Galaxy’s Edge | Como é a experiência imersiva do parque de Star Wars na Disney

Créditos da imagem: Gustavo Gontijo/Omelete

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Galaxy’s Edge | Como é a experiência imersiva do parque de Star Wars na Disney

Ou como é passar um dia em Batuu

Gustavo Gontijo
31.07.2019
11h52
Atualizada em
31.07.2019
14h06
Atualizada em 31.07.2019 às 14h06

Pra início de conversa, dei uma sorte danada. Era a primeira semana após o fim do período de reservas de Galaxy's Edge (de 31/5 a 23/6 os visitantes só poderiam entrar no novo “planeta” mediante uma reserva que lhe dava acesso a 4 horas dentro de Batuu).

Verão, férias escolares americanas... A expectativa era que milhões invadissem a lendária Disneyland nessa primeira semana. Mas aí que veio surpresa: o  excelente Is It Packed? indicava que o parque era uma “Ghost Town”, ou seja, na classificação deles tínhamos o mínimo de ocupação. Outro bom site pra checar antes de ir ao parque é o Touring Plans. Seria verdade? 

Como num jogo de Sabacc, pagamos pra ver e foi épico! A Disneyland estava vazia como um deserto de Tatooine. Atravessamos muitas terras, porque Galaxy´s Edge é no “edge” da galáxia, ou melhor, na fronteira da Disney. São uns 20 minutos de andada, atravessando Adventureland, New Orleans Square, Frontierland e Critter´s Country. Onde estão os tauntauns quando você precisa de um? 

Mas até que, de repente, você chega num canyon onde dá de cara com uma X-Wing e uma A-Wing  em tamanho real (versão trilogia Episódios IV a VII) de um lado e uma floresta de barulhos estranhos no outro (na verdade, futura entrada da nova ride de Star Wars que abre no final do ano: Rise of the Resistance). Pronto, sejam bem-vindos a Galaxy´s Edge!

Depois andamos mais um pouquinho e chegamos no famoso mercado de Batuu, que funciona como um mercado árabe, com várias lojinhas de ambos os lados. Há lojas de criaturas (pelúcias, muitas pelúcias), outra de roupas e acessórios jedis (os robes saem em torno de US$ 100), entre outras (preste atenção nos detalhes do mercado – pequenas criaturas, fechaduras nas portas e tal – eles são mais divertidos que você pensa). 

O legal é que todos os vendedores se vestem e se comportam como personagens dessa galáxia distante, puxando papos sobre a “Primeira Ordem ”, “jedi” e afins. E nem tente usar palavras como “Disneyland”, “dólar” ou “que horas o parque fecha”,  eles teimam até o fim não saber do que você está falando.

Mas o prêmio de melhor ator, vai sem dúvida para quem encarna os Stormtroopers, que tiram sarro da cara qualquer turista que passe em seu caminho. Uma dupla que eu filmava, meu deu uma dura porque tinha certeza que eu levaria o vídeo de volta para a Resistência. Foram quase 5 minutos de um diálogo que não deixaram nada a desejar. 

Ao final do mercado temos o Ronto Roasters, fast food com comidas exóticas bem à la Star Wars como carne de Ronto (na verdade, linguiça ou beef jerky da melhor qualidade) e bebidas exóticas.

Aí você pensa: agora é a atração da Millennium Falcon e acabou né? Que nada! O mercado é só uma palhinha de tudo que você vai ver! Temos a Millennium, a Cantina, um TIE fighter (que seria do episódio 9 de Colin Trevorrow, mas que nunca verá as telas, já que o diretor foi tirado projeto), outro restaurante, um bando de outras lojas, mais ruas, praças... Em suma, é gigante! Não é à toa que dizem ser a maior terra da Disney até hoje. Porque é! 

