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Festival de Berlim divulga esclarecimento sobre declarações políticas

O evento segue até o dia 22 de fevereiro

Omelete
4 min de leitura
JH
15.02.2026, às 11H56.

O 76º Festival de Cinema de Berlim teve início no dia 12 de fevereiro e segue até o próximo domingo, dia 22. Desde que começou, o evento vem enfrentando críticas por conta da decisão de integrantes do júri e artistas presentes de se absterem de falarem sobre o cenário político mundial.

Um dos casos de maior destaque foi o do presidente do júri, o diretor Wim Wenders, que disse: "Temos que ficar de fora da política pois, se fizermos filmes que são declaradamente políticos, nos tornaremos políticos", o que causou indignação e fez com que a autora indiana Arundhati Roy deixasse o evento. 

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Além do caso mencionado acima, Neil Patrick Harris e Michelle Yeoh também foram criticados por suas reações a perguntas sobre política e o crescimento do fascismo no mundo. Harris chegou a dizer que sempre está interessado em "fazer coisas que não são políticas". 

Em resposta às críticas que o evento enfrenta por conta do silêncio de seus convidados, a diretora do Festival, Tricia Tuttle, soltou uma declaração em nome do Festival de Berlim. Leia a seguir:

"As pessoas clamam por liberdade de expressão na Berlinale. Liberdade de expressão está acontecendo no Festival de Berlim. Mas cada vez mais, é esperado que cineastas respondam qualquer pergunta feita a eles. São criticados se não as respondem. São criticados se as respondem e não gostamos de suas respostas. São criticados se não conseguem resumir pensamentos complexos em uma resposta breve quando um microfone é colocado na frente de seu rosto quando pensavam que falariam sobre outro assunto."

"É difícil ver a Berlinale e as centenas de cineastas e pessoas que trabalham neste festival serem reduzidos a algo que nem sempre reconhecemos no discurso online e da mídia. Ao longo dos próximos dez dias na Berlinale, os cineastas estarão falando o tempo todo. Eles falam por meio de suas obras. Falam sobre seus trabalhos. Às vezes, falam sobre geopolítica que pode ou não estar relacionada aos seus filmes. É um festival grande e complexo. Um festival que as pessoas valorizam de muitas maneiras diferentes e por muitos motivos."

"Há 278 filmes na programação deste ano. Eles trazem muitas perspectivas. Há filmes sobre genocídio, sobre violência sexual em guerra, sobre corrupção, sobre violência patriarcal, sobre colonialismo ou poder estatal abusivo. Há cineastas aqui que enfrentaram violência e genocídio em suas vidas, que podem enfrentar prisão, exílio e até a morte pelo trabalho que realizaram ou pelas posições que assumiram. Eles vêm a Berlim e compartilham seu trabalho com coragem. Isso está acontecendo agora. Estamos amplificando essas vozes o suficiente?"

"Há também cineastas que chegam à Berlinale com diferentes objetivos políticos: perguntar como podemos falar sobre a arte como arte e como podemos manter os cinemas vivos para que os filmes independentes ainda tenham um lugar para ser vistos e discutidos. Em um ambiente midiático dominado por crises, resta menos oxigênio para uma conversa séria sobre cinema ou cultura em geral, a menos que isso também possa ser encaixado em uma pauta de notícias."

"Alguns filmes expressam uma política com “p” minúsculo: eles examinam o poder na vida cotidiana, quem e o que é visto ou não visto, incluído ou excluído. Outros se envolvem com a Política com “P” maiúsculo: governos, políticas de Estado, instituições de poder e de justiça. Isso é uma escolha. Confrontar autoridade acontece de formas visíveis e, às vezes, de maneiras pessoais mais silenciosas. Ao longo da história da Berlinale, muitos artistas colocaram os direitos humanos no centro de seu trabalho. Outros fizeram filmes que vemos como atos políticos radicalmente silenciosos, que se concentram em pequenos e frágeis momentos de cuidado, beleza, amor, ou em pessoas que são invisíveis para a maioria de nós, pessoas que estão sozinhas. Eles nos ajudam a criar conexões com nossa humanidade compartilhada por meio de seus filmes. E, em um mundo quebrado, isso é precioso."

"O que une tantos desses cineastas na Berlinale é um profundo respeito pela dignidade humana. Não acreditamos que haja um cineasta exibindo filmes neste festival que seja indiferente ao que está acontecendo neste mundo, que não leve a sério os direitos, as vidas e o imenso sofrimento das pessoas em Gaza e na Cisjordânia, na República Democrática do Congo, no Sudão, no Irã, na Ucrânia, em Minneapolis e em um número assustador de lugares."

"Artistas são livres para exercer seu direito à liberdade de expressão da maneira que escolherem. Não se deve esperar que artistas comentem todos os debates mais amplos sobre práticas passadas ou atuais de um festival sobre as quais eles não têm controle. Nem se deve esperar que se pronunciem sobre todas as questões políticas que lhes sejam apresentadas, a menos que queiram."

"Continuamos a realizar este trabalho porque amamos cinema, mas também esperamos e acreditamos que assistir a filmes pode mudar as coisas. Mesmo que seja aquela mínima mudança nas pessoas, um coração ou mente por vez."

"Agradecemos ao nosso time, convidados, júri, cineastas, e tantos outros que fazem parte do Festival de Berlim por manterem a cabeça fria em tempos acalorados."

 

 

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