Conspiração e crime: conheça a história real que inspirou o filme House of Gucci

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Conspiração e crime: conheça a história real que inspirou o filme House of Gucci

Longa de Ridley Scott tem Lady Gaga e Adam Driver no elenco

Camila Sousa
24.03.2021
11h13

A internet ficou em polvorosa nas últimas semanas, quando Lady Gaga divulgou a primeira imagem oficial de House of Gucci, filme que estrela ao lado de Adam Driver. Dirigida por Ridley Scott, a produção é inspirada no livro The House of Gucci: A Sensational Story of Murder, Madness, Glamour, and Greed (2001), e promete contar a história real - e conturbada - do casal, que envolve ciúmes, crime e uma herança milionária.

Interpretado no filme por Driver, Maurizio Gucci era filho da atriz italiana Sandra Ravel e de Rodolfo Gucci, filho do fundador da famosa marca de acessórios de luxo. Quando seu pai morreu em 1983, ele disputou o comando da empresa com seu tio, Aldo Gucci, e ficou com 50% das ações, o que lhe permitia tomar importantes decisões na empresa.

Nessa época ele já era casado com Patrizia Reggiani, interpretada no longa por Gaga. Segundo ela, os dois se conheceram em uma festa da alta sociedade, e foi “amor à primeira vista”. Eles se casaram em 1973 e tiveram duas filhas, Allegra e Alessandra Gucci. Porém, essa linda história de amor não durou muito e, aproximadamente uma década depois, Gucci deixou Reggiani para viver com uma nova namorada.

Herança e vingança

Em 1993, oito anos após ter deixado a esposa, Maurizio vendeu o império Gucci para a Investcorp, após a empresa perder milhões de dólares sob o seu comando. Em entrevista para o The Guardian em 2016, Reggiani afirmou que não ficou feliz com a decisão que, vale lembrar, afetaria também a herança de suas duas filhas:

“Eu estava brava com Maurizio por causa de muitas coisas naquela época. Mas, acima de tudo isso, sobre perder o negócio da família. Foi estúpido e foi um fracasso. Eu estava cheia de raiva, mas não havia nada que eu pudesse fazer. Ele não deveria ter feito aquilo comigo”.

No dia 27 de março de 1995, Maurizio Gucci foi assassinado com quatro tiros ao chegar em seu escritório em Milão. Ele levou três disparos nas costas e um na cabeça, e o porteiro do prédio, Giuseppe Onorato, levou dois disparos no braço e sobreviveu, se tornando uma testemunha importante do caso. Segundo ele, “o senhor Gucci chegou segurando algumas revistas e desejou bom dia. Então eu vi uma mão, bonita e limpa, apontando uma arma”.

Na época, Patrizia Reggiani foi imediatamente considerada como suspeita, por conta de sua raiva declarada contra Gucci após a separação, as traições e a venda de seu império. Apesar disso, ela só foi presa dois anos mais tarde, acusada de arquitetar o assassinato do ex-marido.

Julgamento, culpa e inocência

O julgamento de Reggiani foi realizado em Milão, com uma intensa cobertura da imprensa. Segundo informações do NY Times da época, ela temia que Gucci quisesse se casar oficialmente com sua nova namorada, o que dividiria ainda mais a herança das filhas. De acordo com a Harper’s Bazaar, um diário encontrado na casa de Reggiani tinha a palavra “paraíso” escrita na data da morte de Gucci, algo considerado como uma prova importante pelo tribunal.

Ao final do julgamento, Patrizia Reggiani, que sempre se declarou inocente, foi condenada a 29 anos de prisão, ao lado de outras quatro pessoas, que receberam diferentes penas: Pina Auriemma, amiga de Reggiani que teria ajudado a planejar o crime; um amigo de Auriemma que teria contratado o atirador; o atirador em si; e o motorista de fuga que teria agido no dia do crime. Posteriormente, a pena de Reggiani foi reduzida para 26 anos e ela deixou a prisão em 2016 em regime semiaberto, que inclui um programa de trabalho e serviço comunitário.

Em uma entrevista ao La Repubblica em 2014, Reggiani afirmou que respeita a sentença e já a cumpriu, porém reitera que é inocente e diz que foi extorquida por Pina Auriemma e seu amigo. Curiosamente, ela também revelou o desejo de voltar a se envolver com a famosa marca de artigos de luxo: “adoraria voltar para a Gucci. Eu me sinto como uma Gucci, aliás, como a mais Gucci de todas”.

Tendo essa história como base, fica claro que o longa dirigido por Ridley Scott tem tudo para entregar uma trama cheia de suspense e conspirações, além de mostrar mais sobre a figura controversa de Patrizia Reggiani. O filme tem lançamento previsto para o dia 24 de novembro, nos EUA.

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