E ao dar de cara com a entrada do Savi's Workshop – Handbuilt Lightsabers, onde tentamos fazer o famoso sabre feito à mão, recebemos a dica. “Vocês querem fazer um sabre de luz? Bom, agora só às 22h temos horário livre.” E era 11 da manhã ainda. Por que? Porque tanto o sabre de luz quanto as entradas na Oga’s Cantina são feitos mediante a uma reserva via o aplicativo da Disneyland (e em breve da “DisneyWorld”). Você baixa o app, cria uma conta Disney e lá pode ver os horários disponíveis para montar o sabre e/ou entrar na Cantina (se deixar pra ver tarde, certamente não haverá mais horários livres). Lembrando que montar seu sabre de luz custa US$ 200 (mais taxas), mas você pelo menos pode levar dois convidados de graça (que não montarão o sabre). Detalhe: se desistir durante o dia, você precisará pagar os US$ 200 mesmo assim, já que precisa registrar seu cartão de crédito.

Mas se você tem esse dinheirão todo e quer muito um sabre, vale muito a pena! É tudo feito num ritual secreto, digno de Star Wars, e você tem uma centena de combinações de cabo/punho para montar dentro das quatro cores de sabre clássicas: verde, azul, vermelho e roxo! E você ainda ganha uma capa pra proteger sua nobre arma. Minha dica: marque sempre pro final do seu dia no parque, porque ficar carregando aquele sabre pelas atrações o dia inteiro é cansativo. Sem contar que se você perder, são US$ 200 jogados fora.

Em relação à Cantina, é importante marcar uma hora porque como é o único lugar em toda Disneyland que você pode beber álcool, a procura é grande. A cantina é idêntica à do Episódio IV, com direito à trilha sonora clássica (só que aqui tocada pelo robozinho R-3X, ex-piloto do Star Tours, que agora mudou de profissão). Cada visitante pode beber até dois drinks e meu favorito foi o “Fuzzy Tauntaun”, feito com Vodka de Pêssego, licor de Pêssego, refrigerante de laranja e um ingrediente secreto. Bom, basta dizer que graças a esse ingrediente secreto, sua língua e todo resto da boca ficam dormentes por uma boa meia hora. É realmente curioso e divertido (e te faz pensar que você realmente tomou algo fora desse mundo). Importante: se você fez reserva na Cantina e desistiu, também paga como se tivesse ido, numa “multa” do preço de dois drinks (em torno de US$ 15 cada). Lembrando que na cantina também temos bebidas sem álcool e algumas comidinhas. Ah, e eles não deixam você ficar mais de 40 minutos lá dentro. 

Mas voltando às lojinhas, foi dentro da Dok-Ondar's Den of Antiquities, uma boutique de muitos uniformes do Império e vestidos brancos da Princesa Leia, cheio de criaturas clássicas empalhadas ou com suas cabeças na parede (há um Wampa de O Império Contra-Ataca em tamanho natural empalhado!) que percebi mais uma atração. No fundo da loja estava um Hammerhead imóvel. É ele o famoso Dok-Andar dono da loja. Foi quando uma vendedora me sugeriu falar com ele. E não é que ele respondeu? Falava e se mexia tão perfeitamente que fiquei em dúvida se não era alguém vestido de personagem ao invés de um animatrônico. E aí, pensei: “Será que as várias criaturas por que passei até agora poderiam ter interagido comigo também?”

E aí entra o app Play. E um novo universo abriu dentro desse já grande universo. Usando o aplicativo ao chegar perto de gadgets, naves, robôs ou de criaturas, você simplesmente pode se comunicar com eles e fazê-los funcionar. Ao acionar a opção Star Wars: Datapad no app, você passar a “jogar” a Galaxy´s Edge. Você cria um perfil (pode ser da Resistência, da Primeira Ordem ou um mero “scoundrel” como um Han Solo pré-Aliança) e passa a usar seu celular como uma ferramenta. Por meio de pequenos quebra-cabeças de lógica você pode, por exemplo, fazer com os que os robozinhos dos cenários respondam a você ou mexam ao seu comando. Ou, no meu momento favorito, dar a partida na gigante X-Wing, que liga seus motores como se estivesse prestes a decolar. É emocionante! 

