Midori Francis, de Insaciável: Horror corporal é subgênero “feminino e queer”
Longa chega aos cinemas brasileiros em 6 de agosto
Créditos da imagem: Midori Francis em cena de Insaciável (Reprodução)
Midori Francis adorou mergulhar no mundo do horror corporal para Insaciável, filme de Natalie Erika James (Relíquia Macabra) sobre uma jovem estudante de medicina que começa a ser assombrada por um fantasma faminto após começar um tratamento, digamos, experimental para perda de peso.
Em entrevista ao Omelete, a atriz de títulos como A Vida Sexual das Universitárias e Dash & Lily comentou sobre a recente alta do subgênero, que produziu filmes badalados como Grave (2021), A Substância (2024) e A Meia-Irmã Feia (2025) - todos com direção feminina, não por acaso.
Confira o trecho do papo a seguir, onde Francis também comenta sobre o bom ano para o terror nas bilheterias, e como é fazer parte desse movimento.
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OMELETE: Eu adoro que Insaciável faz parte dessa onda incrível de filmes de body horror que estamos tendo agora. Todos dirigidos por mulheres, a propósito. Então, por que você acha que isso se tornou uma tendência tão forte e o que Insaciável acrescenta a essa conversa?
FRANCIS: Uma das coisas em que venho pensando é como estamos na fronteira de nos tornarmos cada vez mais parecidos com robôs. Nunca houve um momento em que estivéssemos, eu acho, menos conectados com nossos corpos, uns com os outros e com o mundo em um sentido físico. Quero dizer, isso aqui [mostra o smartphone para a câmera] não ajuda, e isso [aponta para a câmera] tampouco, mas com a introdução das redes sociais, das novas tecnologias e da IA, estamos realmente muito separados de nós mesmos. Então, acho que estamos vivendo um body horror sutil, mas muito real, todos os dias. E acho que há uma parte de nós que se interessa por essas histórias sobre corpos justamente porque estamos muito desconectados dos nossos próprios, e uns dos outros. Tenho aprendido cada vez mais sobre a história do body horror e o quão feminino ele tem sido, o quão queer ele tem sido, e eu simplesmente adoro isso. Adoro ser uma pequena parte desse legado, é legal.
OMELETE: Bom, é claro que estamos tendo um ano fantástico para o terror em geral. Qual é a sua visão sobre o que torna esse gênero tão atraente para o público e, ao mesmo tempo, por que vemos tantas histórias originais vindo dele, mesmo quando Hollywood não parece mais apoiá-las?
FRANCIS: O que estamos vendo, especialmente no lado financeiro — que caminha junto com o criativo —, é que o terror ainda é esse espaço onde você pode não precisa de uma celebridade de "primeiro escalão" para protagonizar o seu filme original... e, num sentido muito prático, isso significa que você paga menos aos seus atores. Você não precisa de 100 milhões de dólares para fazer algo maravilhoso e fantástico. Isso permite que estúdios e produtores se arrisquem com atores que podem não ser tão famosos ainda, ou com diretores que não estão entre os dez mais rentáveis do mundo. Permite que haja algum risco, sabe? Porque o terror tende a ser feito com um orçamento menor. Acho que todos estamos vendo que o gênero está se tornando um veículo incrível para que artistas corram esses riscos, tenham sucesso e encontrem seu público. Vivemos em tempos interessantes para o terror, e o que eu amo nas pessoas indo ver esses filmes nos cinemas é que isso nos dá um espaço para ficarmos assustados juntos, para rirmos juntos e sentirmos coisas juntos. É bem bacana.
*Insaciável chega aos cinemas brasileiros em 6 de agosto.
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