Exclusivo: Da Frigideira - Coraline
Assistimos a 30 minutos da animação stop-motion 3-D baseada no livro de Neil Gaiman
Na última sexta-feira, após a rodada de entrevistas de Madagascar 2, o Omelete participou de um evento muito especial em Los Angeles. Ao lado de Henry Selick, diretor de O Estranho Mundo de Jack (Nightmare Before Christmas), assistimos a 30 minutos finalizados de Coraline, a adaptação para as telonas do livro infanto-juvenil de Neil Gaiman (Sandman, Beowulf).
O filme combina a técnica de stop-motion (animação quadro-a-quadro com bonecos), algo que Selick domina com perfeição, com aperfeiçoamentos em computação gráfica e tecnologia de projeção em 3-D. No lobby da pequena e confortável sala de exibição particular, uma exposição com uma dezena dos detalhados bonecos utilizados nas filmagens (todos com cerca de 30 centímetros de altura) foi montada, para que pudéssemos conferir de perto o material de base das filmagens. É um trabalho de arte simplesmente incrível, com design minucioso e uma tradução tão fantástica das idéias de Gaiman quanto as ilustrações de Dave McKean que enfeitam o livro.
coraline
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Coraline
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Depois de uma introdução de Selick, que citou Ray Harryhausen como sua maior referência e espécie de herói de infância, colocamos nossos óculos 3-D e a projeção começou. Foram três grandes cenas com visual completamente pronto, dublagem concluída e música ainda inacabada. A primeira mostra a jovem Coraline (voz de Dakota Fanning) levando a correspondência ao excêntrico vizinho circense (Ian McShane) no andar de cima do "palácio cor-de-rosa", a bela casa para a qual ela acabou de mudar-se com a família.
A segunda, mais longa, mostrou a menina indo para a sua "outra casa" e encontrando-se com a "outra mãe" (Teri Hatcher) e o "outro pai" (John Hodgman), versões aparentemente mais legais de seus pais verdadeiros - só que com botões costurados no lugar dos olhos. A seqüência incluiu uma bela cena no um jardim do "outro pai", que ele cuida a bordo de um trator-louva-a-deus. Plasticamente irretocável, a seqüência mistura flores vivas, luzes e insetos que à distância formam o rosto de Coraline. A cena continua com a visita às velhotas do andar de baixo - senhorita Forcible (Jennifer Saunders) e senhorita Spink (Dawn French) -, duas artistas aposentadas, que se enfrentam em uma batalha de canto e performance no palco, num teatro lotado de cachorros. A cena final mostra a verdadeira natureza da "outra mãe" e a primeira tentative de Coraline de voltar à sua casa de verdade.
Apesar de direcionado a um público mais jovem, o livro de Gaiman tem elementos bastante sombrios. O filme, felizmente, os mantém todos, sem amenizar certas imagens para não assustar os pequenos. O tom da obra parece estar na íntegra ali.
Outro aspecto dos mais empolgantes é o 3-D. Geralmente o recurso é mal empregado nos filmes: ou eles parecem criados especificamente como veículos para a utilização da tridimensionalidade (vide o fraco Viagem ao Centro da Terra), ou parecem pouco criativos, meramente recortando os personagens do fundo (Os Mosconautas no Mundo da Lua). Pois Coraline tem um equilíbrio jamais visto no cinema de tal tecnologia, algo que só A Lenda de Beowulf chegou perto. A tridimensionalidade jamais parece gratuita ou forçada, até porque ela apenas reproduz algo real, já que os cenários existem fisicamente. Selick a explora com sutileza artística - na névoa que cobre os pés dos personagens e desce pela escada, no túnel que parece ficar mais longo conforme a menina nele avança, na revoada de insetos das plantas luminosas...
Verdadeiramente hipnotizado, confesso que esqueci que a apresentação teria apenas 30 minutos. Quando ela terminou abruptamente - e veio a lembrança de que o filme ainda tem mais alguns meses pela frente antes de ficar pronto - foi uma decepção. Felizmente, na seqüência pude conversar, ao lado de nosso parceiro em Los Angeles, Steve Weintraub, durante 20 minutos com Henry Selick. Todo o papo foi gravado em vídeo e você vai vê-lo aqui no Omelete muito em breve. Aguarde...
O filme estréia no Brasil em 13 de fevereiro de 2009.
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