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Memórias de uma gueixa gera polêmica no oriente

Memórias de uma gueixa gera polêmica no oriente

Ederli Fortunato
30.11.2005
00h00
Atualizada em
06.11.2016
23h03
Atualizada em 06.11.2016 às 23h03

Rob Marshall (Chicago) enfrentou os leões nessa terça-feira, 29, ao fazer a pré-estréia de Memórias de Uma Gueixa em Tóquio.

Baseado no livro de Arthur Golden, o filme conta a história de uma menina japonesa vendida a uma casa de gueixas em Kyoto e seu treinamento para se tornar uma gueixa profissional. O romance foi duramente criticado por Mineko Iwasaki, a ex-gueixa que o autor entrevistou. Na opinião de Iwasaki, Golden transformou as gueixas em prostitutas, uma diferença que os ocidentais raramente entendem. O livro, na verdade, estabelece as diferenças em vários momentos, mas, isso não impediu a ex-gueixa de lançar suas próprias memórias em Geisha of Gion: The Memoir of Mineko Iwasaki.

Ao lado das críticas ao livro, o filme foi bombardeado pela comunidade japonesa ao escalar a chinesa Zhang Ziyi (O tigre e o dragão) no papel principal, além da malaia Michelle Yeoh (O tigre e o dragão) e da chinesa Gong Li (2046) em outros dois papéis importantes. O diretor Chen Kaige foi um dos críticos, ao dizer que as chinesas não poderiam ter sido escaladas, alegando que os movimentos e expressões faciais exigidos estão muito enraizados na cultura japonesa para serem interpretados por estrangeiras.

A falta do que a comunidade japonesa chama de identidade cultural do filme, é completada por um diretor estadunidense e atinge até as locações na Califórnia, crítica que esquece, por exemplo, que a Áustria de Amadeus foi quase toda composta por cenas feitas em Praga.

O elenco também foi criticado na China, onde um site atacou Ziyi por aceitar o papel de uma prostituta japonesa e amante de um japonês, interpretado por Ken Watanabe (O último samurai, Batman). O choque tem raízes na Segunda Guerra Mundial, quando milhares de chinesas foram vítimas das forças japonesas.

Além do elenco e das locações, as cenas de dança foram consideradas erradas e os quimonos alterados para serem mais sexy. A maquiagem branca também foi retirada para agradar ao público ocidental. Estes detalhes prometem enraivecer não só os japoneses comuns, mas, também as verdadeiras gueixas, cujos movimentos de dança exigem anos de treinamento e que pagam fortunas por quimonos elaborados, nos quais cada dobra, cor e desenho tem imenso significado. As profissionais reafirmam a tradução da palavra gueixa como pessoa de arte, insistindo que os homens pagam pela companhia de sua conversa inteligente, dança e poesia, e não por favores sexuais. O livro de Golden, no entanto, mostra o leilão da virgindade de Sayuri, o que para as verdadeiras gueixas é um ataque à sua profissão.

Marshal reconheceu as dificuldades da produção, que colocou os atores numa oficina de seis semanas sobre a cultura das gueixas, e comentou durante a pré-estréia que espera mudar a idéia ocidental de que as gueixas são apenas prostitutas chiques. Por enquanto, ele conseguiu apenas criar um produto que atrai críticas de todos os envolvidos, o que pode ser bom para gerar curiosidade e uma boa bilheteria.

O longa mostra a trajetória da jovem Sayuri (Ziyi), uma linda órfã levada da vila de pescadores onde morava para a cidade grande, onde aprende os milenares costumes das gueixas com Mameha (Yeoh), sua elegante e experiente mentora. Ken Watanabe vive um poderoso executivo pelo qual a jovem Sayuri se apaixona - algo proibido para as mulheres de sua profissão, segundo o restrito código pelo qual elas vivem.

O filme estréia dia 9 de dezembro nos Estados Unidos, de olho nas indicações para o Oscar.

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