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Mamma Mia!

Cuidado! Você vai sair do cinema cantando as músicas do ABBA!

Marcelo Forlani
11.09.2008
17h00
Atualizada em
21.09.2014
13h39
Atualizada em 21.09.2014 às 13h39

A palavra que melhor explica Mamma Mia! (2008) é diversão. Aquela gostosa bagunça sem culpa nem medo do ridículo em que as pessoas invariavelmente acabam se atirando em festas de casamento, lá pelas tantas horas, quando a bebida já faz seu efeito e, do nada, óculos coloridos de plástico, plumas e paetês aparecem nas mãos dos convidados. A trilha sonora - tanto no filme quanto nas festas - sempre acaba passando pela disco setentista, incluindo aí os "hinos" criados pelo ABBA.

 

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A idéia de utilizar as canções dos suecos em uma história surgiu no século passado, sob os últimos resquícios de glitter dos anos 80, mas só veio a se concretizar em 1999, quando a peça estreou em Londres e depois foi exportada para a Broadway e rodou o mundo. A trama - tanto da peça quanto do filme - começa às vésperas do casamento de Sophie (Amanda Seyfried) com Sky (Dominic Cooper). A jovem, de 20 anos, sonha com a noite mais importante de sua vida e com seu pai a deixando no altar. O único problema é que a menina não sabe quem ele é. A única pista está no diário de sua mãe, Donna (Meryl Streep), que na época tinha três namorados, Bill Anderson (Stellan Skarsgård), Sam Carmichael (Pierce Brosnan) e Harry Bright (Colin Firth). Na dúvida, ela chama os três, sem o conhecimento da mãe, para o grande dia, na expectativa de que saberá quem ele é quando os olhares se cruzarem.

Quando chegam à ilha grega onde moram Sophie e Donna, os três descobrem que tiveram algo em comum no passado e na véspera do casamento cai a ficha de que o romance do passado teve um fruto, só não sabem que os outros também podem ser os pais. E assim, entre cantorias e rodopios, os dramas vão se desenvolvendo, com a filha sem saber o que fazer, a mãe vendo reacender chamas do passado e os já velhacos ex-namorados perdidos no meio dos números musicais, que não têm nada de inovador.

Chama a atenção, porém, a forma como as canções foram gravadas. Normalmente, os atores apenas dublam durante as filmagens o que já gravaram no estúdio. Aqui, algumas cenas utilizam os vocais que foram capturados in loco, o que dá um ar de "realismo" maior e, sem dúvida, reflete na sincronicidade dos lábios com as canções. Este realismo, que foi escrito entre aspas na frase anterior, é porque é evidente que não há como criar um musical realista. Ninguém sai cantando suas emoções por aí. Pelo menos ninguém que eu conheça. E devo dizer que infelizmente a fotografia não corrobora com esta busca pelo real. Em diversas cenas, fica visível a utilização de iluminação artificial tamanha a sua discrepância com a luz natural que ilumina a bela Grécia.

Em suma, Mamma Mia! é a antítese musical de Sweeney Todd (2007). Onde há escuridão e personagens sombrios no filme de Tim Burton, sobram luzes e sorrisos neste novo musical. A morte de um contrasta com a celebração da vida do outro. E não me julguem erroneamente, pois nada disso faz de Mamma Mia! melhor. Que Meryl Streep se divertiu filmando, não há dúvidas. Que existe a certeza de você sair do cinema com as músicas na cabeça, também não. Cuidado, apenas para não se empolgar demais. Assim como nas festas de casamento, a ressaca moral no pós-festa pode ser insuportável. ("Não, eu não dancei a 'Dança do Quadrado''... ou dancei?")

Assista a clipes do filme

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