Filmes

Entrevista

Ilha de cachorros | Bill Murray fala sobre trabalhar com Wes Anderson

“Investir na fábula nestes tempos duros parece subversão”, falou o ator

Rodrigo Fonseca
16.07.2018
20h02

Numa entressafra de projetos, no início do ano, Bill Murray foi escalado pela Fox para buscar o Urso de Prata de Melhor Direção dado a Wes Anderson, pelo Festival de Berlim, em fevereiro, uma vez que o cineasta texano estava mergulhado em afazeres ligados à finalização do longa-metragem, Ilha de Cachorros. A razão da escolha do comediante de 67 anos para essa missão: intimidade.

Paul Sherwood/Wikicommons

Já trabalhamos tantas vezes juntos desde Três É Demais, que estreou há 20 anos, que muita gente pensa que somos uma pessoa só, embora eu seja o mais bonito”, brincou Murray, em papo com o Omelete, acerca de sua participação como dublador nesta animação em stop motion, no qual empresta a voz ao cão Boss. “Só anote uma coisa: este vai ser grande. Muuito grande. Já fizemos coisas boas antes em que pensei a mesma coisa: ‘Vai ser um filmão’. Mas algo me diz de que este projeto vai longe, muito longe”. 

Pelo menos nas bilheterias, as previsões de Murray se concretizaram: Ilha de Cachorros teve lucro de US$ 62 milhões em sua arrecadação nos EUA e em alguns países europeus - e já se fala em Oscar para o filme. Na nova trama do diretor de cults como O Grande Hotel Budapeste (2014), o menino Atari vai até um lixão a céu aberto resgatar seu cãozinho, que foi condenado a um depósito sanitário por pressão do prefeito de sua cidade, avesso a animais domésticos. Lá, encontra a ajuda de Chief. cão dublado por Bryan Cranston, criatura zangada com a vida, mas generosa com quem precisa. No caminho, Atari vai contar com o apoio de outros cães, como Boss. 

Este deve ser o filme mais político de Wes, um cineasta que nos brinda com um universo muito pessoal, de um colorido fabular. Investir na fábula neste momento em que a realidade do mundo anda tão dura parece uma subversão”, diz o astro, que acaba de ser escalado por Jim Jarmusch para integrar o elenco da comédia sobre zumbis The Dead Don’t Die, ao lado de Adam Driver. “Dei sorte de fazer parcerias com grandes cineastas, como Jim, Wes, Harold Ramis, Ivan Reitman. Pude aprender como é representar o que existe de mais peculiar no mundo sob o olhar deles. E o mundo não precisa só de denúncias realistas. Ele também carece de fábulas”.

Na semana que vem, Ilha de Cachorros vai ser tema de um painel no Anima Mundi, o maior festival de animação das Américas, que acontece no Rio de Janeiro de 21 a 29 de julho e, em São Paulo, de a 5 de agosto. Em solo carioca, o evento vai receber um dos talentos do time de animadores de Wes, Matias Liebrecht, para uma palestra sobre o processo de criação do longa.