Malasartes e o Duelo com a Morte | "Há uma ingenuidade que contrasta com o cinismo contemporâneo”, diz diretor
Paulo Morelli fala sobre a comédia rural, cheia de efeitos especiais, que pode elevar as bilheterias brasileiras
Depois de seis meses de vacas magras e frustrações com potenciais blockbusters que mal passaram da casa dos cem mil pagantes, o cinema brasileiro chega ao segundo semestre de 2017 apostando em diferentes gêneros, entre os quais uma vertente do humor responsável por muita alegria no coração e no bolso de nossos exibidores no passado: a comédia rural. Malasartes e o Duelo com a Morte, que será exibido neste domingo (6) em Fortaleza, em competição pelo prêmio de melhor filme no Cine Ceará, vai estrear no dia 10 de agosto com uma engenharia de efeitos especiais inédita para os padrões nacionais. Mas por baixo dela, há uma trama, protagonizada pelo ator Jesuíta Barbosa, que dialoga com uma tradição de sucesso em nossas telas, imortalizada nos filmes de Amácio Mazzaropi, que é a da cultura caipira. Neste longa-metragem dirigido por Paulo Morelli (de Cidade dos Homens – O Filme), sob a grife da O2 (a produtora de Cidade de Deus) Malasartes é um malandrão profissional que, em meio aos esforços para namorar a bela Áurea (Ísis Valverde), tem que enfrentar a Morte (Julio Andrade) em car... em pele e osso. Na entrevista a seguir, Morelli explica como a produção foi idealizada.
Omelete: Qual é o heroísmo pícaro (malandro) possível para os tempos de hoje, deste Malasartes que encara a Morte? Que herói é Malasartes?
Morelli: O Malasartes dessa versão é o pícaro, o malandro do inconsciente coletivo brasileiro, mas de certa maneira um malandro de outra época, já que esse tem princípios e certas 'linhas' ele não cruza. Um herói malandro e ao mesmo tempo de bom coração. Esse Malasartes traz uma certa ingenuidade que intencionalmente contrasta com o cinismo contemporâneo.
Omelete: Como foi elaborada a engenharia de efeitos especiais do filme e o quanto ela aposta no lúdico, na fábula?
Morelli: Os efeitos especiais estavam previstos desde antes das filmagens e foram planejados com cuidado. Mas a qualidade do trabalho dos artistas do 3D e da Composição de Imagens, superou em muito minhas melhores expectativas. Eles me entregaram um mundo mágico que permitiu que a estória fosse contada na sua plenitude, dando credibilidade a um mundo fantástico e fabular.
Omelete: De que maneira este filme dialoga com a tradição da comédia rural, de Mazzaropi e cia?
Morelli: O filme traz com igual presença e intensidade o mundo rural e o mundo mágico. O Mazzaropi construiu um Malasartes essencialmente rural, fiel à tradição oral, com diversos e divertidos “causos”. Já esse novo Malasartes, por um lado, se nutre da mesma fonte do folclore brasileiro (fonte essa que alimentou personagens como Jeca Tatu e João Grilo), e por outro, coloca um novo viés ao trazer a questão da liberdade versus aprisionamento, livre-arbítrio versus destino. Essa é a porta de entrada para o mundo mágico que aparece no filme. De outra maneira, podemos dizer que o filme se propõe a conectar o mundo rural de um pícaro atemporal, com o mundo mitológico de entidades que controlam o destino humano, numa aventura onde o que está em jogo é a conquista da liberdade.
Editar comentário
Excluir comentário
Confirmar a exclusão do comentário?
Comentários (0)
Os comentários são moderados e caso viole nossos Termos e Condições de uso, o comentário será excluído. A persistência na violação acarretará em um banimento da sua conta.
Faça login para comentar e avaliar
Compartilhe sua opinião, publique críticas e participe das discussões com a comunidade Omelete.Escrever comentário