Filmes

Entrevista

Lanterna Verde | Omelete entrevista o produtor Donald De Line

Saiba como foi a origem do projeto, as dificuldades encontradas, a seleção de Ryan Reynolds, a escolha do vilão Paralax...

Érico Borgo
17.05.2011
15h00
Atualizada em
01.08.2018
17h00
Atualizada em 01.08.2018 às 17h00

O Omelete esteve no set de Lanterna Verde(Green Lantern) em New Orleans em julho de 2010, onde conversamos com o diretor Martin Campbell, Ryan Reynolds (Hal Jordan/Lanterna Verde), Mark Strong (Sinestro) e com o produtor Donald De Line, com quem publicamos agora a primeira dessas entrevistas. Leia abaixo como aconteceu a origem do projeto, as dificuldades encontradas, como foi a seleção de Reynolds para o papel, a escolha do vilão Paralax e mais!

Fale um pouco sobre o filme, os principais obstáculos que você teve que lidar para conseguir seguir em frente com o projeto, as partes mais complicadas, o elenco - o por quê de Ryan Reynolds, o que você viu nele...

Lanterna Verde

Abin Sur

Lanterna Verde

A Tropa dos Lanternas Verde em OA

Lanterna Verde

Paralax

Lanterna Verde

Ryan Reynolds como Hal Jordan

Lanterna Verde

Construtos energéticos

Lanterna Verde

None

Donald De Line - Eu sou produtor na Warner Brothers, tenho uma empresa e assinei um contrato com o estúdio. Quando cheguei à empresa, estava olhando a biblioteca dela, mais especificamente a parte da DC Comics, quando percebi que Lanterna Verde era um dos grandes projetos de quadrinhos que ainda não haviam sido explorados. Então começamos a falar com roteiristas por mais ou menos um ano, tentando achar alguém que fosse apaixonado, tivesse uma imaginação rica e pudesse trazer algo que é difícil de transformar em live action.

No final, o trabalho ficou com um amigo meu, Greg Berlanti, que escreveu o roteiro e também é co-produtor ao meu lado, que descobri ser um grande fã de Lanterna Verde desde criança. Curiosamente, eu não sabia disso antes. Estávamos em férias no México com vários amigos, batendo papo, quando o assunto da procura do roteirista veio à tona e ele enlouqueceu, dizendo que era obcecado pelo Lanterna Verde. Ele então criou uma história que nós dividimos em filmes diferentes - espero que, com sorte, consigamos chegar lá - e a levamos ao estúdio, que respondeu de maneira bem positiva. Depois, Greg escreveu um primeiro rascunho do roteiro com mais dois outros caras, Michael Green e Marc Guggenheim. Fizemos apenas duas versões e a Warner gostou muito da segunda.

Foi aí que Martin Campbell entrou para a equipe e começamos com a seleção de elenco, que foi muito cansativa. Nós realmente consideramos todos os jovens de Hollywood já conhecidos e também os novatos para o papel de Hal Jordan. Lemos muitos curriculos, fizemos testes com muitos atores - no escritório, em fita, leituras com o diretor de seleção... e a Warner foi enfática quanto ao uso da máscara. Eles disseram que não contratariam ninguém sem vê-lo com a máscara antes. Como este é meu primeiro filme de super-herói, eu achei bem interessante esse processo e depois de ter falado com vários amigos, que já passaram por isso, percebi o quanto era importante essa transformação. Algumas pessoas ficam bem de máscara e outras pessoas não. Então parte dos testes era usar uma máscara temporária que criamos e fazer parte de uma cena assim, para que pudéssemos ver como eles ficavam com esse pedaço de uniforme.

A partir daí, só ficaram uns cinco caras na concorrência e Ryan Reynolds sempre esteve no topo dessa lista porque ele consegue incorporarquem Hal Jordan é, um cara pretensioso, engraçado e arrogante - mas de maneira bem encantadora e amável. Ele tem uma personalidade fácil e afável e é muito perspicaz. O fato de Hal Jordan ser um piloto de teste meio arruaceiro foi algo que combinou muito com Ryan. Ao mesmo tempo, ele provou que conseguia levar o filme - nos mostrou suas habilidades dramáticas e românticas, necessárias para a relação com Carol Ferris. Eu não sei se vocês assistiram Enterrado Vivo...

