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Novo editor da SET fala sobre as mudanças na revista

Mario Marques apresenta a sua equipe e comenta postura editorial

Marcelo Forlani
15.05.2009
00h00
Atualizada em
09.11.2016
04h05
Atualizada em 09.11.2016 às 04h05

No começo de abril, foi com pesar que noticiamos em primeira mão o fechamento da revista SET. A publicação da Editora Peixes, felizmente, ganhou sobrevida. A partir deste mês de maio - confira um esboço da capa ao lado - a SET passa a ser feita por uma equipe oriunda do caderno de cultura do Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro. Tanto o diário quanto a Peixes integram o grupo Companhia Brasileira de Multimídia, do empresário Nelson Tanure.

Conversamos então com o novo responsável pela redação, o jornalista Mario Marques, e repassamos algumas das dúvidas que incomodam leitores e assinantes nesse momento de transição. Acompanhe:

Como vai ficar a nova SET?

Uma publicação é a cara do editor. A SET tinha a cara do [Roberto] Sadovski. E agora são cinco pessoas - eu, Carlos Helí de Almeida, Marco Antonio Barbosa, Nelson Gobbi e Robert Halfoun - pensando a revista. Não vamos fazer julgamento do que era a SET. A revista que o Sadovski fazia era produzida com uma paixão enorme por ele. E conversando com ele tive a certeza disso. Mas tinha o modo dele, as concepções dele, a postura dele. Respeitamos a história dele na revista, mas pensamos diferente e a revista decerto vai mudar. Vamos ter mais entrevistas exclusivas e tentar botar o leitor dentro da revista. Não se pode fazer uma revista como a SET sem entender que em sua história há gerações de outros apaixonados como ele, de pessoas que se interessam e vibram com a revista e que querem participar. Nossa intenção maior é, a médio prazo, trazer de volta os assinantes que se foram mostrando que a revista é essencial na vida deles e respeitando seus direitos.

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Aliás, podemos chamar de "nova" SET, ou vocês vão manter a mesma linha editorial e diagramação da que vinha sendo utilizada pela equipe anterior? As seções serão as mesmas ou vão mudar?

Vamos mexer na linha editorial, sim. A SET é uma revista de cinema. Não uma revista de super-heróis do cinema ou de blockbusters. Nesse sentido ela vai ter um espectro maior. Algumas seções vão para o ralo, como a de música, que não fazia o menor sentido. Não pudemos mexer tanto no projeto gráfico, ainda estamos estudando a revista e ouvindo os leitores. Mas certamente a revista, já nesta edição, tem outra cara gráfica. Quem está comandando esse processo é o Robert Halfoun. Ele que está cuidando da estética gráfica da revista. Muitas coisas foram mudadas. Mas o leitor é que vai poder avaliar. Teremos quatro novos colunistas: Luiz Noronha (diretor da Conspiração), Pedro Butcher (Crítico da Folha de S. Paulo e editor do FilmeB), Marcelo Cajueiro (correspondente da Variety no Brasil) e Rodrigo Fonseca (crítico de cinema d'O Globo).

Com a mudança da redação de SP para o RJ, com novos editores e repórteres, vocês vão "perder" algum mês para se ajustar?

A direção da companhia não estabeleceu que devemos perder um mês. Mas assumimos a revista já perdendo 20 dias no processo. Nossa ideia é ir ganhando uma semana por mês até a edição se estabilizar com lançamento na primeira semana do mês, mas há muita coisa a consertar. Precisamos olhar com carinho para os assinantes e leitores. Esses caras têm que ser tratados como reis.

Vocês vão manter a periodicidade e o número de páginas?

Sim, mesma periodicidade, mensal. A edição anterior saiu com 76 páginas. Esta vai sair também com esse número. Mas a médio prazo voltaremos às 84 do padrão. O que não quer dizer que ela não possa aumentar. A revista precisa melhorar o faturamento de publicidade. Isso é urgente e vamos trabalhar para isso.

As pessoas que têm assinatura vão receber suas revistas normalmente?

Vão, claro. Tudo normal. Nada mudou no processo, no sistema da editora. Só a equipe de conteúdo mudou. Queremos é que os assinantes que se foram voltem.

Ouvi que o Roberto Sadovski está tentando "vender" a SET em outras editoras, que licenciariam o título. Isso pode mesmo acontecer? Ou a partir de agora a SET é essa mesma que vocês estão fazendo e vai ser assim "para sempre"?

A posição oficial do grupo é que a revista vai ficar aqui no Rio. Estamos nos reunindo periodicamente aqui para vermos como vão andar as coisas. Para sempre? A SET é para sempre. Mas ninguém é para sempre. As pessoas mudam e a marca fica. Contamos com o Omelete como parceiro acá. É um site muito importante para o cinema.

E, por fim, qual o motivo da mudança? Sei que envolve muito mais do que apenas mudança editorial, mas seria bom ter uma palavra oficial.

O grupo CBM, assim como todas as empresas jornalísticas, está passando por uma grande reestruturação. A SET, como existia, não cabia mais na estrutura.