Aïnouz prepara trilogia conectada a Motel Destino, com faroeste e filme de assalto
Cineasta revelou ao Omelete os planos para Trevo de Quatro Navalhas e Lana Jaguaribe
Créditos da imagem: Karim Aïnouz durante entrevista ao Omelete, e cena de Motel Destino (Reprodução)
A “trilogia cearense” de Karim Aïnouz promete levar muitas emoções – e novos gêneros – para as salas de cinema brasileiras nos próximos anos. Inspirado pelo trabalho em Motel Destino, o diretor prepara outros dois longas (Trevo de Quatro Navalhas e Lana Jaguaribe) conectados aos temas e ao universo do thriller erótico estrelado por Fábio Assunção, lançado em 2024.
O Omelete conversou com Aïnouz durante o Festival do Rio 2026, onde ele divulga Rosebush Pruning – longa em inglês com Callum Turner e Elle Fanning, que estreia em 15 de outubro nos cinemas – e pediu detalhes desses novos projetos. Confira o trecho!
OMELETE: Eu ouvi falar da tal "trilogia cearense", que começou com Motel Destino e vai ter outros capítulos, e achei essa ideia maravilhosa. De onde saiu a vontade de continuar explorando esse universo, e o que o público pode esperar dos próximos filmes?
AÏNOUZ: Eu saí de Motel Destino muito feliz como autor, como realizador, por ter filmado não só em português, mas com o meu sotaque, num lugar que eu adoro, onde eu nasci e cresci... E ao mesmo tempo saí com uma sensação de insatisfação, de "eu quero mais".
E aí eu fiquei muito pensando também no tema da solidariedade, que é central de Motel Destino – o Heraldo e a Dayana, apesar de completamente diferentes, se unem para lutar contra o Elias, para se libertar do jugo dele. Esse tema é tão crucial, especificamente hoje, porque parece que a gente perdeu a noção de solidariedade. E por último meu desejo de experimentar com gêneros cinematográficos que nunca fiz. Eu nunca fiz um faroeste, e sempre quis fazer; eu nunca fiz um filme de cerco, de assalto... e cada um dos filmes da trilogia mergulha em um desses gêneros.
Então é um pouco de cada coisa. E olha que engraçado isso, né? Você faz um filme em língua estrangeira [como Rosebush Pruning] e, quando volta para filmar em português, especificamente Eu tenho essa vontade de fazer um cinema brasileiro que seja comercial, mas que tenha qualidade artística, um cinema que não seja drama, mas que tenha especificamente adesão a um gênero cinematográfico que eu acho que pode de fato se comunicar tanto no Brasil quanto com o mundo.
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