Filmes

Entrevista

Fúria de Titãs: Omelete entrevista Alexa Davalos

Atriz fala sobre sua personagem, como foi atuar com tela verde e trabalhar com Sam Worthington e Louis Leterrier

Érico Borgo
23.05.2010, às 19H52
ATUALIZADA EM 02.11.2016, ÀS 17H00
ATUALIZADA EM 02.11.2016, ÀS 17H00

Até Fúria de Titãs, Alexa Davalos (Um Ato de Liberdade, Banquete do Amor) nunca havia protagonizado um blockbuster. Mas a Princesa Andrômeda da refilmagem está longe de ser a personagem feminina principal que foi no original de 1981. No filme de Louis Leterrier, o interesse romântico de Perseu (Sam Worthington) migrou para Io (Gemma Arterton) - ou seja, a pobre mocinha só encarou de frente o Kraken mesmo. Na conversa, Davalos falou sobre Andrômeda, como foi atuar com tela verde e trabalhar com Worthington e Leterrier. Confira.

Você poderia falar um pouco sobre como se envolveu neste projeto?

Furia de Titas

None

Furia de Titas

None

Furia de Titas

None

Furia de Titas

None

Alexa Davalos: Sim. Eu li o roteiro há algum tempo, quando eu estava viajando a trabalho, e fiquei com ele na cabeça. Eu adoro mitologia, adoro história. E adoro o passado, sou meio romântica com todas essas coisas antigas. Então eu fiquei com o roteiro na cabeça e quando voltei para Los Angeles tive uma reunião com Louis. Foi uma ótima reunião, conversamos, conversamos e conversamos. Falamos sobre a personagem, a ideia que Louis tinha, o tamanho do projeto e como ele o via. E eu simplesmente confiei nele. Achei que estava em boas mãos. Aquela reunião foi tipo "ok, então vamos nessa". E foi isso. Tivemos uma conexão e nós dois tivemos a mesma ideia para Andrômeda, como queríamos que ela fosse.

E qual ideia foi essa?

De que ela não era apenas uma donzela em apuros. Eu acho que isso é uma coisa muito fácil de fazer, ser a vítima, a pessoa que pode morrer e o clima fica muito sério... e acho que nós dois queríamos que ela fosse uma pessoa segura de si, que sabe o que quer fazer e está disposta a tudo para conseguir. E isso é bem parecido com o jeito que Sam Worthington escolheu interpretar Perseu. Ele não está destacando o lado deus, ele está interpretando o homem, um homem sozinho. Então tínhamos essa conexão também, e ficamos trocando várias ideias e todos tínhamos a mesma coisa em mente, e isso ajudou.

Como você construiu sua personagem? Você se baseou em mitos gregos?

Sim. Desde criança eu adoro essas coisas. Sempre tive uma paixão pelo passado. Eu tinha uma boa ideia para a personagem, mas também fui olhar quadros, levei isso para meu próprio mundo. E também desde o início já começamos os ensaios, e tivemos algumas semanas de discussões, até mais do que ensaios. E Louis, Sam, Gemma, eu e todos nós falávamos sobre o roteiro e tentávamos coisas diferentes, então acho que aquilo foi meu instinto e assim que começamos as filmagens tudo se encaixou. Eu tinha uma ideia muito forte de quem eu queria que ela fosse, da história que eu queria contar com ela. Mas é uma composição de várias coisas diferentes, esse filme foi uma grande colaboração, o que é muito raro.

Você desenvolveu uma história prévia para Andrômeda?

Nós conversamos muito sobre isso. Por exemplo, Sam realmente quer ir cada vez mais fundo, então tivemos a chance de entrar nesse aspecto. Mas normalmente você mesmo faz isso, é uma coisa sua. Nós conversamos muito sobre as similaridades entre eles, quem eles são e a coisa da busca individual, a luta por aquilo que acreditam, pessoas dispostas a se sacrificar até a morte, se for necessário. Então eles são muito parecidos e nós conversamos muito sobre isso, sobre a história da família deles, e a perda da família, e tudo isso. Havia muita coisa para tirar dali.

Você assistiu ao outro Fúria de Titãs?

Eu assisti ao original depois de terminar as filmagens. Eu sou muito sensível e suscetível a imagens, então eu não queria ter essa ideia na cabeça do original, já que eu ainda não tinha assistido. É difícil interpretar uma personagem que já foi interpretada por outra atriz. Você deve voltar e olhar a abordagem dos outros, ou não? Eu realmente não gosto de me basear nas atuações anteriores. Quero me colocar no papel, trazer os meus instintos para o papel e só depois ver se o que os outros atores fizeram é mais interessante.

No filme original, Perseu e Andrômeda estão apaixonados, mas neste não. Como você se sente em relação a isso?

Bom, hoje estamos em uma época diferente. Existe o mito romântico de Andrômeda e Perseu, que é muito conhecido, todos sabem que eles são apaixonados, que eles iam se casar e havia um clima muito tradicional. Acho que neste filme, com a visão do Louis, Sam e a minha, queríamos que fosse diferente. E foi, sabe, o roteiro era diferente. Mas acho que, por ele ser metade homem e metade deus, acho que o deus dentro dele é movido por instinto para ficar com Io, que é o etéreo, essa criatura incrível. Esse é o lado deus dele. Acho que o lado homem dele está meio interessado em Andrômeda, nem interessado intimamente, mas ele se sente conectado com ela. Então acho que a dualidade dentro dele é o que traz essas suas mulheres para a vida dele, de maneiras muito diferentes.

Você pôde escolher seu personagem? Você preferiria ter interpretado Andrômeda ou Io?