Sim, de Rodrigo Cortéz.

Sim! Eu adoro esse filme. Ficamos bem surpresos com isso e acho que Ryan fez um ótimo trabalho. E ele, como vocês puderam ver, sustenta o filme sozinho por duas horas.

Houve alguma discussão interna sobre a viabilidade de Ryan? Afinal ele já estrelou dois outros filmes de super-herói antes.

Você quer dizer Blade: Trinity e uma parte de X-Men Origens: Wolverine?

É, nós falamos sobre isso. Não consideramos Blade parte desse gênero, e Wolverine tinha saido recentemente, mas ele era coadjuvante, não o personagem principal. Sabíamos que a Fox estava interessada em desenvolver o projeto do Deadpool também. Mas sabíamos que ele poderia facilmente ser o Lanterna Verde - e isso certamente não prejudicou nosso interesse nele, pois sentimos que ele era absolutamente a melhor escolha para o papel. Isso ficou bem evidente para nós quando Ryan fez o teste de tela - ele deu uma vida legal ao Hal Jordan de uma maneria bem natural. Nós também fizemos vários testes com diferentes atrizes ao lado de Ryan para Carol Ferris e Blake Lively ficou com o papel.

Você tem comédias e filmes de ação no currículo. Como foi a transição para algo na escala de Lanterna Verde?

Foi de longe uma das coisas mais difíceis que eu já experienciei no cinema. Nós temos o mundo real, que é bem simples, e depois vamos para o espaço, para o centro no universo, em um planeta chamado Oa, que é a estação-base dos lanternas verdes. Lá nós temos 3.600 setores representados da galáxia e 3.600 espécies diferentes. Hal Jordan foi o primeiro humano escolhido para ser um lanterna verde. Então tivemos que criar todo um núcleo de criaturas - obviamente não criamos cada uma das 3.600 espécies, mas escolhemos várias já famosas dos quadrinhos, representadas por personagens como Tomar-Re, Kilowog e Sinestro.

Alguns, como Tomar-Re e Kilowog, são criados totalmente através de computação gráfica e vamos escolher ótimos atores para fazer a voz deles. Vimos o primeiro teste de Tomar-Re completamente animado na semana passada e foi bem legal. Todos os aspectos da criação de um personagem assim são incrivelmente elaborados. E u não tinha ideia de como isso era feito, desde o esqueleto, às texturas, a iluminação, a movimentação deles, como eles falam... sem falar no uniforme, que também teve que ser especialmente criado para cada um desses personagens, já que é uma espécie de energia que reveste a musculatura de cada um e assume diferentes padronagens dependendo da biologia desses personagens.

Enfim, todo o trabalho de computação gráfico - a criação do planeta Oa, o ambiente, as paisagens, todos esses personagens diferentes - as viagens no espaço e as construções na Terra, tudo, por menor que seja, foi um imenso esforço criativo de pesquisa e criação com equipes diferentes de artistas, ilustradores de storyboard e designers disparando ideias. Vamos dos desenhos às animações para depois ver conceitos parcialmente animados - depois aplicando textura e dando substância e qualidades tangíveis à energia verde do anel.

E não para por aí... o fato de Hal canalizar a energia verde quando lhe dão o anel para criar construtos, a energia tem de ser uma coisa real - qual é o som disso? Como esse poder se manifesta no espaço e aqui na Terra, sob gravidades diferentes? Todas essas coisas são desafios muito interessantes em que temos que pensar.

Você acha que o sucesso de Homem de Ferro foi determinante para o início de produção de Lanterna Verde?

Sim, exatamente. Não tínhamos o reconhecimento que outros filmes de super heróis desfrutam, como Superman, Batman ou Homem-Aranha. Então, nós tínhamos que provar que íamos conseguir sucesso como um filme de herói ao qual a audiência precisava ser apresentada ainda - alguém que não tinha a base de fãs que dos outro filmes que eu citei, vinda de séries de TV ou filmes que já haviam sido feitos previamente. Lanterna Verde vai ser realmente uma estreia para o personagem.

Homem de Ferro provou que não é preciso ter uma base de fãs prévia.

