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Louis C.K. confirma acusações de assédio: "essas histórias são verdadeiras"

Denúncias foram publicadas ontem (9), pelo New York Times

Mariana Canhisares
10.11.2017
17h00
Atualizada em
10.11.2017
21h17
Atualizada em 10.11.2017 às 21h17

O comediante Louis C.K. respondeu às acusações de assédio, publicadas pelo New York Times, afirmando que "essas histórias são verdadeiras". Confira declaração na íntegra do comediante (via TV Line):

"Queria falar sobre as histórias contadas no New York Times pelas cinco mulheres chamadas Abby, Rebecca, Dana e Julia, que sentiram que poderiam se identificar e aquela que não.

Essas histórias são verdadeiras. Na época, dizia para mim mesmo que o que fazia era ok, porque nunca mostrei meu pênis a uma mulher sem perguntar antes, o que também é verdade. Mas o que aprendi mais tarde na vida, tarde demais, é que quando você tem poder sobre outra pessoa, pedir para ela que olhe para o seu pau não é uma pergunta. É uma situação embaraçosa. O poder que eu tive sobre suas mulheres é o fato de que elas me admiravam. O poder que eu tinha sobre essas mulheres é que elas me admiravam. E exerci esse poder de forma irresponsável.

Sinto remorso sobre as minhas ações. E eu tentei aprender com elas. E fugi delas. Agora estou ciente da extensão do impacto das minhas ações. Aprendi ontem o quão mal consigo mesmas fiz essas mulheres que me admiravam se sentirem, além de deixá-las cautelosas com homens que jamais as colocariam nessa posição.

Também tirei vantagem do fato de que eu era amplamente admirado na minha e na comunidade delas, o que as impediu de compartilhar suas histórias e trouxe dificuldades para elas quando tentaram, porque as pessoas não queriam ouvi-las. Não pensei que fazia essas coisas, porque minha posição me permitia não pensar a respeito. Não me perdoo por nada disso. E eu tenho que me reconciliar com quem eu sou. O que não é nada se comparada à tarefa que deixei a elas.

Gostaria que eu tivesse reagido à altura de suas admirações, sendo um bom exemplo para elas como homem e dado alguma orientação enquanto comediante, também porque eu admirava seus trabalhos.

O maior arrependimento de se viver é quando você faz algo que machuca alguém. E mal consigo dimensionar a dor que causei a elas. Seria negligente da minha parte excluir a dor que trouxe para as pessoas com as quais trabalho e já trabalhei, cujas vidas profissionais e pessoais foram impactadas por tudo isso, incluindo projetos atualmente em desenvolvimento: elenco e produção de Better Things, Baskets, The Cops One Mississippi e I Love You Daddy. Eu me arrependo profundamente que isso tenha trazido atenção negativa a meu agente Dave Becky, que apenas tentou mediar a situação que causei. Eu trouxe angústia e dificuldades a pessoas da FX, que me deram tanto, a Orchard que me deu a chance de fazer o filme, e todas as outras entidades que apostaram em mim ao longo dos anos.

Trouxe dor para minha família, meus amigos, meus filhos e sua mãe. Passei minha carreira longa e sortuda falando qualquer coisa que eu queria. Agora, vou dar um passo para trás e tomarei um tempo para ouvir.

Obrigado por ler".

Cinco mulheres afirmam que Louis C.K. as assediou durante os anos 2000, de acordo com reportagem do New York Times publicada ontem (9). Segundo os relatos, o comediante se masturbava em frente às vítimas - leia mais.

Assédio em Hollywood

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