Mês da Mulher | Os filmes favoritos da Redação Omelete dirigidos por mulheres
Produções estão disponíveis online para streaming e aluguel digital
Estamos no mês das mulheres, e nada melhor do que relembrar grandes nomes que tornam nossa vida melhor todos os dias. De A Fada do Repolho (1896, por Alice Guy-Blaché) até Hamnet (2025, por Chloé Zhao), muita coisa mudou na indústria da sétima arte, e o olhar feminino foi ganhando cada vez mais espaço. Na cultura pop, grandes mulheres estão por trás e diante das câmeras em produções renomadas, premiadas e aclamadas ao longo das eras.
Nesta lista, a redação do Omelete separou seus filmes favoritos dirigidos por mulheres, que passam por clássicos do novo milênio até filmes contemporâneos que surpreenderam em qualidade e profundidade. Confira os títulos e onde assistir online!
Aftersun, de Charlotte Wells
Onde assistir: MUBI.
Tão convidativo para revisitar quanto é doloroso de ver novamente. Dói de forma calorosa. Quebra seu coração e junta os pedaços. Faz você tropeçar e te segura antes que você caia. Aftersun - com Paul Mescal e a revelação Frankie Coiro - e faz chorar mas oferece um ombro. A diretora e roteirista Charlotte Wells entende o apelo da mídia analógica, das filmagens caseiras até polaroides; fontes de memória e enigmas. Nenhum filme define tão bem uma das palavras mais únicas do português: saudade. - Por Guilherme Jacobs
Veja também:
Justiceiras, de Jennifer Kaytin Robinson
Onde assistir: Netflix.
Depois de nos colocar dentro da mente e dos sentimentos femininos em Alguém Especial, a diretora Jennifer Kaytin Robinson entregou seu potencial completo em Justiceiras. Ela entregou comédia, cenas que viralizam nas redes sociais até hoje (Oi, Sophie Turner!), duas mulheres poderosas vividas por atrizes queridinhas e supercarismáticas (Maya Hawke e Camila Mendes), uma estética impecável e os sentimentos caóticos que rondam a juventude de uma mulher. - Por Bruna Nobrega
Matrix, de Lana e Lilly Wachowski
Onde assistir: Netflix e HBO Max.
Talvez seu primeiro contato com Matrix tenha sido em alguma aula de filosofia, quando você mal resistia ao sono em meio à rotina exaustiva do ensino médio. Felizmente, esse é um dos casos em que o filme escolhido pelo professor não só propõe reflexões profundas: ele também é muito legal mesmo para quem não quiser queimar alguns neurônios. Feito em 1999, o universo criado pelas Wachowski antecipava assuntos que são relevantes até hoje enquanto trazia nomes como Keanu Reeves para o estrelato. - Por Breno Deolindo
Que Horas Ela Volta, de Anna Muylaert
Onde assistir: Netflix.
“Um soco no estômago” pode ser um bom jeito de definitir a obra-prima de Anna Muylaert. Que Horas Ela Volta, protagonizado por Regina Casé, tirou o fôlego do país ao contar uma história tão comum, mas ignorada pelo imaginário social brasileiro: a vida de mães que abdicam de seus filhos para cuidar dos filhos de seus patrões. No filme, Val (Casé) deixa a filha, Jéssica, no interior de Pernambuco e passa os 13 anos seguintes trabalhando como babá do menino Fabinho, em São Paulo. Ela consegue estabilidade financeira, mas convive com a culpa por não ter criado sua filha. Às vésperas do vestibular de Fabinho, Jéssica decide ir para São Paulo e fazer a prova também. A partir daí, as diferenças entre os dois mundos começam a colidir cada vez mais. Essa história de mulheres sobre mulheres é profunda e necessária, sendo uma excelente recomendação para qualquer dia do ano, mas especialmente para o Mês da Mulher. - Por Pedro Henrique Ribeiro
Retrato de uma Jovem em Chamas, de Céline Sciamma
Onde assistir: Prime Video.
Céline Sciamma fez um dos melhores filmes dos últimos anos em uma história tão feminista quanto apaixonante. Retrato de uma Jovem em Chamas apresenta a artista Marianne (Noémie Merlant), contratada para pintar um retrato de casamento de Héloïse (Adèle Haenel), jovem aristocrata que se recusa a posar para a obra que será enviada a um pretendente. Marianne se vê obrigada a observá-la em segredo durante passeios pela ilha onde a jovem mora, na intenção de pintá-la usando apenas a memória. Entre as observações, conversas e o mistério em volta da figura de Héloïse, Marianne acaba desenvolvendo uma relação que ultrapassa o vínculo de seu trabalho como artista. Sciamma constrói uma trama sensível sobre desejo, liberdade e lembranças, filmando o corpo e a intimidade feminina com um olhar raro e que extrapola a relação das duas ao debruçar em outras formas como o amor pode existir mesmo quando condenado pelas convenções sociais. - Por Alexandre Almeida
Vou Morrer Amanhã, de Amy Seimetz
Onde assistir: aluguel e compra no Prime Video e Apple TV.
Lançado no coração da pandemia de covid-19, este filme encarnou como nenhum outro a ansiedade da época, mas também envelheceu muito melhor do que outras produções do tipo. Quando uma série de homens e mulheres suburbanos de Los Angeles começam a acordar com a certeza devastadora de que vão morrer no dia seguinte, instala-se um clima de paranoia e abrem-se as porteiras de uma filosofia soturna sobre a vida diante da certeza do fim (e do fim do mundo). Amy Seimetz, apenas em seu terceiro longa, já mostra confiança inacreditável - Vou Morrer Amanhã é uma aula de expressão estética, construção de atmosfera e uso do suspense para falar de angústias geracionais. - Por Caio Coletti