Goblin Slayer | Polêmico anime é muito mais do que violência

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Goblin Slayer | Polêmico anime é muito mais do que violência

Animação foi a mais vista de novembro no Crunchyrol Brasil

Gabriel Avila
27.11.2018
14h45
Atualizada em
27.11.2018
15h46
Atualizada em 27.11.2018 às 15h46

Com apenas 7 episódios lançados até o momento, Goblin Slayer é sem dúvidas um dos animes mais polêmicos de 2018. Assim como grande parte dos títulos disponíveis em seu catálogo, o serviço de streaming Crunchyroll disponibiliza episódios da série logo após a transmissão original no Japão. Assim que o episódio de estreia da série chegou aos computadores de todo o mundo, uma avalanche de reclamações surgiu pela violência extrema presente sem qualquer tipo de aviso prévio por parte do serviço. Fóruns foram tomados por discussões sobre a série e toda essa polêmica alavancou o anime ao ponto de se tornar o mais assistido no Brasil no mês de novembro no Crunchyroll. Contudo, apesar do choque inicial, Goblin Slayer vai muito além da violência gratuita e mira nos fãs de fantasia com alma de RPG de mesa.

Baseado em uma Light Novel, romance ilustrado, escrita por Kumo Kagyu com desenhos de Noboru Kannatsuki, Goblin Slayer acompanha as aventuras de um grupo de aventureiros com a missão de exterminar goblins em um mundo fantástico recheado de criaturas mágicas e grandes perigos. Após sua primeira aventura dar terrivelmente errado, a Sacerdotisa se junta ao experiente guerreiro Goblin Slayer com a missão de exterminar os temíveis goblins -  por se tratar de criaturas consideradas de baixo nível, a ameaça não chama a atenção de outros grupos em busca de aventuras gloriosas mesmo que sejam extremamente cruéis e perigosos.

A trama não é complexa, e nem tenta parecer. Traçando os objetivos dos personagens logo de início, o roteiro foca em desenvolver suas relações ao utilizar clichês na mesma medida em que os subverte em favor de uma narrativa cheia de adrenalina. O protagonista Goblin Slayer engloba diversas características comuns a heróis queridos aos fãs dos animes: misterioso, calado e com um passado trágico, o que o torna uma figura simples e reconhecível, que o enredo faz questão de não tentar fazer parecer mais profundo do que realmente é. A inovação está justamente em subverter alguns desses clichês, como a falta de um código moral firme ou outra motivação que fuja de aniquilar uma raça que ele odeie, mesmo que tenha habilidades para livrar seu mundo de ameaças ainda piores. Esse equilíbrio entre se apropriar de fórmulas conhecidas e trilhar novos caminhos permeia toda a história, o que faz com que seja fácil identificar onde a jornada vai chegar, mas divertido por não saber o caminho até lá.

O grande atrativo de Goblin Slayer está em incorporar a cultura RPG em sua trama de forma legítima, compondo uma mitologia que propõe momentos divertidos. Durante os episódios é comum que os grupos em busca de aventura sirvam de caricaturas para os mais variados perfis de jogadores de RPGs, desde o experiente metido até o iniciante que se mete em campanhas que vão além de suas habilidades. Evidenciando essa veia "de fã para fã", o anime convida o público a participar da aventura, o que torna ainda mais recompensador acompanhar a jornada dos heróis.

A respeito do visual, Goblin Slayer também entende suas limitações e decide contorná-las de forma criativa. A animação não é tão polida, então não é preciso se esforçar muito para perceber que em diversas cenas a movimentação dos personagens se torna pouco natural e até mesmo fazem uma transição entre o desenho e o 3D de forma pouco discreta. Porém, mesmo com falhas, a série se esforça em estilizar a ação de diversas formas, tornando divertida a experiência de assistir a caça aos Goblins. Alternando os ângulos em que a ação é mostrada e investindo em coreografias extremamente ágeis, a animação empolga e transmite com facilidade a sensação de estar fazendo parte do time dos heróis, o que compensa o visual menos polido.

Com diversos pontos positivos, fica difícil entender se havia necessidade de uma cena tão chocante quanto a do episódio de estreia. É clara a intenção de abalar e causar repulsa instantânea pelos vilões, pois facilita para o público a identificação com o herói e seu ódio pelas criaturas. Porém, a forma como o episódio é conduzido passa a sensação de preguiça, pois a série consegue causar o mesmo efeito em episódios posteriores de forma nada gratuita. Embora pareça que tudo não passou de uma escolha publicitária para alavancar o falatório em torno do título, esse artifício pode sim atrair grande audiência pela curiosidade, mas também afastar uma parcela do público que poderia se divertir com a veia “RPGresca” da obra e decide passar longe por essa primeira impressão.

Com 12 episódios confirmados para essa primeira temporada, Goblin Slayer está disponível no Crunchyroll com episódios estreando aos sábados.