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Leões e Cordeiros

Robert Redford tenta despertar seus conterrâneos com filme político

Érico Borgo
08.11.2007
16h00
Atualizada em
21.09.2014
13h30
Atualizada em 21.09.2014 às 13h30

Sete anos depois de seu último filme como diretor, o engajado Robert Redford tenta fazer pelo seu país o mesmo que fez pelo cinema independente.

Ao longo de 90 minutos, Leões e Cordeiros (Lions for Lambs) apresenta três tramas paralelas, mas que têm pontos de conexão. Meryl Streep vive uma jornalista que ouve de um congressista republicano (Tom Cruise) a nova estratégia dos EUA para vencer a guerra. Tal estratégia de combate emprega pequenos grupos avançados em pontos-chave do território afegão. Num desses grupos estão Arian Finch (Derek Luke) e Ernest Rodriguez (Michael Pena), amigos e soldados que caem sozinhos numa montanha nevada - e aos poucos são cercados pela milícia Talebã. Os dois são ex-alunos de Stephen Malley (Redford), um professor idealista que tenta inspirar outro dos seus alunos mais promissores (Andrew Garfield) a fazer algo pelo seu país. Ele tentou desencorajar Finch e Rodriguez de se alistarem, mas entende seus motivos.

Lions for Lambs

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Leões e Cordeiros

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São três debates sobre o papel e responsabilidades da imprensa, governo e população nos rumos dos Estados Unidos. Cada segmento é basicamente um grande diálogo entre dois personagens com visões opostas sobre os problemas do país.

Mas a impressão ao assistir ao filme - que Redford dirige e produz - é que ele só atingirá o público que já está cansado de saber dos temas ali presentes. Além disso, o roteiro de Matthew Carnahan tem uma estrutura interessante, mas não diz nada de novo, mesmo com um ininterrupto falatório. A crítica ao governo Bush é clara, mas redundante - um teletubbie democrata. Até o título do filme é mal pensado... ele vem, como Redford explica no filme, da impressão que alemães tinha de soldados britânicos na Primeira Guerra Mundial - "Leões liderados por cordeiros". Bush e companhia não podem, de maneira alguma, serem considerados cordeirinhos...

De qualquer maneira, o drama político tem momentos. É sempre bom assistir a um elenco de qualidade trabalhando sobre um tema com o qual se preocupa e o segmento com Streep e Cruise (ainda que ele dê aquele sorriso de sempre, com a veia saltada) é, de longe, o melhor. A certeza do senador de que a estratégia recolocará os EUA em seu lugar de direito, como uma força do bem no mundo, e o ceticismo da jornalista são transmitidos com um misto de intensidade e sutileza pelos dois atores que funciona muito bem.

Um filme bem intecionado, sem dúvida, mas dar alguma consciência política ao povo dos Estados Unidos (ou pelo menos à metade que não tem) é bem mais difícil que criar Sundance.

Assista a clipes do filme