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Entrevista

A Hora do Pesadelo: Omelete Entrevista os produtores Andrew Form e Brad Fuller

Dupla fala sobre 3-D, sucesso nas bilheterias, próximo projetos e mais

Steve Weintraub
05.05.2010
00h05
Atualizada em
21.09.2014
14h01
Atualizada em 21.09.2014 às 14h01

A Hora do Pesadelo: Omelete Entrevista os produtores Andrew Form e Brad Fuller

Os produtores Andrew Form e Brad Fuller são velhos conhecidos dos leitores do Omelete. São deles os remakes de O Massacre da Serra Elétrica, Horror em Amityville, A Morte Pede Carona e Sexta-Feira 13, além de A Hora do Pesadelo.

A Hora do Pesadelo

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E foi justamente a volta de Freddy Krueger que levou o nosso correspondente em Hollywood, Steve Weintraub, editor do site parceiro Collider, a conversar mais um vez com a dupla. Veja abaixo o vídeo do bate-papo ou leia a transcrição completa.

Como é para vocês, como produtores, andar por Los Angeles e em todo lugar ver A Hora do Pesadelo?

Andrew Form: É incrível. Eu quase sofro acidentes porque fico tirando fotos dos outdoors para mandar por e-mail para o Brad.

Brad Fuller: É verdade. É ótimo para mim também porque pela primeira vez na minha vida meus filhos sabem o que exatamente eu faço da vida. E minha esposa também vê os outdoors, o que faz as coisas funcionarem direitinho em casa.

É uma daquelas coisas em que vocês ficam recebendo mensagens de texto e e-mails constantemente?

BF: Sabe o que é horrível, sinceramente? Eu não recebo nada disso, alguém diz alguma coisa para você?

AF: De vez em quando alguém diz que viu meu outdoor.

BF: Ontem também teve aquela ligação do LA Times.

AF: Brad teve uma citação muito boa no LA Times, falando sobre 3-D.

BF: Drew ligou, mas minha mãe, nada!

Eu teria ligado, mas nós conversamos apenas esporadicamente.

BF: Eu também não telefono para muitas pessoas quando vejo os outdoors delas, então entendo.

AF: Mas, depois de trabalhar no filme durante um ano e dois meses, é muito emocionante aquele primeiro dia, quando, de repente, Freddy Krueger aparece na Sunset Boulevard.

Obviamente os números de bilheteria importam. Vocês são do tipo de pessoa que fica esperando por aquela ligação na sexta-feira à noite, ou sexta à tarde, dizendo como o filme está indo em Nova York, ou vocês só querem saber no sábado?

BF: Você está me zoando?

AF: Às 9h da manhã da sexta-feira, vamos começar a conversa.

BF: Ele senta com os números de bilheteria e já está analisando esses números há um mês. Nós estamos totalmente inteirados com isso. Ele mais do que eu, porque ele é melhor com a matemática. Mas ele sabe todos os fatos estatísticos sobre o filme, quantas pessoas estão assistindo.

AF: É, eu não conseguiria ser o cara que viaja no fim de semana, aí volta no domingo e pergunta: como fomos? Quer dizer, algumas pessoas fazem isso.

BF: Você tem que ser muito rico para conseguir fazer isso. Digo, para não ligar.

AF: De qualquer maneira, é empolgante. Sabe, quando o filme está nos cinemas e eles te dizem se está dando certo ou não. Você ainda está acompanhando e em um hora alguma coisa acontece.

BF: Posso te dizer como é, sinceramente?

Claro.

BF: É como ter um boxeador no ringue e tem os rounds, que começam às 9 da manhã. E você quer descobrir se você está vencendo todos os rounds e no fim da noite-

AF: 12 rounds depois.

BF: ... você descobre como foi.

Tenho muita certeza que vocês vão se sair bem no próximo final de semana.

BF: Obrigado.

