marciais setentistas até os chineses voadores de Ang Lee e Zhang Yimou. E tome gente correndo em bambús, combates entre as flores de cerejeira e o vilão de bigodinho suspeito.

Jogue por cima mais uns toque de Piratas do Caribe e O Reino Proibido fica absolutamente confortável, totalmente previsível. Não falta nem Yuen Woo-Ping (Matrix, Kill Bill), o coreógrafo preferido do ociente! Sério... será que não tem mais ninguém capaz de ensinar uns movimentos diferentes aos ianques?

Dito tudo isso, o filme não é ruim. Nem poderia, creio. É tudo certinho demais pra dar errado. As lutas são empolgantes, especialmente a de Li e Chan, e a produção mostra no que gastou seus 70 milhões de dólares. Melhor ainda, lá pelo começo - antes da viagem no tempo - me fez lembrar de filmes feitos nos Estados Unidos que tinham fascínio verdadeiro pela cultura ocidental e souberam explorar isso. Filmes como Gremlins (o comecinho), Os Aventureiros do Bairro Proibido (Big Trouble in Little China, 1986) e O Último Dragão (The Last Dragon, 1985).

Pena que a lembrança durou pouco. Michael Angarano não é nenhum Bruce Leroy e ver o inexpressivo Jet Li interpretando feliz e sorridente o Rei Macaco ainda me causa uns pesadelos...

Veja clipes do filme