Todo isso vai somando pontos no seu perfil e lhe dando acesso a novos brindes e informações. Só tem um pequeno porém... Isso consome a bateria de seu celular muito rápido. Para se ter uma ideia, tinha levado dois celulares e dois carregadores. Às 15h, meus celulares já sem bateria. Recarreguei e às 20h tive de achar uma tomada escondida na Main Street. Em último caso, se o desespero for grande, a Disney aluga carregadores por US$ 30 o dia.

Bom, e Millennium Falcon – Smuggler´s Run? Ah, a atração é a cereja desse grande e delicioso bolo intergaláctico. Num simulador de seis lugares, temos dois pilotos, dois gunners/atiradores e dois engenheiros. Os dois primeiros literalmente pilotam a nave. Os seguintes atiram nos TIE Fighters que nos azucrinam durante o percurso. E os dois últimos tentam arpoar nosso alvo principal além de tentar reparar os danos sofridos na nave. Os atiradores ainda podem escolher se querem mira automática ou não. Simplesmente o videogame mais caro construído na história! Meu conselho: 1) tente viajar nas três posições: as experiências realmente são diferentes; 2) se a fila está grande (estima-se que as filas para o “brinquedo” tenham uma duração média de 50 minutos), entre no caminho do “single rider” que você já corta direto pra frente da fila. Claro, você vai sozinho junto com um grupo de estranhos. Mas vale tudo para agradar seu chefe Hondo Ohnaka, personagem de Star Wars Rebels que retorna como condutor da atração. 

Diga-se de passagem que quando saí da Millenium Falcon, percebi que aquele era o primeiro brinquedo que tinha ido naquele dia inteiro na Disneyland. E ainda tinha muita coisa pra ver naquele reino saído da abençoada imaginação de George Lucas. O Droid Depot onde você constrói seu próprio robô... A praça onde pousa a nave de Kylo Ren e ele sai pelo meio dos turistas atrás do espião da Resistência. Tomar o leite azul de Bantha geladinho. Mas era bom eu me apressar porque já era 15h e já fazia mais de 4 horas que estava só curtindo “Galaxy´s Edge”. Entrando nas lojinhas. Vendo os produtos. Comendo comidas exóticas. Levando dura de stormtrooper. E tal qual meu amado Luke, vendo a vida passar num planetinha esquecido numa galáxia muito, muito distante.

OS 10 MANDAMENTOS DO MOCHILEIRO DE GALAXY´S EDGE

1- Antes de ir, baixe os aplicativos oficiais do parque: Disneyland e o Play Disney e crie sua conta Disney dentro deles.
2- Leve carregadores pro seu celular. O máximo que puder. Você vai precisar.
3- No app Disneyland, faça as reservas no Savi´s Workshop” Lightsaber e no Oga´s Cantina, se quiser ir neles. De preferência faça a reserva mais pro final do dia. Mas lembre-se: custa caro.
4- Explore com seu celular tudo o que tiver pela frente na terra. Em especial o X-Wing e os droids do lado do Droid Depot.
5- Fale com todos os habitantes de Batuu que você encontrar pela frente. Eles interpretarão ao pé da letra seus papeis. Meus preferidos são os stormtroopers!
6- Se estiver sozinho, corte a fila do Millennium Falcon: Smuggler´s run pela opção single rider, onde você complementa as outras equipes.
7- Brinque nas 3 posições permitidas da Millennium. Cada uma é divertida à sua maneira.
8- Tome o Fuzzy Tauntaun na Cantina e o leite azul na barraquinha da praça.
9- Encare de frente Kylo Ren na saída do TIE Fighter e dê um abraço no Chewbacca. Ele merece.
10- Curta cada segundo e seja feliz. Afinal você está finalmente num planeta de Star Wars. Que a Força Esteja com a Gente... Sempre!