Mas estou curioso porque ouvi falar que houve um pouco de pressão para possivelmente lançar esse filme em 3-D. Pelas contas que eu vi, o 3-D claramente adiciona muito ao lucro final. Houve muito debate entre vocês, a Warner Brothers, Sam [Samuel Bayer, diretor] e a New Line para transformar isto para 3-D?

AF: Vamos para sua citação do Times.

BF: Nós, do ponto de vista da empresa Platinum Dunes, estamos interessados em fazer filmes em 3-D, mas nós não estamos interessados em pegar filmes prontos e convertê-los para 3-D. Nós achamos que para ser um filme 3-D, ele precisa ser concebido como tal, e A Hora do Pesadelo não foi concebido desta maneira. Então nós lutamos contra isso. E não foi uma coisa que o estúdio estava dizendo que nós teríamos que fazer isso. Foi o que você disse: "aqui estão os números e o que você acha?". E no fim das contas todos nós concordamos, o estúdio, Platinum Dunes e Sam, que esta não seria a melhor versão do filme, porque ele não foi feito assim.

AF: Ele não foi concebido como um filme 3-D.

O 3-D está claramente dominando a indústria. Do lado de vocês, como isso está afetando seus projetos futuros? Tudo agora com que vocês estão lidando nos estúdios fala-se em como fazer aquilo em 3-D ou eles ainda planejam fazer filmes em 2-D?

BF: Infelizmente não temos nada pronto para filmar e acho essa discussão acontece quando você está preparando o filme, e nós não estamos preparando nada nesse momento. Sexta-feira 13 parte 2 está sendo concebido como um filme 3-D, então é um filme mais caro para fazer e leva mais tempo para filmar, mas é algo que adoraríamos fazer em 3-D.

Essa era a próxima coisa que eu ia perguntar. Foi anunciado que Sexta-feira 13, pelo menos agora, não vai acontecer. Preciso perguntar: o filme fez cerca de 100 milhões de dólares nos cinemas do mundo inteiro e claramente não custou tudo isso. Da minha perspectiva de fora, eu diria que foi um empreendimento lucrativo.

BF: Não, acho que qualquer um diria que foi lucrativo.

Então, como diabos isso pode não estar caminhando para uma continuação?

BF: Devo fazer minha cena?

Se você não quiser falar sobre isso, tudo bem.

AF: Vamos lá, fale para a câmera.

BF: É matemática simples, na verdade. Você tem que pensar que Sexta-feira 13 foi feito por dois estúdios diferentes: Paramount e New Line. Então, por mais lucrativo que tenha sido, cada um desses estúdios só ganhou metade desse lucro. Estamos passando por um momento econômico muito difícil agora e os estúdios não estão mais fazendo tantos filmes como antes, então cada data nos cinemas que eles têm reservada para uma estreia ganha mais importância. E se os estúdios, digamos a Paramount, e eu só estou citando eles porque eles vão fazer outro Star Trek e estão fazendo outro Transformers e provavelmente, não sei, outro Jackass, sei que existe mais um Jackass...

Existe.

BF: Esses são filmes enormes que o estúdio tem e são boas apostas para as datas de estreia que eles têm em mãos. Então quando a maré econômica mudar, houver mais dinheiro e os estúdios voltarem a fazer muitos filmes, eu suspeito que será esse momento que alguém vai chegar para a gente e pedir para fazer mais um Sexta-feira 13.

Vocês conversaram sobre talvez um estúdio fazer o filme, como a Warner, sem a Paramount, que talvez teria apenas uma participação menor?

AF: Sim, nós falamos sobre isso. Quer dizer, tentamos de tudo e acho que estamos num momento que esse filme não vai para frente. Talvez se A Hora do Pesadelo for muito bem, isso dê um pouco de vida para ele. Quem sabe?

BF: Mas é uma pergunta muito difícil de fazer para os estúdios, porque se você é o estúdio que dá as costas para o filme e ele vai muito bem, você fica parecendo um idiota. E porque algum deles deveria se afastar quando ambos estavam igualmente envolvidos no desenvolvimento do filme? Por que algum dos dois deveria ser penalizado?

