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Millennium | Conheça a série literária dominada por personagens fortes, mortes e polêmicas

Após morte se seu autor, novo livro chega às lojas com novo escritor

Marcelo Forlani, de Londres
26.08.2015
10h44
Atualizada em
26.08.2015
08h29
Atualizada em 26.08.2015 às 08h29

Sabemos que virou clichê chamar um livro de fenômeno literário. Mas não há melhores palavras para descrever a série Millennium. Os três livros escritos por Stieg Larsson - Os Homens que não Amavam as Mulheres (2005), A Menina que Brincava com Fogo (2006) e A Rainha do Castelo de Ar (2007) - venderam espantosas 80 milhões de cópias ao redor do mundo. Larsson, porém, nunca conseguiu desfrutar deste reconhecimento. O autor morreu em 2004, aos 50 anos, e deixou muito mais perguntas do que afirmações sobre os motivos que o levaram a escrever os livros, centrados na jovem hacker Lisbeth Salander e no jornalista de meia-idade Mikael Blomkvist

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É fato que Lisbeth se tornou um exemplo de mulher forte, que não segue ordens de ninguém e trabalha naquilo que gosta e quer. Fruto de uma família desmantelada, ela acaba sendo levada pelo Estado e nunca mais consegue se encaixar na sociedade. Depois que seu tutor, Holger Palmgren, sofre um AVC, ela é encaminhada a Nils Bjurman, que ao ver seu histórico de problemas de comportamento, sexo e drogas, abusa dela - e sofrerá as consequências de seu ato. 

Em seu trabalho como “pesquisadora”, ela usa seu acesso ao submundo para conseguir segredos sobre pessoas e empresas. Um de seus alvos foi o outro protagonista, Mikael Blomkvist, que está no pior momento de sua carreira. Editor da revista Millennium que dá nome à série, ele escreve uma matéria acusando um empresário e é processado. Sem provas concretas e com menos recursos, perde o litígio e praticamente todo seu dinheiro. Resolve se afastar da revista e recebe de um outro milionário uma daquelas ofertas que não se pode recusar: fingir que está escrevendo sua biografia, enquanto na verdade investiga a morte de uma sobrinha, que aconteceu no meio da década de 1960. E para isso receberá muito dinheiro e vingança. 

Este é o ponto de partida das aventuras dos dois, que vão cruzar os caminhos de nazistas, espiões russos metidos com exploração sexual e tráfico humano, assassinos e corpos por todos os lados.

Polêmicas e futuro 

Há uma grande controvérsia sobre o estilo contido no livros. Ex-colegas de trabalho de Larsson dizem que ele não escrevia tão bem. Alguns creditam a edição à sua companheira Eva Gabrielson, com quem viveu por mais de três décadas. A editora, Eva Gedin, já disse em entrevistas que não mexeu na estrutura sem permissão do autor. E há ainda o acaso da tradução, afinal, nem todo mundo consegue ler no original sueco, então muitas traduções vêm da versão inglesa, que guarda uma polêmica própria. Seu tradutor original, Steven Murray, pediu para que seu nome fosse retirado, passando a assinar sob o psudônimo de Reg Keeland. A própria Gabrielson também criticou a versão publicada por Christopher MacLehose, da Quercus Press, de Londres. São tantos ditos e não ditos, que fica difícil saber em quem acreditar. 

O que sabemos é que os livros, que vão ao norte das 450 páginas, são cheios de detalhes exteriores (inclusive sem ter medo de colocar marcas de produtos em evidência) e também dão voz à mente de seus personagens. Mas o que mais chama atenção mesmo é a forma como os fatos vão se desenrolando, em um ritmo que não deixa o leitor parar de virar as páginas. Ajuda, obviamente, o fato dos casos investigados por seus protagonistas, serem cheios de mistérios, violência e bizarrices. 

Agora, dez anos depois da publicação do primeiro livro, após três filmes suecos e um longa-metragem hollywoodiano dirigido por David Fincher e até uma adaptação para os quadrinhos, chegou a hora de uma nova aventura para Lisbeth e Mikael. E como não poderia deixar de ser, a polêmica já está instaurada. O escolhido foi o também jornalista sueco David Lagercrantz, que tem no currículo a bem sucedida biografia do jogador Zlatan Ibrahimovic, atualmente no Paris Saint-Germain.

Gabrielson não leu e não gostou. Mas daqui a pouco será a sua vez de colocar as mãos em A Garota na Teia de Aranha e ter sua própria conclusão. O Brasil está entre os países que vai receber o livro no mesmo dia de seu lançamento mundial, 27 de agosto, via Companhia das Letras.