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Entrevista

Homem de Ferro 2: Omelete entrevista Don Cheadle

O novo James Rhodes fala sobre as filmagens, a armadura do Máquina de Combate e mais

Érico Borgo
23.04.2010
16h50
Atualizada em
06.11.2016
23h05
Atualizada em 06.11.2016 às 23h05

A entrada de Don Cheadle em Homem de Ferro 2 (Iron Man 2) foi objeto de muita discussão no ano passado. O ator de Hotel Ruanda e O Traidor, afinal, entrou para substituir Terrence Howard como o Coronel James "Rhodey" Rhodes na continuação do longa-metragem do Marvel Studios.

Howard e o estúdio nunca esclareceram totalmente a história. O ator os acusa de "quebra de contrato" e boatos falam de "estrelismo, dinheiro - e falta de talento". De qualquer maneira, Cheadle e Howard parecem em bons termos, algo que o novo intérprete do melhor amigo de Tony Stark (Robert Downey Jr.) fez questão de evidenciar em sua entrevista ao Omelete. Na conversa, ele fala bastante sobre como foi usar a armadura do Máquina de Combate, as filmagens, a descontração no set e as histórias em quadrinhos do personagem. Confira!

Homem de Ferro 2

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James Rhodes e Tony Stark

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Homem de Ferro e Máquina de Combate

Como foram as filmagens?

Don Cheadle: Foram muito bacanas, mas não poderia ser de outra forma. Fui muito bem recebido, apesar de ser um novato na equipe. Foi um trabalho maravilhoso e o filme será incrível.

Fale um pouco de seu personagem nesta produção, já que na primeira parte ele foi interpretado por outro ator (Terrence Howard).

Basicamente, é o mesmo personagem, mas agora com o corpo de Don Cheadle (risos). Ele é o mesmo cara, com um pouco mais de destaque no segundo filme. Continua sendo o melhor amigo de Tony Stark, mas a diferença agora na dinâmica dessa relação é que Tony admitiu publicamente ser o Homem de Ferro. Temos então um super-herói com poderes equivalentes a uma arma nuclear, tão poderoso quanto um exército inteiro, que não se submete a qualquer tipo de comando. Rhodey é um forte líder militar que Tony precisa obedecer. Então veremos como essa dinâmica afeta o relacionamento deles em dois momentos: quando Tony é apenas humano e quando está voando pelos céus como o Homem de Ferro. Isto exemplifica como será o filme.

Foi complicado assumir um personagem que já foi interpretado por outra pessoa?

Sim. Eu e Terrence Howard somos muito próximos, amigos de muitos anos. Eu contracenei com ele em Crash e, como produtor do filme, o escolhi para o elenco. Não há qualquer tipo de ressentimento entre nós e - mais importante - eu não roubei o papel dele. Foi Terrence quem cancelou sua participação. Depois disso me ofereceram o personagem. Terrence entendeu que eu aceitei e foi a primeira pessoa a me cumprimentar e dizer "ei, espero que você tenha momentos legais. Robert (Downey Jr.) é um cara muito bacana e será uma ótima experiência".

Essa história não é tão legal quanto os boatos sobre você ter roubado o papel dele, trapaceado...

Sim! E como eu poderia tê-lo envenenado o matado (risos). Mas a verdade é que já somos bem crescidos, estamos neste negócio há bastante tempo, sabemos como funciona o mercado e esse é o tipo de coisa que acontece. Nunca houve qualquer ressentimento entre nós.

Você também veste uma armadura neste filme. Como foi esse processo? O quanto era você mesmo e o quanto era computação gráfica?

É uma combinação dos dois. Um pouco de armadura prática, um pouco de computação gráfica - gerada através de captura de movimento. A armadura é pesada, tem uns 27 quilos - e linda. Eles fizeram várias versões dela, inclusive algumas práticas, completas. As luzes acendem e tudo. Além disso, em várias cenas o uniforme não é necessariamente feito de metal, mas construído com outro material. Eles fazem tudo de forma muito técnica, mas acho que o que vai aparecer sob a computação gráfica sou eu no final nas contas (risos).

Era sempre muito divertido usar a armadura. Claro que não dava pra tocar no próprio rosto, ou ir ao banheiro, essas coisas. Mas aprendi a lição valiosa de não beber água antes de entrar em cena (risos). Olhando pra trás, pensando por outra perspectiva, percebo que me senti como um garoto no set. Foi muito divertido.

Você fez algum tipo de laboratório com os militares?

Claro, nós fizemos isso. Conversamos com militares de vários setores, que também estavam presentes no set de filmagens, assistindo tudo e dando as orientações corretas.

O que você aprendeu e o que mais te fascinou?

Aprendi que eu não quero fazer parte do exército (risos). Mas esses caras, como todos sabem, têm grandes responsabilidades. E a experiência que eles tiveram pelo mundo nos últimos anos mostra o que os move, o que eles têm que fazer. Eles trouxeram uma dinâmica interessante ao filme. É interessante acompanhar os dilemas de Rhodey, alguém dividido entre honrar sua amizade com Tony e seus compromissos militares. Esses caras são pessoas que realmente acreditam em seguir suas regras rígidas - e Tony é especialista em driblá-las.

O diretor Jon Favreau te deu "lição de casa"? Gibis pra ler sobre o Máquina de Combate?

Ah, sim... claro! (risos) Eu usei todo aquele material para entrar no personagem. Me lembro de um dia, voltando para casa, que encontrei minha filha de 12 anos lendo os gibis. Eu perguntei o que ela achava do meu personagem, ao que ela respondeu "ele fala muito palavrão e parece muito raivoso" (risos). E eu respondi que tudo bem, que ia levar aquilo em consideração. Eu me encantei com tudo, há tantas versões diferentes de Rhodey ao longo dos anos, assim como há várias versões de Tony Stark. Mas o que parece ser uma constante é a amizade entre os dois. Eles sempre foram amigos e é justamente isso que tentamos captar... como essa amizade impacta um sujeito como Tony Stark, dono de um armamento capaz de fazer o que quiser, em qualquer hora e qualquer lugar.

Você é um fã de quadrinhos?

Não do Homem de Ferro. Mas eu já li séries dos X-Men, além de Watchmen e O Cavaleiro das Trevas.

Qual é o apelo das histórias em quadrinhos na sua opinião?

É um gênero muito abrangente. Você pode fazer coisas fantásticas, loucas e gigantescas. Mas você pode também lidar com algo mais realista, algo que uma pessoa real poderia fazer. É muito interessante termos Tony como um personagem politicamente incorreto. Ele não é exatamente um mocinho, um herói "do bem" como estamos acostumados a ver. Ele é um cara com demônios interiores, tentando lidar com seus vícios e problemas. E isto é algo realmente legal de se lidar e justamente o que faz o filme tão interessante.

Como foi atuar com Downey Jr. e sob a direção de Jon Favreau?

Robert é um grande profissional e foi, obviamente, muita sorte trabalhar com ele. Ter Jon como diretor, alguém que também atua e compreende os processos de ator, também foi muito importante. É ótima a maneira colaborativa e descontraída com que ele trabalha - com todos ali interessados no processo um do outro.

Homem de Ferro 2 estreia em 30 de abril no Brasil, uma semana antes do lançamento nos Estados Unidos.

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O filme também tem no Omelete o Homem de Ferro 2: Especial do filme