Sim, eu acho que se a história é boa e prende a audiência com emoção e entretenimento - se você der ao público alguma coisa que pareça nova e não algo que eles já tenham visto, o público virá até você e o filme conseguirá se manter sozinho. Para nós, o que mais leva Lanterna Verde a um novo nível em relação ao gênero é que a história se passa tanto na Terra como no espaço. Iremos a um outro planeta e poderemos ver espécies alienígenas aqui. Isso é parte do que é único e ainda não foi visto em outro filme de super herói.

Você pode falar um pouco sobre Paralax - como você o escolheu para ser o vilão? Porque ele é um dos vilões mais difíceis na história dos quadrinhos do Lanterna Verde.

Por que você acha que ele é difícil? O que você quis dizer com isso?

Ele nasceu como algo que "infectou" Hal Jordan, uma explicação para a impureza que impossibilitava que o anel manipulasse objetos amarelos, e eles mudaram a essência do personagem por conta disso. E depois Paralax foi sendo desenvolvido ao longo dos anos.

Certo. Bem, nós fomos bastante fiéis à mitologia do Lanterna Verde, mas também tivemos que criar certas coisas para o filme. Então pegamos elementos conhecidos e que serão familiares para os fãs, mas também os adaptamos e criamos coisas novas. Nossa versão de Paralax é uma versão de Paralax, que pode não ser exatamente a mesma versão conhecida através dos quadrinhos. Eu não quero dizer coisas que podem revelar muito sobre a história, coisas que eu quero manter como uma surpresa para a audiência, mas nossa versão do Paralax é um pouco diferente. Nossa história se passa antes de algumas coisas que você comentou, por estarmos contando a história da origem de Hal Jordan, a escolha dele como o primeiro lanterna verde humano. Há histórias paralelas que estão acontecendo na Terra e no espaço que podem colidir. Mas, com Paralax, a grande questão é a disputa entre a força de vontade contra o medo, e como o ser humano é ímpar quando se trata de suas emoções, seu poder de acreditar que tudo é possível e o que isso traz para o âmago do Lanterna Verde.

Paralax é perfeito para a história que queremos contar. Há aqueles no núcleo dos lanternas verdes que não acreditam que um ser humano seja capaz de tornar-se um deles, que não têm certeza de que Hal Jordan possua as qualidades necessárias para ser um patrulheiro. Essa é parte do que a jornada desse filme vai mostrar - e Paralax, personificação do medo e tudo que é anti-força de vontade, realça tudo isso. Então eu acho que vocês vão gostar de como desenvolvemos tudo, ele é um personagem bem interessante, que tem uma história bem interessante por trás, que será desvendada de um certo modo no filme.

Você sente a pressão de fazer um filme sobre a melhor - porque eu acho que Lanterna Verde é a melhor - série da DC ultimamente?

Isso é bom, eu gosto disso!

Sim... nós sentimos uma imensa responsabilidade. E Geoff Johns tem sido um ótimo parceiro, tanto para mim e para os roteiristas como para Ryan [Reynolds] e Martin Campbell. Ele leu todos os rascunhos do roteiro, viu todas as artes, os storyboards... nós todos trabalhamos em conjunto, sempre procurando ser fiéis à essência de como ele recriou a série Lanterna Verde e mantendo as qualidades que realmente o definem. Então eu acho que você, sendo fã, ficará satisfeito que fomos fiéis a todas essas coisas.

Você disse que já tem a ideia para mais duas sequências. Você pensa em termos de Senhor dos Anéis ou coisa do tipo?

Eu acho que tudo isso pode ser possível.

Depende de quantos milhões esse filme arrecadar.

Exatamente. Você obviamente conhece os quadrinhos e sabe o quão longe eles conseguiram chegar, então as possibilidades são infinitas. Nesse filme, temos a escolha de Hal Jordan, mas podemos ir muito além disso.

Vocês têm algum plano para um filme da Liga da Justiça?

Ainda não falamos sobre isso.

Após o Superman produzido por Christopher Nolan e o terceiro Batman...

Tenho certeza de que isso é algo em que a DC e a WB ainda vão pensar.

As demais entrevistas serão publicadas semanalmente aqui no Omelete, sempre às segundas-feiras. Marque a página especial do Lanterna Verdepara não perder nenhuma!