João Guilherme analisa O Rei da Internet: “É um criminoso, mas ainda um guri”
Ator viu no papel de Daniel Nascimento a oportunidade de mostrar amadurecimento
Créditos da imagem: João Guilherme em cena de O Rei da Internet (Reprodução)
Interpretar Daniel Nascimento em O Rei da Internet foi uma oportunidade irresistível para o ator João Guilherme. Nos holofotes desde os dez anos de idade – quando estrelou Meu Pé de Laranja Lima, e de lá direto para Cúmplices de um Resgate –, aqui ele viu a chance de interpretar um personagem que também amadurece em circunstâncias excepcionais.
O longa, afinal, mostra como Nascimento dominou a internet durante o início dos anos 2000, se tornando um hacker de notoriedade suficiente para virar alvo de investigação da Polícia Federal. Uma verdadeira história de sexo, drogas e rock n’ roll no início da vida virtual brasileira – com um detalhe: em 2005, quando foi preso, Nascimento tinha 17 anos.
Confira a seguir trechos da entrevista de Guilherme e de seu colega de elenco, Caio Horowicz (que interpreta Noturno, rival de Nascimento na história), ao Omelete.
OMELETE: Bom, no filme a gente vê que a trajetória do Daniel foi meteórica – intensa, eu diria Queria saber do João: quando esse papel chegou para você, qual foi a primeira coisa que você pensou? Você viu uma oportunidade de mostrar amadurecimento?
GUILHERME: Isso que você falou com certeza, uma oportunidade de mostrar amadurecimento profissional. Mas que mais me atraiu nesse personagem foi realmente a dualidade, a contradição entre um menino de 16/17 anos e o criminoso que ele se tornou. Porque é isso, a gente fala criminoso e o pessoal fica achando que é assalto à mão armada... Não, ele é um criminoso, mas ainda é um guri. Um gurizinho! É um menininho que um ano antes de tudo isso não tinha o respeito de ninguém, não se sentia nem abraçado pela família. Essa dualidade de uma pessoa que ainda está se desenvolvendo emocionalmente, mas esta fazendo todas essas coisas de adulto, é uma das coisas mais interessantes que eu vejo no personagem. Para além da história que ele viveu, né? Ele foi uma das pessoas que escreveu a história da internet brasileira.
OMELETE: A gente falou um pouco da nostalgia que o filme trouxe, mas ele também mostra como aquela internet dos anos 2000 era terra sem lei. O que vocês acham que a história do Daniel nos mostra nesse sentido? Como o filme aborda essa transformação para a internet que a gente conhece hoje, que – eu diria – é mais regrada?
GUILHERME: É muito louco, porque você coloca que hoje é mais regrada, e realmente é. A gente vê debates hoje em dia, inclusive, sobre regulamentações que eu acho que são muito importantes. Mas, cara, a internet ainda assim é terra de ninguém, e por isso é um lugar do qual eu me vejo, pessoalmente, me distanciando cada vez mais. Nosso filme se chama O Rei da Internet, mas rei da internet não existe. É terra de ninguém. Então eu ainda acho preocupante, acho que tem pessoas, inclusive, querendo ser os donos da internet – os bilionários por aí né. Mas é muito complicado, ainda acho uma zona muito cinza, um lugar muito difícil de pisar seguro. Eu acho que é terra de ninguém, e prefiro não frequentar.
OMELETE: Caio, seu personagem é meio que um predecessor do Daniel – tanto que o filme brinca com isso, dizendo que ele é o melhor hacker da gangue “até agora”. Então como foi construir essa relação antagônica entre os personagen, e como você vê a função dele na história?
HOROWICZ: Eu acho que ele tem justamente essa função, ele demonstra o que está posto a perder com a chegada desse cara novo, o Daniel, que é uma potência, um negócio nunca antes visto. E acho isso muito legal, me deu a oportunidade de brincar com uma personagem que é ressentida, que tem inveja, que sente coisas ruins... Isso me atraiu muito na personagem também: a possibilidade de rivalizar, de ser um antagonista da história. Eu sempre gosto de personagens que me dão a oportunidade de fazer coisas que eu não posso fazer, ou não faria na vida real: ser ruim, ser mau, ser c*zão, sabe? Isso foi muito divertido. E foi muito legal trabalhar com o João, que é um grande amigo, e que a gente já fez outras coisas juntos, inclusive outros personagens rivais.
*O Rei da Internet já está em cartaz nos cinemas brasileiros.
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