Vingadores: Guerra Infinita/Flash

Créditos da imagem: Marvel Studios/Warner Bros./Divulgação

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O que é o multiverso e por que ele é o futuro dos filmes de super-herói

Conceito fará parte do MCU e do DCEU nos próximos anos

Nico Garófalo
18.12.2021, às 14H08

Depois de atingir seu ápice em Vingadores: Ultimato, a construção de universos compartilhados de super-heróis começa a dar seu próximo passo natural: a exploração do multiverso. Como o próprio nome sugere, o conceito implica na existência de múltiplas realidades paralelas, com alguns aspectos-chave diferentes entre si. E, ainda que hoje tenha se tornado uma ferramenta extremamente útil na cultura pop, a ideia não surgiu no entretenimento e tem sido teorizada por pensadores e cientistas há séculos, tendo se tornado centro de discussões científicas e filosóficas extremamente complexas sobre a realidade.

Justamente por até hoje não ter sido comprovado pela ciência, o conceito se tornou um prato cheio para mentes criativas, que há anos brincam com histórias de realidades paralelas, mostrando diferentes versões de personagens fictícios ou personalidades históricas. No mundo dos super-heróis, o conceito foi apresentado pela DC Comics em 1961, quando promoveu o encontro entre os Flashes Jay Garrick e Barry Allen em Flash de Dois Mundos. Desde então, a ideia foi retomada em diversos títulos, incluindo a histórica Crise nas Infinitas Terras, de 1985, na própria DC, e O Que Aconteceria Se…?, publicada pela concorrente Marvel Comics a partir de 1977.

Apesar da longa história nas páginas, o multiverso só foi ser propriamente explorado em live-action na década de 2010, quando as séries do Flash e da Supergirl fizeram o primeiro grande crossover de realidades do Arrowverse. De lá para cá, a franquia televisiva da CW instituiu eventos anuais que culminaram em uma adaptação de Crise nas Infinitas Terras, especial que confirmou um abrangente multiverso live-action da DC, que engloba não só os seriados da emissora aberta, mas também os programas do selo da HBO Max e, mais importante, o DCEU.

A “descoberta” de outras realidades demorou um pouco mais para chegar ao MCU, que em 2020 ainda vivia a ressaca do sucesso de Ultimato e sofria com os adiamentos causados pela COVID-19. Por outro lado, as portas do multiverso na franquia foram escancaradas em 2021, por produções como What If…?, Loki e Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, que não só confirmaram dimensões paralelas, como tornaram-as integrais para suas respectivas histórias.

O futuro

Já tendo explicado o multiverso de forma relativamente didática nos últimos anos, Marvel e DC têm no conceito a possibilidade de reapresentar como e quando quiserem seus personagens de maior sucesso financeiro. A editora de Burbank, por exemplo, pode contar com quatro versões diferentes do Batman só em 2022: Michael Keaton e Ben Affleck voltarão a viver suas respectivas versões do Cavaleiro das Trevas no filme do Flash, enquanto Robert Pattinson estreará no papel em Batman e Iain Glen pode retornar à pele de Bruce Wayne na quarta temporada de Titãs.

Se anos atrás seria arriscado criar versões diferentes de um único personagem em tão pouco tempo, a confirmação do multiverso constrói a base para os próximos grandes crossovers dos estúdios, reunindo o maior número possível de encarnações de heróis e vilões em um único grande evento cinematográfico. Assim como Disney e Warner construíram suas franquias um filme/série de cada vez em seus primeiros anos, ambas podem reutilizar essa mesma tática para reintroduzir personagens já estabelecidos sem necessariamente tornar suas histórias repetitivas.

O contrário também se torna possível com a adoção do multiverso pelas franquias. Se desde 2008 o Marvel Studios trabalha para que todos os seus títulos se entrelacem de alguma forma, o estúdio pode muito bem usar essa variedade de realidades para trazer produções mais experimentais ao MCU que não necessariamente afetariam a franquia a longo prazo - algo que a DC já tem feito com a adorada Patrulha do Destino, por exemplo.

Os caminhos que serão tomados por Marvel e DC no futuro de suas franquias ficará mais claro em 2022, quando os selos lançam Doutor Estranho no Multiverso da Loucura e Flash, respectivamente. Embora já tenha sido confirmado que ambas as produções afetarão os universos compartilhados em que se encaixam, não foi revelado, por enquanto, o quanto e por quanto tempo as mudanças trazidas por elas serão sentidas não só nas franquias, mas no gênero de super-heróis de forma geral.

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