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Entrevista

EXCLUSIVO: Omelete entrevista Bryan Singer no México

O diretor de Superman - O retorno

Marcelo Forlani
17.07.2006
00h00
Atualizada em
16.11.2016
02h07
Atualizada em 16.11.2016 às 02h07

Aos 40 anos, Bryan Singer já pode ser considerado um veterano em Hollywood. Não pelo seu currículo, que tem apenas outros quatro filmes (Os suspeitos, O aprendiz, X-Men e X-Men 2), mas pela qualidade de todos eles. Não é à toa que a Waner Bros. o seduziu a ponto de fazê-lo trocar os mutantes pelo filme do retorno do Azulão, afinal, Singer ajudou a construir a atual onda de longas-metragens inspirados em histórias em quadrinhos. Visivelmente empolgado e orgulhoso com o resultado, Singer não mede esforços para contar tudo o que aconteceu neste projeto. Pena que só tínhamos cinco minutos com ele... mas, como você vai ver, em breve ele virá ao Brasil!

Que pena que vocês não puderam ir pro Brasil... [estava programada uma visita de todo o elenco principal mais o diretor pelo Rio de Janeiro - leia aqui]

Bryan Singer: Pois é, eu fiquei triste pra caramba! Eu adoro a cidade do México, eu tinha vindo pra cá no X-Men 2, mas foi decepcionante ter que cancelar a viagem pra lá. O que acontece é que não dava para levar todo o elenco para esta enorme viagem. Mas quando estiver de férias eu vou pro Rio, pois nunca estive lá.

Você será muito bem-vindo.

Eu sei. Já está nos meus planos...

E você tem muitos fãs por lá.

RRRRRR!!! É muito frustrante que não deu certo...

Bom, vamos lá...

X-Men era um filme sobre preconceito, seja ele racial, étnico, etc. Sobre o que é este Superman?

Superman é um filme sobre amor e sobre solidão. Acho que ele é um personagem interessante porque tem poderes tão extraordinários e é tão incrivelmente popular, mas as suas responsabilidades e a incapacidade de viver uma vida de um ser humano normal - porque ele não é humano - o tornam incrivelmente solitário. E acho que isso, mesmo sendo secundário, pode ser inspirador para pessoas que às vezes se sentem sozinhas. Acho que estes são os valores pessoais destes personagens.

Nos quadrinhos, Lois e Clark se casaram depois do sucesso da série Lois & Clark - As novas aventuras do Superman. Neste filme, você planta uma idéia ali. Acha que isso também vai refletir nos quadrinhos?

O que é realmente animador para mim, a respeito dos quadrinhos, é que quando você faz estes filmes - e eu aprendi isso com os dois X-Men - é que eles têm seus próprios universos. Os roteiristas e artistas têm seus próprios pontos de vista, mas eles pescam algumas coisas destes filmes, de forma bem sutil, e acabam prestando homenagem ao trabalho de nós cineastas. E os dois eventualmente acabam fechando este círculo. Se eu fizer outro filme do Superman eu vou dar uma olhada para ver o que aconteceu nas HQs. As duas mídias com certeza servem uma a outra, então vamos ver o que vai acontecer.

Mas você ainda não assinou contrato para este segundo filme ainda?

Não. Ainda não. Eu faço estes filmes um de cada vez e vejo como me sinto no fim de tudo. Não sou como os atores, que têm que ser contratados para vários filmes por causa da ligação das suas imagens aos personagens. Para mim, é um trabalho muito intenso, que demora tanto tempo que não tem como saber se você estará disposto a fazer outro antes de chegar lá no fim.

Ouvi que uma de suas primeiras idéias sobre o filme era a do Superman X Batman. É verdade?

Na verdade, isso era algo que a Warner Bros. tinha discutido, acho que com o Wolfgang Petersen [diretor do Poseidon] um tempo atrás. Eu pensei nisso e fiquei analisando na minha cabeça quem seria o super-herói, acho que seria o Superman, com o Batman de vilão, mas daí o Superman ser malvado... e por aí vai. Mas no meu coração, acredito que se você começar a pegar estes ótimos personagens e colocá-los juntos nos filmes, você acaba diluindo sua força. E não acho que Superman esteja pronto para isso ainda.

Qual foi o boato mais bizarro que você ouviu?

Ah, foi o que nós tínhamos mudado digitalmente o tamanho do pacote do Superman. Cara, isso foi muito bizarro (risos). Não entendi de onde tiraram isso, nem porque. Isso dito, não tinha como nós gastarmos essa grana com cada imagem e mudá-la. E vale lembrar que nós já tínhamos discutido muito sobre o design do uniforme, sobre quanta modéstia nós mostraríamos. Você sabe, é um filme para a família, mas ele é o Superman. (risos)

Você deu uma parada no meio das filmagens e voltou depois de um tempo para mais algumas cenas. Como foi isso?

Em vez de ir direto até o fim e rodar todas as cenas planejadas, eu parei umas três semanas antes e voltei para Los Angeles e me afastei um pouco para ter uma visão geral. Eu estava ficando muito cansado física e mentalmente. Algumas destas cenas são muito caras e eu não queria rodar o que eu não precisava. Então, tive esta idéia de terminar antes, no dia 107, voltar para Los Angeles e meio que dar uma geral no filme e só então voltar para Austrália, o que foi ótimo, porque daí eu terminei o filme e só precisei de um dia a mais de filmagem nos Estados Unidos. Isso funcionou muito bem. Na próxima vez que eu fizer um filme grande assim vou pensar já nessa parada.

Este próximo vai ser o Fuga para o século 23?

Eu não tenho nada acertado ainda porque preciso dar uma descansada. Este projeto foi muito desafiador e cansativo para mim.

Vai lá, você merece!

Obrigado! Te vejo no Brasil!

Especial Superman