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Gênios do cinema: George Lucas e o retorno dos filmes bons

Como o criador da franquia Star Wars ajudou a revolucionar Hollywood e o trabalho com efeitos visuais

A cozinha
16.12.2019
20h49
Atualizada em
16.12.2019
21h26
Atualizada em 16.12.2019 às 21h26

Em uma época de pouca inovação em Hollywood, um grupo de estudantes de cinema formado por Martin Scorsese, Steven Spielberg, Francis Ford Coppola e George Lucas decidiu lutar contra a mesmice e trazer de volta os anos dourados da sétima arte norte-americana.

Em 1969, o Lucas fundou ao lado do Coppola um estúdio chamado American Zoetrope, pois queria um espaço longe do controle dos grandes estúdios de Hollywood. Lá, eles produziram o primeiro longa de Lucas, chamado THX 1138. O filme apresentava um futuro alternativo realista, onde membros da população são controlados por androides e têm que usar drogas para suprir suas emoções. A produção é uma adaptação de um curta que Lucas fez na faculdade e uma mostra de como ele sempre tentou trazer experiências pessoais para seus trabalhos. Nesse caso, a ideia era mostrar sua insatisfação com o governo da época e, por isso, acabou colocando alguns discursos do então presidente americano Richard Nixon na voz de SEN 5241, cujo o trabalho é vigiar a cidade por câmeras.  

THX 1138 foi um fracasso de público e teve críticas mistas e, por isso, Lucas fundou sua própria produtora: a Lucasfilm, que começou com um filme chamado American Graffiti – Loucuras de Verão. Inspirado na juventude de Lucas, o filme nasceu após Coppola desafiar o diretor a fazer um filme que conversasse com um grande público. A história se passa na sua cidade de Modesto, na Califórnia, local onde Lucas cresceu. Alguns personagens são facetas diferentes de sua juventude, com Curt (Richard Dreyfuss) representando sua personalidade como estudante de cinema, Milner (Paul Le Mat) como o jovem Lucas que gostava de apostar corridas de rua e Toad (Charles Martin Smith) era a versão nerd do colégio.

Tudo isso o preparou pra criar uma versão de seu programa de TV favorito: Flash Gordon. Nos anos 1940, as TVs não existiam em todas as casas e, por isso, cinemas passavam filmes seriados e o herói intergaláctico era o favorito de Lucas. Como não conseguiu os direitos da série, ele decidiu criar sua própria versão do herói, inspirado também em ídolos como Akira Kurosawa. Nascia assim a franquia Star Wars. Com letreiros e trilhas semelhantes, a inspiração dessas matines também deram origem a outro herói: o arqueólogo e aventureiro Indiana Jones, que além de claras inspirações em Spy Smashers, Zorro Rides Again e no James Bond de Sean Connery, nasceu da vontade do Spielberg fazer algo divertido.

O Roteiro Contra-Ataca

O próprio George Lucas define Star Wars como uma grande novela espacial. Toda a trilogia original gira em torno da família Skywalker e como a relação deles afetou toda a galáxia. Várias reviravoltas da trilogia giram em torno de revelações clássicas de novela: desde ser traído pelo melhor amigo (Lando e Han), passando por Darth Vader ser pai de Luke Skywalker até a revelação que Leia e Luke são na verdade irmãos. Mas junto com esses dramas familiares, está uma jornada do herói clássica que virou base para Hollywood.

A jornada do herói como conhecemos existe desde a Grécia Antiga e foi popularizada no livro O Herói de Mil Faces, de Joseph Campbell. Especialmente o primeiro filme está dentro da fórmula da Jornada do Herói, onde o protagonista é apresentado em um mundo comum, sem perspectiva de mudança. Então há o chamado da aventura, o encontro com o mentor, a recusa do chamado, a travessia do primeiro desafio, o “ventre da baleia” (apresentado quando o grupo entra na Estrela da Morte), provação suprema (morte de Obi-Wan), caminho de volta (com Leia tomando o papel de herói de Luke e retornando à base rebelde), ressurreição (volta de Han, espírito do Obi-Wan) e recompensa (final).

Star Wars fez tanto sucesso que imediatamente Hollywood achou que essa seria uma fórmula mágica e que todo filme feito dessa maneira daria certo. Porém, não foi bem isso que aconteceu. Muitos filmes falharam, pois não tinham o apelo do filme de Lucas que, além de uma história impactante, contava com efeitos impressionantes para época.

Uma Nova Esperança de Efeitos Especiais

Star Wars sempre foi pioneiro em efeitos visuais. Antes do lançamento do primeiro filme, em 1977, longas de ficção científica que precisavam usar naves normalmente mostravam elas como máquinas lentas pois os efeitos visuais não possibilitavam grandes perseguições. Isso até a ILM e Lucas entrarem na jogada. O cineasta sonhava em recriar batalhas de aviões da Segunda Guerra Mundial, só que no espaço. Tanto que a equipe usou de referência esses mesmos aviões e filmes de guerra sobre a época. O único problema era fazer tudo isso funcionar. 

A equipe utilizou modelos pequenos de naves na frente de uma tela azul e os movia bem pouco. A grande movimentação ficava por conta da câmera, que dava o dinamismo e a velocidade sonhada por Lucas. Só por isso Star Wars já merece destaque, mas o estúdio fez muito mais do que isso. 

A ILM refinou diversas técnicas já existentes, como o stop motion - que foi utilizado em Uma Nova Esperança em cenas como a do jogo de xadrez - e filmagens com pinturas. Ao invés de construir sets gigantescos ou recorrer a tela azul - que colocadas junto a pessoas, na época, não apresentavam resultados tão bons - a empresa contratava artistas pra pintar grande parte do cenário e a cena com o ator era colocada depois. Além disso, foram construídas maquetes gigantescas no estacionamento para, por exemplo, cenas da Estrela da Morte. Lá elas eram explodidas à vontade pela equipe.