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Harvey Weinstein | “Eu sabia que ele fez algumas dessas coisas”, diz Quentin Tarantino

Diretor revelou que ouviu mais do que rumores

Camila Sousa
20.10.2017
10h20
Atualizada em
20.10.2017
13h02
Atualizada em 20.10.2017 às 13h02

Em entrevista ao New York Times, Quentin Tarantino revelou que sabia de várias acusações contra Harvey Weinstein, um dos mais importantes produtores de Hollywood e que foi responsável por alavancar a carreira de Tarantino:

“Eu sabia o suficiente para fazer mais do que fiz. Havia mais do que rumores normais, fofocas normais. Não era algo indireto. Eu sabia que ele fez algumas dessas coisas. Eu gostaria de ter tomado responsabilidade do que ouvi. Se eu tivesse feito isso, teria que ter parado de trabalhar com ele. O que eu fiz foi marginalizar os incidentes. Tudo o que eu disser agora vai soar como uma desculpa ruim”.

Além disso, Lupita Nyong’o (Star Wars, Pantera Negra) falou sua experiência com Weinstein (via NYT):

“Escondi minha experiência com Harvey no fundo da minha mente, me juntando à conspiração de silêncio que permitiu que esse predador perambulasse por tantos anos (...). Conheci Harvey Weinstein em 2011, em uma cerimônia de premiação em Berlim, enquanto ainda estava na escola de atuação em Yale. Como uma aspirante a atriz, eu estava ansiosa para conhecer pessoas da indústria, mas cautelosa com estranhos e as intenções dos homens em geral (...). Não muito depois desse encontro, Harvey me enviou um convite para a exibição de um filme. Ele disse que veríamos junto com sua família, em sua casa no Westport. Ele enviaria um carro para me pegar e eu aceitei o convite (...)”.

A atriz revela que o produtor a encontrou para um almoço antes do filme e insistiu que ela bebesse vodca, mas ela recusou: “Ele me chamou de teimosa e eu concordei”.

Já na casa de Weinstein, ele começou a exibir o filme, mas interrompeu a atriz depois de 15 minutos: “Ele disse que queria me mostrar uma coisa, mas eu protestei dizendo que queria terminar o filme primeiro, mas ele insistiu que eu fosse com ele (...). Harvey me deixou em seu quarto e disse que queria fazer uma massagem em mim. Eu achei que ele estava brincando, mas não estava. Pela primeira vez desde que o tinha conhecido, me senti insegura. Eu entrei em pânico e, para me sentir no controle, me ofereci para massageá-lo ao invés disso (...). Depois de algum tempo, ele disse para eu tirar suas calças, eu disse que não faria isso porque ficaria desconfortável. Ele se levantou de qualquer forma para fazer isso e eu corri para a porta, dizendo que não estava confortável com aquela situação (...). Ele colocou a camisa de volta a voltou a mencionar o quanto eu era teimosa. Os membros da casa estavam todos (estrategicamente, parece agora) em quarto com isolamento de som”.

Posteriormente, diz a atriz, o produtor a convidou para outra exibição e ela aceitou, acreditando que ele tinha entendido os limites após o encontro anterior: “Ele me disse que tinha um quarto privado onde poderíamos terminar o jantar. Fiquei atordoada. Eu falei a ele que preferia comer no restaurante, mas ele me falou para não ser ingênua, se eu queria ser uma atriz, teria que estar disposta a fazer esse tipo de coisa. Ele falou que tinha namorado atrizes famosas e olha onde elas estavam agora. Fiquei em silêncio para reunir coragem e declinei a oferta. ‘Você não tem ideia com quem está mexendo’, ele disse".

O caso Weinstein

Harvey Weinstein é um dos mais famosos produtores de Hollywood e acabou demitido da própria empresa, que não compactuou com os abusos sexuais denunciados. A companhia soltou um comunicado oficial dizendo que "Os diretores da The Weinstein Company (...) determinam e informaram a Harvey Weinstein que seu vínculo de trabalho com a The Weinstein Company foi encerrado, de forma imediata". 

O produtor pediu desculpas: “Entendo que a forma como me comportei com colegas no passado causou muita dor e sinceramente me desculpo por isso. Enquanto tento ser melhor, sei que tenho um longo caminho a percorrer. Esse é meu compromisso. Minha jornada agora será aprender sobre mim mesmo e vencer meus demônios”.

Em uma reunião realizada nos últimos dias, o produtor foi expulso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Oscar - saiba mais.