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O Gigante de Ferro

Iron Giant

Pedro Hunter
07.08.2000
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h11
Atualizada em 21.09.2014 às 13h11

Existem alguns filmes que, sem motivo aparente, tornam-se enormes sucessos de público. Pelo mesmo princípio, existem outros que, a despeito de suas qualidades, são enormes fracassos; de tão severa, a condenação chega a ponto de relegá-los ao fundo das prateleiras das videolocadoras ou, destino ainda pior, a eternas reprises nos canais de TV a cabo. Tais películas nunca mais serão agraciadas com exibições nas telas de cinema para as quais foram criados, a não ser em raras mostras de cinema, às quais poucos espectadores comparecem e onde se perguntam o que, afinal, tinham de tão terrível para provocar tamanha indiferença.

O Gigante de Ferro (Iron Giant) é um destes filmes.

O Gigante de Ferro

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O desenho animado, fracasso absoluto de público nos EUA, provavelmente nunca será lançado nos cinemas brasileiros. Talvez nem chegue aos videocassetes ou TVs a cabo! Mas alguns poucos freqüentadores do evento Anima Mundi 2000 tiveram o privilégio de apreciá-lo. E assistiram ao melhor desenho animado de ficção científica feito nos EUA em muitos anos.

O Gigante de Ferro é a história de um robô gigante vindo do espaço, que cai na Terra (mais exatamente em uma cidadezinha dos EUA) durante os paranóicos anos 50. Sem nenhuma memória de sua programação original, o robô faz amizade com um menino, que o transforma em seu "bichinho" de estimação. Mas a chegada de um mal-intencionado agente governamental coloca em risco a vida de ambos.

A história é simples, mas não simplória, nem infantil demais para os adultos, nem muito sofisticado a ponto de afugentar as crianças. Sentimental, movimentado e muito bem humorado, o roteiro faz deste desenho um programa interessante para espectadores de todas as idades, algo que os estúdios Disney tentam todos os anos mas só conseguem ocasionalmente.

Os dubladores, mistura de atores de segundo escalão com totais desconhecidos, cumprem seu trabalho de forma convincente. Embora não sejam o elenco estelar dos desenhos da Disney, mostram talento na interpretação das personagens. Estas, aliás, muito bem construídas.

Fãs de gibis terão interesse especial no filme devido às repetidas menções a revistas e personagens de quadrinhos (especialmente o Super-Homem). Até mesmo a série cult Spirit recebe uma menção!

E a animação? Bem, ela alternou cenas feitas à mão com animação computadorizada de última geração, ambas integradas de forma perfeita, a ponto de serem praticamente indistinguíveis, algo em que o mais recente – e caro – Titan A.E. falhou miseravelmente. O resultado é um visual mais clássico, similar ao utilizado nos desenhos animados americanos dos anos 40 e 50. Apesar das propaladas dificuldades financeiras que o filme enfrentou durante sua execução, os produtores souberam contornar habilmente qualquer deficiência. Embora o resultado não tenha o esplendor visual de um filme da Disney nem o apuro técnico das melhores cenas de Titan A.E., Iron Giant não traz deficiências no quesito de animação, e impressiona os espectadores numerosas vezes.

"Mas por que, então, o filme foi ignorado pelo público? Ele não tem nenhum defeito?". Bem, ele tem um defeito. A distribuidora, que não demonstrou consideração alguma com a obra acabada. Lançando o filme praticamente sem publicidade, em circuito extremamente limitado. Mesmo após numerosos elogios da crítica especializada, retirou-o de cartaz em pouquíssimo tempo. Talvez o desenho não tivesse todo o apelo comercial do mais recente sucesso de animação da Warner (o japonês Pokemon, o Filme), mas com a mesma publicidade, provavelmente, teria sido lucrativo.

Resumindo, se você não viu, torça para a Warner se apiedar do público brasileiro e lançar o filme (ao menos em vídeo) nestas bandas. Parece uma possibilidade remota, mas coisas mais improváveis (como o recente relançamento de Heavy Metal: Universo em Fantasia no cinema) já aconteceram.