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James Cameron dispara contra acordo da Warner Bros. com a Netflix: “Desastre”

Diretor declara preferência à Paramount

Omelete
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20.02.2026, às 11H23.
Atualizada em 20.02.2026, ÀS 11H54
James Cameron dispara contra acordo da Warner Bros. com a Netflix: “Desastre”

O premiado diretor James Cameron quebrou o silêncio e criticou a compra da Warner Bros. pela Netflix, alertando para os prejuízos que os cinemas e a indústria teriam. A opção mais segura, segundo ele, é fechar com a Paramount.

Em carta enviada a um senador dos Estados Unidos, Cameron afirmou que o modelo da Netflix entra em confronto direto com o lançamento tradicional nas salas de cinema. “O modelo de negócios da Netflix está em direta oposição ao setor de produção e exibição de filmes em cinemas”, escreveu.

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A principal preocupação é que, sob controle da Netflix, filmes da Warner provavelmente terão janelas de exibição muito curtas ou até serem lançados diretamente no streaming. Segundo Cameron, isso reduziria o público nas salas e colocaria em risco milhares de empregos ligados ao setor.

O cineasta também teme um efeito dominó na indústria, incluindo fechamento de cinemas e redução na produção de grandes filmes. “Os cinemas fecharão. Menos filmes serão produzidos… A perda de empregos será exponencial”, alertou.

Embora a Netflix tenha prometido manter lançamentos nos cinemas por cerca de 45 dias, Cameron demonstrou ceticismo, argumentando que a empresa pode mudar de estratégia no futuro. Ele destacou que os lançamentos cinematográficos feitos pela plataforma até hoje foram limitados e muitas vezes voltados feitos apenas para participar de premiações.

Em declarações anteriores, o diretor já havia deixado clara sua preferência por outra solução para a negociação. “A Paramount é a melhor escolha. A Netflix seria um desastre”, disse, citando também comentários do CEO da plataforma de que os cinemas seriam um modelo ultrapassado.

Tudo sobre a aquisição da Warner pela Netflix

A Netflix anunciou um acordo para adquirir a Warner Bros. Discovery (WBD) num dos maiores negócios da história do entretenimento global. A operação combina dinheiro e ações — avaliando a WBD em US$ 27,75 por ação — e totaliza quase US$ 83 bilhões em valor empresarial, com US$ 72 bilhões em valor de mercado para os acionistas. 

O que muda para a Netflix?

  • A Netflix alavanca seu crescimento ao incorporar um vasto catálogo histórico de filmes e séries, incluindo ativos premium como HBO/HBO Max, além de estúdios e franquias icônicas.

  • A ação representa uma mudança significativa no modelo tradicional da Netflix, que até então crescia principalmente por produção orgânica e licenciamento, e agora passa a integrar grandes ativos tradicionais de Hollywood.

  • A operação ainda dependerá de aprovações regulatórias, podendo enfrentar escrutínio antitruste.

Expansão estratégica e pressões regulatórias

A aquisição marca uma mudança na estratégia da Netflix, que historicamente cresceu com produções próprias e licenciamento. Sob seu guarda-chuva, o estúdio Warner passaria a operar com fluxo próprio, mantendo lançamentos de cinema com janelas tradicionais e uma estrutura híbrida entre streaming e exibições teatrais — uma expansão do modelo atual da plataforma.

O negócio, porém, enfrenta resistência. Cineastas e produtores pediram ao Congresso dos EUA um escrutínio antitruste rigoroso, alegando risco de concentração de mercado. Legisladores também solicitaram avaliações detalhadas sobre impacto em concorrência, distribuição e relações trabalhistas no audiovisual.

Disputa acirrada e críticas entre concorrentes

Durante o processo, a Paramount Skydance questionou a lisura da venda e acusou a WBD de favorecer a Netflix. A empresa defendeu a criação de um comitê independente para avaliar as propostas, enquanto grupos políticos republicanos também demonstraram preocupação pública com a expansão da Netflix sobre operações de TV e cinema.

O que acontece agora e resposta do governo

As negociações seguem exclusivas por prazo limitado e podem resultar num anúncio oficial caso Netflix e WBD alinhem os termos finais. Depois disso, o acordo ainda precisará passar pelo crivo dos reguladores — etapa que pode se prolongar ao longo de 2026.

A proposta da Netflix chamou atenção dos órgãos regulamentadores nos Estados Unidos, com a representante republicada Darrell Issa fazendo uma carta em novembro para a Procuradora-Geral dos EUA, Pam Bondi, e ao presidente da FTC, Andrew Ferguson, e à Procuradora-Geral Adjunta da Divisão Antitruste do Departamento de Justiça, Gail Slater.

A Netflix é a principal líder no mercado de streaming, e a aquisição da HBO Max, representaria uma grande disrupção no cenário dos serviços de streaming. Devido a esses problemas, a Paramount teria enviado uma carta ao time legal da Warner avisando que a negociação com a Netflix pode não se concretizar devido aos órgãos regulamentadores, e também acusando a empresa de favorecer o streaming nas negociações. 

 

 

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