Martin Scorsese entra em startup de IA mas limita uso da ferramenta
Cineasta de 83 anos usou IA para storyboards em novo filme e diz que tecnologia é "criativamente libertadora"
Créditos da imagem: Reprodução
Em entrevista ao The New York Times, Martin Scorsese anunciou que se tornou consultor e parceiro da Black Forest Labs, uma startup de inteligência artificial generativa especializada em geração de imagens. O diretor de 83 anos afirmou que utilizou a tecnologia durante a pré-produção de um novo filme, especificamente para a criação de storyboards.
"Estou interessado na interseção entre tecnologia e narrativa, e em ver como isso pode expandir os limites da criatividade para criar experiências mais profundas e ricas para o público. Lembrem-se, o cinema é um meio jovem, com apenas cerca de 125 anos, então precisamos estar abertos a como ele pode evoluir", disse Scorsese no comunicado.
O cineasta explicou que, por 70 anos, criou seus próprios storyboards. "Sempre houve esse problema de como comunicar o que você vê em sua mente para seu elenco e equipe. Agora com esta ferramenta, posso compartilhar o que estou visualizando de forma mais clara e eficiente para minha equipe criativa", afirmou. Ele testou a ferramenta em uma cena e descreveu a experiência como "criativamente libertadora".
A movimentação de Scorsese representa um ponto de virada na postura de Hollywood em relação à IA. Em 2023, a proteção contra a IA generativa foi uma das principais demandas nas greves que paralisaram a indústria. Nos últimos meses, no entanto, a resistência diminuiu. Demi Moore afirmou recentemente que lutar contra a IA "é uma batalha que vamos perder" e sugeriu que encontrar maneiras de trabalhar com a tecnologia é um caminho mais valioso.
O Tribeca Film Festival, de Robert De Niro, exibirá um filme feito inteiramente com IA. No mesmo dia do anúncio de Scorsese, a Amazon MGM Studios revelou uma lista de programas infantis gerados por IA.
Ainda há vozes contrárias. Seth Rogen e Guillermo del Toro se manifestaram contra a tecnologia no último Festival de Cannes. O anúncio da Amazon também foi criticado, levando um participante a desistir do projeto.
O envolvimento de Scorsese com a Black Forest Labs ocorreu por meio da BroadLight Capital, investidora da startup, cofundada por Rick Yorn, empresário do diretor. Michael Ovitz, ex-CEO da Creative Artists Agency, também ajudou a aproximar o cineasta da empresa.
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