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Mister Lonely - Festival do Rio 2007

O retorno de Harmony Korine

Mario "Fanaticc" Abbade
24.09.2007, às 22H00
ATUALIZADA EM 03.11.2016, ÀS 02H14
ATUALIZADA EM 03.11.2016, ÀS 02H14

Mister Lonely (2006) marca o retorno do diretor Harmony Korine após um hiato de 9 anos. Korine esteve afastado por causa de passagens por Centros de Reabilitação devido às drogas. Mas ninguém sentiu muito a sua falta. Seus dois primeiros trabalhos não entusiasmaram o publico e nem a critica especializada. Korine é mais lembrado pelos roteiros de Kids e Ken Park, ambos dirigidos por Larry Clark, que fizeram mais alarde pelas cenas polêmicas do que por suas qualidades artísticas.

O roteiro dessa nova empreitada também foi escrito por Korine. A trama envolve um imitador de Michael Jackson (Diego Luna) que vive em Paris. Apesar de conseguir imitar todos os trejeitos do astro da música pop, seu agente só consegue que ele se apresente em um asilo. Em uma de suas performances, Michael conhece uma sósia da atriz Marilyn Monroe (Samantha Morton) e desenvolve uma paixão platônica pela dublê da loira platinada. Marilyn convence Michael a acompanhá-la até a Escócia para conhecer seu marido, que imita Charles Chaplin (Denis Lavant), e sua filha, que imita Shirley Temple (Esme Creed-Miles). Todos moram em um castelo que também abriga uma comunidade de sósias de celebridades. Lá Michael conhece imitadores do Papa (James Fox), da Rainha da Inglaterra (Anita Pallenberg), James Dean (Joseph Morgan), Abraham Lincoln (Richard Strange), Chapeuzinho Vermelho (Rachel Korine), Madonna e os Três Patetas. Ao mesmo tempo, Korine desenvolve outra história paralela envolvendo um padre e um grupo de freiras nas selvas do Panamá. Depois de um acidente inusitado, Padre Umbrillo (o cineasta Werner Herzog) pede para que as freiras pulem sem pára-quedas de um avião, como forma de provarem sua fé em Deus.

O nome do filme vem de uma música de Bobby Vinton, que toca durante os créditos de abertura. "Veludo Azul", outra canção de Vinton, já tinha inspirado o cineasta David Lynch na criação do filme homônimo. As semelhanças param por aí. Korine não consegue tirar proveito do argumento curioso. Depois de um inicio promissor, a história vai perdendo ritmo e sai dos trilhos. O humor lentamente vira um melodrama sem sal. A narrativa se torna refém de algumas cenas desconexas, mas bem elaboradas. Seqüências interessantes como o Papa bêbado transando com a Rainha da Inglaterra e um Abraham Lincoln praguejador com jeito de psicopata. A solução seria enxugar as gorduras e diminuir as 2 horas de projeção. A melhor parte do roteiro reside na trama envolvendo o padre e as freiras. Impossível não rir das cenas de humor negro envolvendo a fé e a religião.

Já a trama envolvendo os imitadores resiste o quanto pode, graças às boas interpretações de todos os atores. Com destaque para Diego Luna e Samantha Morton (que engordou para o papel) que se entregaram ao projeto. Outro que chama a atenção é Herzog, pela maneira curiosa que declama os pensamentos e dogmas de Padre Umbrillo. Vale dizer que o cineasta alemão é um grande incentivador do trabalho de Korine.

Uma pena que o cineasta não tenha se inspirado no talento de Herzog na hora de destilar suas próprias idéias. Fica evidente que ele tinha a intenção de flertar com a imagem de uma comunidade alternativa oriunda dos hippies, na qual os forasteiros vivem a margem dos padrões impostos pela sociedade. Talvez a solução seja esconder-se através de rostos de celebridades para conseguir uma aprovação social. Ao mesmo tempo um jogo de mascaras em busca de uma identidade própria. Korine ainda investe na crítica a cultura popular e a falta de individualidade. Conceitos interessantes, mas pouco oxigenados nas mãos.

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