Eu amo Andrômeda, eu realmente gosto muito dessa personagem. Ela tem tantas camadas, para mim. Ainda me sinto intrigada com ela, o que é um bom sinal. E já faz um ano que sou Andrômeda, e falo sobre Andrômeda. Também acho que Gemma está tão linda como Io e a voz dela é tão... Eu adoro a voz dela, só falando qualquer coisa. Se ela lesse o cardápio eu já adoraria ouví-la. Então acho que Io precisava dessa característica etérea e Gemma conseguiu dar à personagem.

Havia alguma competitividade entre vocês, já que eram duas mulheres em papéis protagonistas?

Não, não. Isso teria sido muito ruim. Especialmente porque eu adoro Gemma. Elas são personagens muito diferentes, mulheres tão diferentes, e a conexão com Perseu é diferente. São duas linhas de história muito diferentes, passados diferentes, então dava certo. E ela me inspirou muito porque ela tem uma energia incrivelmente viva e eu sou meio assim também. Então eu acho que nós nos ajudamos muito e nos divertimos muito também.

Como é estar com tantos homens no set?

Sempre fui muito moleca, então devo dizer que estar com os garotos é muito confortável para mim. Fui criada com muitos meninos, a maior parte dos meus amigos são homens, então acho que estou confortável nesse ambiente, mas também eles foram ótimos conosco. Gemma e eu éramos as únicas mulheres no set e tínhamos nossos momentos, em que podíamos ser meninas por alguns minutos, mas isso faz parte da diversão. Você está lá com os meninos, se suja, é jogada nessa mistura e eles te fazem ficar mais forte também, de certa maneira. Não há espaço para ser uma menina, o que eu adoro porque isso me faz feliz. Então, é ótimo e também é o que você espera, em um filme como esse.

Como foi trabalhar com Sam?

Ele é tão único, é muito honesto, muito australiano, tem uma energia que eu adoro. E ele é muito consciente da história - é com isso que ele se importa, não se importa com mais nada. O filme é a história, é os personagens. Quer melhorar tudo, sabe, ele é uma força de energia criativa, constantemente lançando ideias. Ele dá uma ideia, que é melhor do que estávamos fazendo, então tentamos isso. E depois ele dá outra ideia, que é melhor ainda. Então era incrível, porque ele realmente elevou o jogo para todos nós. Todos nós tivemos a oportunidade de dar ideias e testar coisas. Não havia uma pretensão falsa do que aquilo deveria ser. Ele realmente escancara as portas e permite aquela colaboração louca. São poucas as pessoas que têm essa habilidade. Ele também não tem medo de mostrar sua ideia, sua opinião, ou dizer, "Isso é uma merda! Vamos fazer desse jeito". Ele tem essa linda característica explosiva e cheia de vida, e fez do filme uma ótima experiência.

Ter sets reais ajudou sua atuação?

Sim, com certeza. Você ganha um ambiente para atuar. Como, por exemplo, essa sala, que é muito específica. Se entrássemos em um cômodo que é gigantesco, todo prateado e dourado, com estátuas e tal, nos sentíriamos muito diferentes. Então, sim, claro, esse é o pano de fundo que nos dão e é um tremendo presente, especialmente quando você está trabalhando com muita tela verde e precisa usar muito sua imaginação, é bom estar em um lugar que realmente existe, com certeza.

Foi difícil para vocês imaginar o Kraken? Gritar com uma tela verde?

Sim, foi engraçado, porque era tela verde, e Louis estava vestido de verde. Não sei se ele contou isso para vocês, mas ele vestiu uma roupa de tela verde, para que pudessem removê-lo da cena. Ficou parecendo meio que como um sapo muito alto. E tinha a bolinha de tênis pra que eu pudesse fizar o olhar. A energia dele é incrível, ele é como uma criança grande. E ele entrava lá e ficava falando, "O monstro está indo pra lá, está vindo pra cá, está vindo!", sabe? É incrível como ele se envolve, o quanto ele coloca a mão na massa. Então, visualmente, tínhamos uma ideia do que estava vindo da onde, o que ia voar por cima, sabe, ele estava muito presente nisso tudo. Na época tínhamos apenas um rascunho do que seria o Kraken, então era muito vago. Um dia eu perguntei qual seria o tamanho da criatura, e ele disse, "Ok, a boca é do tamanho do Empire State Building". Ok, isso é grande! Então eu tinha uma ideia da escala, mas é tudo faz de conta. A raíz do que fazemos ali é nossa imaginação. Então você tem uma ideia daquilo e depois entra na criança dentro de você, que imagina a coisa assustadora debaixo da cama e você acredita nela, naquele momento. É isso, é esse sentimento. Você desaparece dentro da sua criança interior, eu acho.

E como foi ficar amarrada ali se debatendo?

Acho que meus braços ficaram mais longos do que quando comecei o filme. Fiquei pendurada por duas semanas, literalmente. Nossa, eu adoro essas coisas! Acho que quando você entra num filme como esse, precisa estar preparada para apanhar um pouco e ficar com machucados. Eu adorei isso. Pode não parecer agora, mas como eu disse, sempre fui meio moleca, então eu gostava de estar com os meninos, levar uns tapas e fazer minhas cenas de ação. Então sim, fiquei pendurada durante duas semanas e o peso estava meio que distribuído entre meus pulsos e meus quadris. E tive muitas brigas e cicatrizes, mas sabe, são ferimentos de guerra, que você vai colecionando a cada filme e depois segue em frente. Então eu gostei dessa parte.

Acesse o Especial Fúria de Titãs do Omelete, com entrevistas, críticas e galerias.

Omelete no Youtube

Confira os destaques desta última semana

Omelete no Youtube

Confira os destaques desta última semana

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a nossa Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados e cookies para as finalidades ali constantes.