Morre Michelangelo Antonioni
Semana negra tira do cinema dois de seus maiores nomes
Semana negra para o cinema. Ontem morreu o ícone sueco Ingmar Bergman, e hoje foi anunciado que o romano Michelangelo Antonioni, um dos maiores cineastas da história, também nos deixou na segunda-feira, aos 94 anos.
Mostrar-nos o que há de extraordinário em cenas aparentemente banais do cotidiano era um talento raríssimo que Antonioni dividia com Bergman. O cinema que ele fazia há 40 anos resiste ao tempo, especialmente porque os sintomas da febre social que ele apontava só se agravaram: soterrados de informação, barulho e clipagem, perdemos a noção de quem somos e a compreensão do mundo que nos cerca.
Os silêncios, não por acaso, eram a maior ferramenta de Antonioni. As paisagens urbanas, seus personagens principais. Pelo menos cinco filmes do italiano são frequentemente listados entre o melhor cinema já feito: a trilogia da incomunicabilidade - composta por A Aventura (1960), A Noite (1961) e O Eclipse (1962) -, Blow-Up (1966) e Profissão: Repórter (1975).
Desde o derrame que sofreu em 1995, o italiano vivia mal. Naquele mesmo ano ele completou o seu último longa-metragem, Além das Nuvens, com o auxílio do seu mais fiel aprendiz, Win Wenders. Foi em 1995 também que Antonioni recebeu o Oscar honorário pelo conjunto da obra - antes disso, ele havia sido indicado pela direção e pelo roteiro original de Blow-Up. Em uma década, debilitado, o cineasta completou apenas o curta-metragem que abre Eros (2004).
Cinematografias como a chinesa dos dias de hoje, a indie hollywoodiana dos anos 80 e até mesmo a brasileira recente, notadamente em filmes como Cidade Baixa e Cinema, Aspirinas e Urubus, não seriam as mesmas sem a influência de Michelangelo Antonioni. O romano deixa como legado um estilo de fazer cinema que muitos assimilaram. Ainda assim, vai fazer bastante falta.
blow-up
Editar comentário
Excluir comentário
Confirmar a exclusão do comentário?
Comentários (0)
Os comentários são moderados e caso viole nossos Termos e Condições de uso, o comentário será excluído. A persistência na violação acarretará em um banimento da sua conta.
Faça login para comentar e avaliar
Compartilhe sua opinião, publique críticas e participe das discussões com a comunidade Omelete.Escrever comentário