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Kleber Mendonça Filho, Wagner Moura e mais assinam carta aberta sobre eleições presidenciais do Brasil

O produtor vencedor do Oscar Rodrigo Teixeira também é um dos nomes que assinaram o manifesto

Omelete
5 min de leitura
10.10.2026, às 14H03.
Kleber Mendonça Filho, Wagner Moura e mais assinam carta aberta sobre eleições presidenciais do Brasil

Créditos da imagem: Bastidores de O Agente Secreto (Divulgação)

Diversos membros brasileiros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas — a organização por trás dos Prêmios Oscar —, dentre eles os cineastas Kleber Mendonça Filho, Fernando Meirelles, Gabriel Mascaro, e os atores Wagner Moura, Alice Braga e Sônia Braga, assinaram uma carta aberta para a imprensa internacional sobre as eleições presidenciais do Brasil. [via Variety]

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Na carta, preocupações sobre o futuro da democracia brasileira e falas de Flávio Bolsonaro são mencionadas, assim como comparações com seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de estado. 

A carta pode ser lida na íntegra abaixo, com os nomes de todos os seus assinantes em seguida. Confira:

Carta aberta de integrantes brasileiros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas aos nossos colegas da indústria cinematográfica e à imprensa internacional

Nós, profissionais brasileiros do cinema e integrantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, gostaríamos de expressar nossa preocupação com o atual cenário político no Brasil e pedir atenção internacional redobrada ao segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.

A diferença entre os dois candidatos no primeiro turno foi de apenas 1,87 ponto percentual. O Brasil é, portanto, um país profundamente dividido. Ainda assim, estamos testemunhando sinais preocupantes de desrespeito às normas democráticas, incluindo denúncias de possível interferência estrangeira no Brasil, que exigem investigação transparente e escrutínio internacional.

O The Guardian noticiou que o governo dos Estados Unidos destinou aproximadamente US$ 1 milhão de um fundo do Departamento de Estado voltado aos direitos humanos a um programa chamado “Combate à perseguição judicial e à censura no Brasil” (Countering Lawfare and Censorship in Brazil).

Ao mesmo tempo, observadores da mídia levantaram preocupações sobre possíveis distorções no alcance de conteúdos políticos nas plataformas da Meta e pediram uma investigação. Entre os casos mencionados estão as contas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Instagram, que teriam sofrido quedas no alcance, dificuldades de acesso e problemas de visibilidade nos resultados de busca, além da impossibilidade de impulsionar publicações por meio de anúncios pagos. Outro caso envolve um site sediado nos Estados Unidos que promove a compra de anúncios em apoio ao candidato Flávio Bolsonaro em troca de tokens de criptomoedas, sob a promessa de ajudar crianças em situação de vulnerabilidade em Uganda. A Polícia Federal brasileira também investiga suspeitas de pagamentos em dinheiro a eleitores em áreas rurais.

Diversas propostas de Flávio Bolsonaro também exigem atenção especial, incluindo sua promessa de reescrever a Constituição brasileira de 1988, que marcou o fim da ditadura militar e a restauração da democracia no país. Segundo o candidato, uma nova Constituição seria elaborada por um Congresso dominado por uma maioria de extrema direita. Essa declaração é particularmente preocupante diante da tentativa de golpe atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do candidato. O plano incluía o assassinato do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e de seu vice-presidente, Geraldo Alckmin. Jair Bolsonaro está preso em conexão com o caso, enquanto seu filho prometeu conceder-lhe anistia como seu primeiro ato no cargo.

Nossa preocupação é agravada pela maneira como boa parte da grande imprensa brasileira tem normalizado esses acontecimentos, deixando de abordar com a seriedade necessária as acusações contra Flávio Bolsonaro e os crimes atribuídos a seu pai. Além da tentativa de golpe, Jair Bolsonaro foi alvo de uma denúncia apresentada ao Tribunal Penal Internacional, em Haia, em razão das mais de 600 mil mortes por COVID-19 registradas no Brasil durante a pandemia, em meio a ações e omissões de seu governo. A denúncia argumenta que mais da metade dessas mortes poderia ter sido evitada.

Seu governo também foi associado ao retorno do Brasil ao Mapa da Fome das Nações Unidas. Agora, seu filho promete cortes nos gastos com a seguridade social inspirados nas políticas de austeridade do governo de Javier Milei, na Argentina. A omissão ou a minimização desses fatos contribui para a desinformação pública e enfraquece a defesa da democracia.

Como profissionais da cultura, compreendemos o custo que essas políticas de austeridade podem impor ao nosso setor. Durante o governo anterior, a indústria audiovisual brasileira sofreu com o fechamento do Ministério da Cultura, a suspensão do Fundo Setorial do Audiovisual, o enfraquecimento das instituições culturais e denúncias de censura. Tememos um retorno a esse cenário. Proteger a liberdade de expressão e garantir a sustentabilidade de longo prazo da indústria audiovisual brasileira são objetivos inseparáveis da defesa da democracia.

Entendemos os acontecimentos em curso no Brasil como parte de um padrão mais amplo de suposta interferência eleitoral na América Latina. A defesa da democracia brasileira deve, portanto, estar não apenas nas mãos do povo brasileiro, por meio de eleições livres, justas e transparentes, mas também contar com a vigilância e o engajamento da comunidade internacional.

Pedimos à imprensa internacional que cubra esse processo eleitoral com rigor, à comunidade audiovisual internacional que amplifique o debate e às instituições competentes que investiguem essas denúncias de forma independente.

Assinam:

Adrian Teijido
Alê Abreu
Alice Braga
Andrea Barata Ribeiro
Anita Rocha da Silveira
Anna Muylaert
Anna Van Steen
Bernardo Uzeda
Carlos Segundo
Carolina Markowicz
Claudia Kopke

Daniel Filho
Daniel Rezende
Daniela Thomas
Eduardo Serrano
Eliza Capai
Emilie Lesclaux
Emilio Domingos
Fernando Meirelles
Flávia Amon
Flávia de Souza
Gabriel Domingues
Gabriel Mascaro
Helena Solberg
Heloisa Passos
Ilda Santiago
Jefferson De
Jorge Bodanzky
José Joffily
Juliana Rojas
Karen Akerman
Karen Harley
Karim Ainouz
Kleber Mendonça Filho
Lais Bodanzky
Lucy Barreto
Maeve Jinkings
Marcelo Caetano
Maria Augusta Ramos
Mariana Oliva
Matheus Farias
Maurício Zacharias
Miriam Biderman
Otto Guerra
Paula Barreto
Pedro Kos
Petra Costa
Plínio Profeta
Renata Almeida Magalhães
Rodrigo Teixeira
Sara Silveira
Sônia Braga
Tatiana Leite
Thales Junqueira
Vânia Catani
Vera Hamburger
Wagner Moura
Waldir Xavier
Wilssa Esser

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