AF: É uma posição difícil.

Vamos falar um pouco dos próximos projetos de vocês. Vocês estão trabalhando em mais remakes?

BF: Temos Ouija, que não é um remake.

AF: É um filme da Hasbro e Universal, baseado na Ouija Board. Os caras que escreveram Tron estão escrevendo para nós e estamos muito empolgados com esse filme.

Esses caras são claramente roteiristas cobiçados neste momento, depois do Tron e tal.

BF: Sim.

Esquecendo um pouco o fato de que vocês estão fazendo remakes, reboots e tal, você mencionou que o cenário econômico mudou. Todos os produtores com quem eu conversei disseram a mesma coisa, que precisa fazer uma apresentação melhor, precisam deixar todos mais empolgados, esse tipo de coisa. Como vocês sentem isso com os projetos que vocês têm em desenvolvimento? É mais fácil vender um Monster Squad, porque os executivos conhecem ou até pelo nome?

AF: Eu acho... Bom, é um filme de aventura para família. Nós vemos o filme como um filme para todo mundo, é censura 13 anos, não 15 anos. E ele tem a oportunidade de ser feito em 3-D, o que conversamos antes, e muitos filmes estão indo nesta direção. Existe um conhecimento do filme, não muito mas algum, já que é um remake. E provavelmente seria um filme para a Nickelodeon, o que é muito animador para a Paramount, eu acho. Eu imagino que eles gostariam que isso acontecesse.

BF: Nós também.

Estou muito curioso sobre o DVD de A Hora do Pesadelo. Quando eu estava no set, nós assistimos a sequência do túnel, que não está no filme.

AF: Correto.

Falei com Peter, do /Film, e ele assistiu a filmagem de outra cena que também não está no filme. Então claramente deduzimos que há cenas excluídas neste filme.

BF: Isso é verdade.

Então o que os fãs podem esperar? Será uma versão extendida? O disco virá com 10 ou 15 minutos de cenas?

AF: Você pode segurar essa informação até o DVD?

Não, isso provavelmente vai ao ar de uma vez.

BF: Ok. Teremos muitas coisas ótimas.

AF: Porque até posso te falar um pouco do que vai ter, mas não quero que seja publicado agora.

BF: Teremos algumas coisas que as pessoas...

Bom, Sam-

BF: Ok, diga.

Sam mencionou um final alternativo.

AF: Sim.

BF: Sim. Haverá uma alternativa. E não é final alternativo porcaria. Esse é uma coisa-

AF: É um final alternativo de seis minutos. Um final alternativo completo.

BF: Nós filmamos.

Então os últimos seis minutos-

AF: São diferentes.

BF: Totalmente diferentes. Não apenas a filmagem.

AF: É, não é como se tivéssemos colocado algumas peças. É completamente diferente.

BF: Vocês vão dizer "Eu não acredito que eles filmaram isso, que eles tinham isso e aí fizeram outra coisa também" porque é muito trabalho.

AF: É.

E é um resultado do processo de teste das imagens? Ou executivos? Quem tomou a decisão?

AF: Na época do lançamento do DVD eu te conto.

BF: É, faremos outra entrevista para o DVD e te contamos tudo.

Ótimo. Vou parar por aqui e dizer muito obrigado.

BF: Obrigado.

A Hora do Pesadelo estreia neste sexta, 7 de maio. No elenco estão Clancy Brown (Allan), Katie Cassidy (Kris), Thomas Dekker (Jesse) e Kyle Gallner (Quentin), além de Jackie Earle Haley, o Rorschach de Watchmen, como o novo Freddy Krueger. O roteiro é de Wesley Strick (Aracnofobia) e o diretor de videoclipes Samuel Bayer assina o filme. A produção é da Platinum Dunes de Michael Bay.

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