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Moana reacende crise dos remakes live-action da Disney. Afinal, quem pediu?

Filme estrelado por Dwayne Johnson chega aos cinemas criticado por ser "cópia e cola" da animação de 2016

Omelete
4 min de leitura
09.07.2026, às 10H18.
Atualizada em 09.07.2026, ÀS 10H28

Com a chegada do novo live-action de Moana aos cinemas, reacende-se uma discussão que acompanha a indústria há anos: afinal, essas releituras em carne e osso da Disney são realmente necessárias?

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Quando olhamos para o calendário, a pergunta ganha ainda mais força. O longa original estreou no final de 2016. Estamos falando de um intervalo de quase uma década entre a animação e o live-action — um piscar de olhos na história do estúdio. Para completar, há menos de dois anos o público lotou as salas para assistir à animação Moana 2, que originalmente seria uma série para o Disney+ e acabou arrecadando mais de US$ 1 bilhão globalmente.

Se somarmos o faturamento das duas animações, a franquia ultrapassa a impressionante marca de US$ 1,7 bilhão. Do ponto de vista puramente comercial, é óbvio que o live-action faz sentido. A Disney opera como um ecossistema: o sucesso nas telas impulsiona as visitas aos parques, as vendas de brinquedos e o engajamento no streaming.

Mas e o valor artístico?

Moana é o "Control C + Control V" mais fiel da Disney

Se filmes como Cruella (2021) e Malévola (2014) ousaram subverter as histórias originais para criar algo genuinamente novo, Moana joga na defensiva. Este é, sem dúvidas, o live-action mais "copia e cola" da história recente da Disney. Cada cena marcante, cada arco dramático e cada batida musical da animação de 2016 estão ali, reproduzidos quase frame a frame.

Essa fidelidade extrema funciona, de certa forma, por causa do elenco. Escalar outro ator para o papel de Maui seria um tiro no pé: a imagem de Dwayne Johnson e a do semideus estão fundidas no imaginário popular. Embora seja um pouco estranho vê-lo de peruca nas cenas iniciais, o ator rapidamente domina a tela, especialmente em momentos como o da já clássica "You're Welcome".

A jovem Catherine Laga’aia, embora acabe perdendo espaço diante da presença colossal de Johnson, consegue entregar performances vocais à altura das composições originais de Lin-Manuel Miranda.

Moana
Reprodução

Transformar a animação em “realidade”, no entanto, cobra o seu preço, e é aqui que o filme tropeça. Em alguns momentos de maior deslumbramento visual — como o confronto contra Te Kā ou a sequência com os Kakamora —, os efeitos especiais funcionam. Em contrapartida, as cenas ambientadas na ilha e na jangada sofrem com a falta de profundidade de campo, deixando evidente o uso de telas verdes artificiais e cenários digitais chapados. O mesmo vale para a interação com os animais digitais, a água e os elementos em CGI do cenário. O brilho e as cores vivas que consagraram a animação se perdem em uma paleta por vezes sem vida e artificial.

Outro ponto que chama a atenção negativamente é a sutil mudança na dinâmica entre os protagonistas. Na animação, Moana se firmou como um ícone de independência: uma heroína que, apesar de errar e cair da jangada várias vezes, não precisava de um príncipe ou de um semideus para salvá-la; ela resolveria seus problemas por conta própria. No live-action, a personagem parece muito mais dependente da presença e das decisões de Maui, ofuscada pela persona gigantesca de The Rock.

Moana é apenas uma reprise de luxo

No fim das contas, o live-action de Moana funciona como uma reprise de luxo. É uma versão cara e com atores reais de uma história que você já conhece de cor. Se você é um fã fervoroso do universo de Motunui, com certeza vai se divertir e cantar junto no cinema.

No entanto, a sensação de déjà vu levanta um alerta sobre os rumos das adaptações do estúdio. Com o live-action de Lilo & Stitch conquistando boas bilheterias e o projeto de Enrolados já em desenvolvimento, fica claro que a Disney não pretende abandonar essa fórmula tão cedo.

Moana
Reprodução

Comercialmente, não dá para negar que a ideia é lucrativa. Moana faz parte de uma “Era de Ouro Moderna” do estúdio, que enfileirou sucessos de público e crítica como Enrolados, Zootopia, Detona Ralph e Frozen — com este último e a própria Moana se tornando as marcas mais valiosas da empresa nos últimos anos, gerando sequências bilionárias e uma imensidão de produtos licenciados.

Da mesma forma, outros live-action como O Rei Leão, A Bela e a Fera, Aladdin e Alice no País das Maravilhas faturaram mais de cinco bilhões de dólares somados, enquanto títulos como Mogli, Cruella e Cinderela também alcançaram o sucesso de crítica. Com esse histórico, um alvo é quase certo para o futuro: Frozen terá uma versão live-action em breve, e um anúncio não deve tardar assim que as próximas continuações animadas chegarem aos cinemas.

A grande resposta para o “quem pediu?” de Moana virá nos próximos dias. O resultado das bilheterias vai mostrar se o remake e Dwayne Johnson conseguem sobreviver neste mar confuso e criticado de adaptações, surfando na onda da “fidelidade”, ou se o público vai preferir apenas dar o play na excelente animação de 2016 no Disney+ mais uma vez.

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